Nunca mais senti. O que tenho é dor.
Dor comum. Menos poética.
Que só dói e me carrega.
Dor que não pensa.
Que não é ausência
Porque dói e vai matando
Sem nunca me matar.
Peso de pessimismo.
Sem beleza que venha a ser letra.
A dor que me dói
É sem elegância, sem fumo
É corcunda e cheia de catarro.
Nada de uísque ou blues.
Ela dói. Ela não se enfeita.
(Nunca mais senti).
É uma dor burra, que me supera.
Sem violão, choro, nem samba-canção.
Sem tinta, lente, sem tela.
Não há nada entre meus dedos
Só a força que vai fugindo aliviada por estar largando-me
Como aliviado é a coisa que a mata.
Não lamenta, clama ou roga
Nem sequer atormenta.
Ela dói em mim
E só isso lhe basta.
Doída sem charme
Sem a consolação de um talento.
Uma dor que não quer ser elogiada
Com seu espelho em mim, que não vejo mais nada.
(Há tempos não sinto).
Mara, se me obrigasse a dizer algo - soberba - e basta.
Um abraço, andre
Maramarina, votei em seu poema. Belíssimo. Também estou com o poema AVANT PREMIER em votação no banco de cultura. Aguardo seu voto. O link é: http://www.overmundo.com.br/banco/avant-premier
Caio Mário · Castanhal, PA 1/7/2007 11:10Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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