Nem sei quantas almas me têm
Cada momento é um sonho
Que subitamente me vem.
Nunca decifro quem sou:
Meio dark, meio, cool, meio soul.
Nos sonhos que vem e que partem,
Construo minha própria paisagem;
E de passagem me vou.
E, como páginas a escrever,
Vou componho nas entrelinhas o meu não-ser.
E se quiseres saber o que julguei ter sentido
Só a Deus é sabido
O que, pra mim ,
já estava escrito!
Uma singela dedicatória ao poeta Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) com a releitura do poema:
Não sei quantas almas tenho
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
Fernando Pessoa-Alber
Tem mais em:
http://www.cronicasecantos.blogspot.com/
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