Natural

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Max Reinert · Florianópolis, SC
25/8/2008 · 127 · 11
 

Ando por caminhos escuros.
Meu coração não resiste às tentações.
Tenho a sensação que, desta vez, não conseguirei escapar do destino.
Por quê?
Por que nasci com essa sina maldita?
Esse amor pelo sangue e pela morte...

Sua pele era tão branca. Eu a conheci na saída da escola. Seu uniforme era alvo, mas não tanto quanto sua pele. Parecia que não havia vida dentro do seu corpo. Mas... havia. Enquanto eu não a encontrei... havia. Enquanto eu resisti à aproximação... havia. Enquanto eu não ousei, mais uma vez, responder ao chamado... havia.

Não gosto das coisas que faço. Sou um homem preso dentro de um círculo vicioso. Não sei explicar claramente o que acontece. Será que isso é realmente necessário? Simplesmente sou possuído por algo maior do que eu. Minha natureza selvagem se apossa da minha razão. Eu não sei quem eu sou... apenas respondo... mais uma vez... e outra... e outra...

Agora, enquanto a olho, no chão, sem vida, sua pele parece ainda mais alva. Talvez seja a ausência de sangue. Talvez seja minha memória que prefira guardar sua imagem assim, como uma santa. Como uma vítima inocente de minha doença.

Eu não estou em paz. Ao contrário do que todos possam imaginar, minha consciência não está tranqüila. Eu choro e sofro pela morte dela, que nem conhecia. Só sei que tinha a pele alva. Só sei que a encontrei na saída da escola. Só sei que seu uniforme era branco. Só sei que seu corpo só parecia não ter vida... e agora, realmente, não tem...

Rezando, aqui, no altar eu me pergunto como farei para seguir... Será que algum dia alguém entrará aqui nessa igreja e me dirá que sabe o que eu faço? Será que algum dia alguém irá me impedir? Será que algum dia Ele me dirá por que me fez assim?... com essa maldita sina... esse amor pelo sangue e pela morte...

Não adianta chorar...
Não adianta rezar...
Colocarei a batina mais uma vez...
Executarei os ritos mais uma vez...
Não beberei vinho ... mais uma vez...

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Cristiano Melo
 

Nossa que amargo Max...
Mas ao mesmo tempo de uma maestria com as palavras. Novamente abordas o tema morte com um tom soturno, enigmático, enquanto refletes pelos poros dos pensamentos, quem é que sou? Pode até ser um contraponto da menina morta e alva, um pedaço de si mesmo que se estende ao chão. Há de se deixar morrer o que tiver e nutrir o que de saudável se tenha.
Viajei? Talvez...rs
Parabéns
abraços

Cristiano Melo · Brasília, DF 22/8/2008 12:43
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Max Reinert
 

Olá Cristiano..
Quando escrevo não fico me perguntando sobre os possíveis "significados" do conto... sou mais intuitivo. Mas, sim, tentei opor as cores: as da menina e o tom soturno da escrita.
mas... gosto e acredito na possibilidade de se obter algo bom de algo a partir da morte... nesse caso pensando na metáfora da morte de algo em cada um de nós!
Abraço

Max Reinert · Florianópolis, SC 22/8/2008 13:13
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Compulsão Diária
 

Falar da morte é tentativa importante de ressignificar a vida.
Parabéns pelo excelente texto
abraço
CD

Compulsão Diária · São Paulo, SP 24/8/2008 06:36
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
O NOVO POETA.(W.Marques).
 

lindo lindo texto.votado.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 24/8/2008 11:19
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celina vasques
 

celina vasques · Manaus, AM 24/8/2008 12:12
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Doroni Hilgenberg
 

Max

Que fizeste menino?
tão real!!!
Parabéns!
bjssss e votos

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 24/8/2008 21:17
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walnizia santos
 

Max, tanto realismo, reflexão e beleza, a partir da morte!
Belo texto. Gostei. Votei.
Abraços

walnizia santos · Brasília, DF 25/8/2008 16:34
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Ailuj
 

Profundo demais
Um beijo e publicado

Ailuj · Niterói, RJ 25/8/2008 20:24
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Neutzscha
 

hummmmmmmm!
bjs
ND

Neutzscha · Campinas, SP 2/9/2008 15:11
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camuccelli
 

Os três texto que lí.Tive a impressão de um perssonagem só.

camuccelli · Rio de Janeiro, RJ 12/9/2008 14:09
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Max Reinert
 

Olá Carnuccelli!
Talvez sejam mesmo o "mesmo" personagem!
Eu mesmo!
Abraço!

Max Reinert · Florianópolis, SC 13/9/2008 10:29
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