Nenhures

José Carlos Brandão
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José Carlos Brandão · Bauru, SP
18/2/2011 · 4 · 2
 



NENHURES


Como um tigre, a manhã se aproxima.
Arma o bote diante do abismo.
Que universo é este?
Que Deus me guia?

Mastigo estrelas quentes como brasas,
me queimam a língua, como uma palavra.
Saco a morte do bolso,
atiro contra o enigma.

Carrego a minha cruz às costas, com galhardia.
Beijo a cruz como aos lábios de uma mulher.
O demônio me bafeja o calcanhar,
me cega os olhos cansados do caos cotidiano.

A árvore da eternidade tem as raízes para o ar.
Pássaros voam com ramos verdes no bico,
e caem pesados, estupefatos.
As águas vão e voltam, inúteis.

Além do véu
e dentro do espelho,
conheço quem sou: ninguém.
Espectro de outrem me habita.


Sobre a obra

poema

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Autoria
José Carlos Brandão
Ficha técnica
poema
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ayruman
 

Maravilha amigo. Confesso extasiado diante de tão magnífico Poema. Bom estar de volta e passar por aqui.
Saúde e Paz. jbconrado.

ayruman · Cuiabá, MT 26/2/2011 01:05
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Sihmoneh Maia
 

Belíssimo! Difícil escrever um poema que une a questão existencial com o que nos cerca e nos atormenta...
Parabéns!
Convido-o a visitar meu perfil para ler meus textos, embora não sejam - nem de longe - parecidos com os teus. Enfim, é só uma sugestão. Talvez goste de algo.

Sihmoneh Maia · Santo André, SP 15/3/2011 12:11
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