home · banco · poesia · naufrágio

Veja também


Naufrágio
José Carlos Brandão · Bauru (SP) · 3/9/2008 13:12 · 121 votos · 14 comentários ·  
1
overponto
A morte me oferece a espiga dos dias, debulhados.
A morte me oferece a espiga dos dias, debulhados.


NAUFRÁGIO


Navios naufragados sonham à distância,
ramos de flores vêm dar à praia.
É o universo sem remorso: a ausência
de uma estrela a outra, e a renúncia.

Um corpo lançado à areia: abismo e exaustão.

Ouve a flauta: isto foi um jardim e garças,
as flores cresciam, quebravam os muros,
eram promessa, senão de permanência,
de equilíbrio.

A luz da morte cresta as pétalas e as pedras.

Que busco na vida? A morte me oferece
a espiga dos dias, debulhados.
A morte é um peixe numa bandeja,
os olhos para os lados, alheia.

Abandono-me ao anzol, represo.

Os meus pés na areia e o esquecimento
nos ossos, flauta soprada pelo vento.







tags: Bauru SP poesia
 
canto_esquerdo informações canto_direito
Autoria   José Carlos Brandão
Data   03/9/2008
Arquivo   2 Kb ·17 downloads
Licença  
 
pdf
2 Kb
download
 

 
canto_esquerdo comentários rss postar novo comentario canto_direito
 
ei josé carlos...
que belo e angustiante poema...
um abraço.

Samuel Luciano Assunção · Angra dos Reis (RJ) · 1/9/2008 11:49 
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião: Útil   

Prefere o esquecimento pq no mar da sua poesia o poema vai dar na areia. Exausto, mas em terra firme. Não vi abismo.
Meu naufrágio é no sonho, poeta!
Um dia, quem sabe(?), compreendo e consigo esquecer.
Parabéns!
Um beijo
CD
Compulsão Diária · São Paulo (SP) · 1/9/2008 12:27 
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião: Útil   

Edgar A. Poe, adoraria...
eu tb adorei...
Lúgubre sina do náufrago humano...
muito bom !
Joe
joe_brazuca · São Paulo (SP) · 2/9/2008 01:41 
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião: Útil   

seu poema me lembra o universo dos seres aprisonados nas esperas de Beckett, o sem -sentido da existência levando à estes angustiantes estados alterados., Muito bom, belas metáforas, texto inteligente! Parabéns!
danlima · Brasília (DF) · 2/9/2008 23:43 
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião: Útil   

voto !
joe_brazuca · São Paulo (SP) · 2/9/2008 23:58 
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião: Útil   

José Carlos,
A morte espreita os navios
e a praia acolhe os corpos exaustos
numa luta vã contra o destino.
bjssssss

Doroni Hilgenberg · Manaus (AM) · 3/9/2008 00:32 
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião: Útil   

penso lentamente e visto-me espiga. JC , demais seu poema. Te faço um convite por recado.
Ivy Gomide · Rio de Janeiro (RJ) · 3/9/2008 02:29 
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião: Útil   

A morte é um fato consumado !
Começamos a morrer logo após o nascimento !
O que importa é o que acontece nesse intervalo !
Um abraço !
alcanu · São Paulo (SP) · 3/9/2008 03:21 
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião: Útil   

um beijo, poeta
Compulsão Diária · São Paulo (SP) · 3/9/2008 10:57 
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião: Útil   

Coluna do Domingos
A morte é um peixe numa bandeja
Uma definição de morte de achei super criativa, bem original, gostaria de saber a quem entregar esta linda bandeja com este este peixe, presumo, frito ? Cozido, meio vivo, meio morto, penso que o poeta deixou esta reflexão para nós todos: Assim fazemos a pergunta:Que busco na vida? A morte me oferece
a espiga dos dias, debulhados.
A morte é um peixe numa bandeja,
os olhos para os lados, alheia.

Coluna do Domingos · Aurora (CE) · 3/9/2008 12:15 
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião: Útil   

Coluna do Domingos Aprovado. Votado
Coluna do Domingos · Aurora (CE) · 3/9/2008 12:16 
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião: Útil   

belo trabalho.votado.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca (SP) · 3/9/2008 12:19 
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião: Útil   

José Carlos Brandão · Bauru (SP
Naufrágio

Uma Poesia muito bela nos atinando para nos encontrarmos na vida.

...Que busco na vida? A morte me oferece
a espiga dos dias, debulhados.
A morte é um peixe numa bandeja,
os olhos para os lados, alheia...

Um sacudir na gen te e um abrir os olhos.
A vida esta passando e temos de tomar rumo.
Parabéns.
Abração Amigo

azuirfilho · Campinas (SP) · 3/9/2008 13:12 
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião: Útil   

votando josé carlos...um abraço
Samuel Luciano Assunção · Angra dos Reis (RJ) · 4/9/2008 09:52 
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião: Útil   
 



  Adicione seu comentário: para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

 
canto_esquerdo   canto_direito