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Os olhos de quem lê o poema são a alma da poesia
Imagens
"A justiça farda mas não talha" nos ensinou Millôr Fernandes
Guardo a fantasia
Que fiz,
De mim
Pra mim.
Com a própria cara
Vou à festa.
Mesmo assim
É o que se passa
Não desmaio, eu vejo,
Alguém me abraça.
Então saio à rua
Não me desmancho,
Com muita raça.
...
Ando meio solto
No espaço
Não sei o que faço
Mas acerto o passo
E a cada cacetada
Recupero-me
Não me desfaço
...
De graça
Ninguém
Faz graça
Basta a desgraça
Que um dia passa
03/12/1981
Ora, direis,
Quebra palitos
E os joga ao leo.
Não fiz
Não farei
Nem obrigado a ser serei
Que forçado é pau de arrasto
E sou meu próprio rei
14/04/1984
Paixão
Dias/anos
Cinzas
Veloz
Fugaz
Raio de sol
Raio anil
Uma lembrança
Ouro azul
Máquinas
Sons
Silêncio/encanto
Azul-luz
Luzazul
Linhas/formas
Natureza
Minutos/dias
Luzazuis
11/04/1985
Contra-senso
Madura
Deveria ser
Minha paixão
Não se pode apaixonar
De modo assim
Paixão
Queira você ou não
É mais que a razão
Não vai amadurecer
15/04/1985
A lua
O mar
São duas
Maravilhas
Que
À semelhança tua
Não canso de olhar
16/04/1985
Ventos, fúrias
Levantam poeira das ruas
Arrancam pétalas às rosas
Sangra meu coração
Noite inteira te sonhava
Buscava-te o dia inteiro
Esperando noite e dia
Teu olhar cruzar o meu
Vendaval, em fim de tarde.
É tarde:
Lágrimas, aflição,
De buscar o infinito
Em tão pouca duração
No entanto, ainda venta.
E a poeira não sentou
E a razão (que era pouca)
Esta paixão levou
23/04/1985
Azuis-dourados
Canto de sala
Olhar em volta
Procurá-la
Cabelo revolto
Feito canto
Solto
Provocá-la
Impulsos contidos
Risos
Soluços
Tocá-la
Chegando,
Partindo
Azuluzindo
Dourando
(a) manhã
Recomeçando.
10/05/1985
sobre a obra
A anistia fora conquistada, atrocidades se transformaram em "crimes conexos", a censura seria levantada em 1980... Começávamos os milhões de brasileiros as batalhas finais pelas liberdades democráticas, por Diretas Já e, em seguida, pela Constituinte... que deram fim ao estado criminoso mantido pela ditadura militar. Respirava-se já, mas ainda à sombra do assalto súbito e da ocupação militar...
Os olhos de quem lê o poema são a alma da poesia.
O gesto todo é percebido na mais amorosa fantasia.
Um anjo desce às madrugadas
E mesmo que não o percebas
É quem te inspira, te põe em fogo
e te ilumina os cantos do poema
o fraseado da poesia, sim, sem alegria
a tua doce angústia, tua terna agonia
É, no entanto, ainda parece,
Um anjo bom, que não adormeces
e lembra, embora com pesar
de que seria e é bom amar. (2008)
tags: Porto Alegre RS poesia versos poemas sem-censura adroaldo adroaldo-bauer
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informações |
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| Autoria |
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Adroaldo Bauer |
| Ficha Técnica |
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Versos inéditos de 1981 a 1985.
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| Data |
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11/7/2008 |
| Arquivo |
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4 Kb ·40 downloads |
| Licença |
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comentários  |
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Soco no passado: cruel e covarde.
Tiro no escuro.
Continuas tão (atual) e sempre provocativo...
proeza de quem (como você) têm a foice da vergonha.
Boa, Mestre!
Benny Franklin · Belém (PA) · 8/7/2008 22:25
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Benny, querido amigo e poeta de prima, eu entendo que cruel e covarde tenha sido aquele criminoso aparelho de estado, que saoqueamos juntos, milhões de patriotas pela paz, não é fato?
Pelo festival midiático em torno de La Betancourt, nos parece que as penas sempre serão mais fortes que as foices, ainda que os vendedores e consumidores de cocaína, heróina e das sintéticas continuem governando o planeta, por óbvio não são as Forças Armadas Reolucionárias da Colômbia (FARC) que governam sequer metade do território colombiano, assim mesmo, mais de 90 por cento dele pura selva, onde também há cocaleiros, como no restante daquele país, de quem os consumidores estadunidenses são tão fregueses quanto, e ainda os maiores comerciantes, conforme a própria DEA.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre (RS) · 9/7/2008 16:28
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Esses "ventos que arrancam pétalas", enfrentados sem fantasia, e que deitaram tantos corpos dolorosos, para sempre mancharam de sangue, a alma, a terra.
Esses outros ventos azuis do amor e a amada bela como o mar e a lua deitaram na mesma alma, a doçura necessária à própria vida.
Merecem, todos os seus poemas, um livro.
beijos
Saramar · Goiânia (GO) · 10/7/2008 19:58
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Eu já penso nisso há algum tempo. Pouco, mas penso, Saramar.
Que seja um e-book, até, que já converso com um colega sobre isso. Também devo começar a pensar em como ilustrar. E creio que será possível, sim, até o final do ano em curso.
Dou notícias. Grato por teu incentivo e presença sempre meiga.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre (RS) · 10/7/2008 21:22
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Que pena! Quebraram-se os grilhoes da ditadura, mas continuaram a soldar ferrolhos nesta famigerada ganancia do poder presidenciavel! Até quando seremos torturados a ferro e fogo da corrupção, da víbora do poder! Até qdo o palácio Brasília servirá de morada de abutres e rapinas?
Valew
Nic NIlson · Campinas (SP) · 10/7/2008 22:43
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Amigo Adroaldo.
Foi cruel nosso tempo de ditadura. E por certo, haveremos de sofrer também pelo atraso causado, pois ainda podemos presenciar resquícios dela nas relações econômicas e culturais.
Acho que estamos precisando de uma revolução na educação, quem sabe possamos assim, nos libertar das ignorâncias políticas e religiosas.
Abraços
Pedro Monteiro · São Paulo (SP) · 10/7/2008 22:49
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Meus votos com louvor!
Beijo com carinho
celina vasques · Manaus (AM) · 10/7/2008 23:19
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Excelente...Uma briga doida e doída.
abs.
Cintia Thome · São Paulo (SP) · 11/7/2008 08:18
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Bons (maus)tempos esses!!!
meu voto
um abraço
EdimoGinot · Curitiba (PR) · 11/7/2008 10:00
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Eita, maravilha de poemetos... me empolguei!
Sérgio Franck · Belo Horizonte (MG) · 11/7/2008 10:12
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Adroaldo,
A ditadura será para sempre uma mancha negra em nosso passado, muito embora o presente também seja assuatador e sem muitas perspectivas de um futuro luminoso.
Belo texto,
bjsssssssss
Doroni Hilgenberg · Manaus (AM) · 11/7/2008 13:58
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Voltando e votando.
bjsssssssss
Doroni Hilgenberg · Manaus (AM) · 12/7/2008 18:47
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