NOSSAS ESSÊNCIAS
Tento imaginar cabelos revoltos
Mãos do carinho a despentear brutalmente
Acalentando a minha vontade de amor
Arrebatando assim um beijo
Penso em ti, sinto ciúme;
Sinto carência, sinto o desejo.
Tua ausência... Sinto temor
O lamento em meu pensamento
Sou filha do medo!
Transpassa luz, transmuta o dia.
Espalha-se a vida...
Desértica na escuridão
Inaudível... Areias nos olhos
Diva em lágrimas cristais, tão cedo!
Tão cedo!
Sou filha do medo!
Saudade incorpora
A angústia de quem vive
Agonia de quem ama
E tem a espera... Castigo!
Sonho do paraíso, do riso.
Falseia, amarra e não acaba;
Verbo inexistente em todas as línguas
E a dor da saudade
Sou filha do medo!
Ondas que ultrapassam
No orgasmo ao pranto
Feição que foi palco
E dramas e comédias
Tramas náufragas, profundas nos seios.
Nossas essências não cabem
Mais em meus pulmões
E no leito dos tão sozinhos
Sou filha do medo!
Lugar vago devorante vazio
Realidade insuportável do sangue vinho
Fogo nas alturas, queimando corpos;
Taça servida em seu anel transparente
Na minha boca querente e quente
Mundo conhecido. Desconhecido?
Esquecido nunca!
Personagens semimortas.
Sou semiviva.
Sou filha do medo!
No cárcere do sofrimento
Necessito do remediado esquecimento
De cerejas e amoras
Fome do rubi da aurora
Hoje chumbo outrora
Frutas petrificadas ao relento
Nego-me a descortinar as grades
Sou filha do medo!
Conflito. Ser aflito
Oceano de sonhos azulejos azulados
Raso espelho, turvos sentimentos.
Do dito e não dito
Olhares gritam... Gritam
Sou filha do medo!
Pensamento marulha e rodeia
Ilha do pranto dos baques tantos
Verdes olhos, olhos vermelhos;
Salgados, engaste dos teus.
Cabelos brancos, ondas, rugas,
Na face do que foi
Encanto... Canto...
Espanto...
Agora...Ah!Tardio rosto meu!
Grito!
Sou filha do medo!
Cintia Thomé
.
"No cárcere do sofrimento..." Que coisa mais doída, mais sentida... Doeu em mim... demais... Quem não passou por estes sentimentos? Mas eles também passam... Abçs...
Nydia Bonetti · Campinas, SP 6/9/2007 17:17É um poema doído mesmo, como bem disse a Nydia. Contudo, a beleza desses versos supera qualquer conotação a mais, que não o prazer de sua leitura. Grande abraço!
Lobodomar · Guarapari, ES 6/9/2007 20:22
Nossa Cintia!
Vc me fez olhar prá dentro de mim e questionar a existência. Alguns desses medos também me são familiares, devo-lhe a introspecção.
Bjs
Que belo show de poesia maravilhosa amiga Cíntia. Adorei, menina. Meus sinceros aplausos e beijos.
Carlos Magno.
Cintia, a foto é linda e o poema, demais.
Sérgio Franck · Belo Horizonte, MG 6/9/2007 22:13
muito bom, Cintia.
uma viagem pelos sentimentos mais profundos!!
Parabéns!!!!
abraços,
Adorei querida, como sempre. Seus versos nos levam a dividir uns com os outros esse sentimento do qual ninguém está imune e, assim compartilhado, ele soa menos pesado. Como estamos no meio do caminho, espero para todos nós, inclusive para vc, que o final do seu lindo poema não consista numa profecia.
Beijos
O antídoto para o medo é a fé.
Grande abraço, Cíntia!
Cintia,
que poesia bela e forte, verdadeira.
Achei estupenda, me fez arrepiar.
Mas que a dor e o medo cedam diante do amor, da amizade, da coragem, das cores do mundo.
Parabens, e um grande abraço.
Leticia.
Seus versos remetem a uma viagem corajosa pelos caminhos dos sentimentos.
Gostei!
Parabéns Cintia!
Abçs.
Cintia,
Corajosa filha do Medo!
Abraços, flores, estrelas...
Também já fui filha do medo!!! Lembras ???
Este poema foi meu durante uma semana!!! É um dos meus preferidos...
Beijos...
Cintia, muito lindo esse poema. Me tocou fundo. Vou ficar aguardando por ele na votação. Um abraço!
Rita Costa · Rio de Janeiro, RJ 7/9/2007 17:16
"O Medo é o assassino da Mente
O medo é a morte pequena que tras a obliteração
não enfrentarei meu medo
permitirei que ele passe sobre mim e através de mim
quando o medo se for
foltarei minha face e observarei sua trilha
por onde o medo passou
nada restou
apenas eu permaneço."
Oração / Filme DUNA.
"O Medo é o assassino da Mente
O medo é a morte pequena que trás a obliteração
não enfrentarei meu medo
permitirei que ele passe sobre mim e através de mim
e quando o medo se for
voltarei minha face e observarei sua trilha
por onde o medo passou
nada restou
apenas eu permaneço."
Oração / Filme DUNA.
Cintia,
Cheguei há pouco aqui, a convite do amigo e confrade Frazão.
Entretanto, atento, tenho notado em seus poemas uma forte dosagem de efeitos estéticos que identificam a sua arte como fontes prazerosas do belo. Estro maravilhoso.
Valeu!
Estou na "fila de edição" com um poema. Veja lá e comente:
http://www.overmundo.com.br/banco/clepsidra-1
Abraço.
Rica imaginação que aplaca o medo e liberta o verbo. Parabéns.
Hoje fiz uma inocente Madeleine.
bjs
Ter medo é tão natural quanto amar a vida.
Chegar ao pânico, deixar-se dominar por medos muitos ou pouvos, é perder a vida de amar.
Então poema, pessoa em essência, dizer-te em medo é dizer-te em vida e por amor.
Beijo um pouco amedrontado tamanha a presença do amor em ti.
Exorcisa!
mete a cara, vai em frente,
com o coração em pulos.
e mantenha sempre os oslho abertos: Vigiando.
Medos pra quem te quero, ui!
beijos, filha do medo e mãe de poemas!
Olá, vou inaugurar aqui a fase de votação. Mais uma vez, parabéns pelo lindo poema. Um abraço!
Lobodomar · Guarapari, ES 8/9/2007 14:55
Também deixou meu voto. Um abraço, querida!
Rita Costa · Rio de Janeiro, RJ 8/9/2007 14:59
Relendo, deliciosamente!!!
Abraços, flores, estrelas...
Minha filha de tantos medos... só hoje pude ler-te (cruzes!), mesmo que com mêdo que pudesses te aborrecer com meu "desprezo".
O poema é forte, sensual até quando fala de abandono, mas o Medo é que nos empurra adiante, como ovelhas desprotegidas. A ilustração é angustiante, detsto essa falta DE CRÉDITO AO AUTOR que a Internet inaugurou. Isso é um absurdo! Parabéns pela poesia.
Lindo! Votadíssimo!!! @>--
Adriana Costa · Brasília, DF 11/9/2007 01:02
Todos os seus textos são sempre muito visitados, Cintia. Também, quem manda escrever tão bem, com tanta alma e com tanta calma? Você escreve tão natural como quem anda livremente pela rua, como quem aspira prazerosamente a brisa perfumada dos jardins floridos.
Remisson Aniceto · São Paulo, SP 11/9/2007 13:53Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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