O acaso do acaso e por acaso !

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Higor Assis · São Paulo, SP
12/7/2007 · 134 · 24
 


Bastaram apenas aqueles miseráveis trinta segundos, para que o empresário Fernando Gonzáles Neto, verificasse o quanto seu glorioso dinheiro não iria lhe comprar outra vida, outra história e/ou sua tão desejável necessidade. Membro majoritário da maior empresa do ramo agropecuário de seu país, ele indagou-se o quanto prejudicou vidas e exatamente no momento, onde o ressentimento lhe envolvia, sua vida agora não tinha mais volta.

Nascido em berço de ouro e perante a insensatez que lhe propuseram, não teve a mínima idéia de como tudo veio acabar de forma tão rápida e ao mesmo tempo tão sutil. Livre de pudores desde sua infância, Fernando não média esforços para conseguir o que realmente lhe consistia, principalmente na honradez, que cabia ao seu momento. Longe também de ser ingênuo, suas audaciosas decisões tomavam rumos bem diferentes, como se outrora tivesse sido alguém mais importante que a própria identidade, algo que ele por ventura nunca despertou em saber. Tantos foram os casos que muitas vezes o empresário cruzava com o destino e sempre cabendo numa vida bem despercebida, não avistava seu karma tão claro e pretendido por todos.

Os momentos do raro pudor que continha em seu calendário matinal, não-o regurgitava de seu esplendor por vidas desvirginadas, onde tal decisão obrigava-o a cumprir todo santo dia uma tarefa que calava em sua mente. Assim, sua já precoce vida teve este entorno. Priorizando fatos que não representava a longevidade, vangloriou também os devidos moldes já tradicionais de sua época a mais famigerada cortesia de família. No entanto, sua vida mudou a partir do exato momento em que conheceu Carla Consuelo, por sinal uma pessoa de olhar clínico com tremenda força, digna até de ser reconhecida como uma mulher intocável ao amor.

Consuelo era assim que pedia para ser chamada pelos mais íntimos, não sabia ser ingênua e nem insegura. Ela tinha punho forte, decisivo e sempre batia de frente com quem lhe mostrasse o contrário, mesmo sem provas e principalmente as que ela mesma já denominava como algo sem resposta. Não tinha religião, sua doutrina consistia em trabalhar e cuidar de dois buracos, que incrivelmente como num passe mágica apareceram em seu quarto. Há algum tempo nas horas vagas se dedica à leitura estás coisas de conselhos amorosos, livros espíritas e em raras exceções, dia e outro pegava um livro de literatura machadiano para inclinar-se no sofá. Uma lucidez aguçada á tomava todas as noites neste seu ritual diário.

Todo santo dia em que ela lia um capitulo exclamava com os dois buracos na parede. Mancha é o da esquerda, herdou este nome de uma antiga briga entre ele e Consuelo, num daqueles dias de sinal vermelho onde toda mulher que se preze tem um momento feroz. Furão é o outro, pequeno por natureza vive em seu minúsculo mundo, ali por caso do acaso. As viagens inusitadas de todas as noites percorriam os sonhos fracassados, palavras delirantes e suspiros por um amor incondicional. Vivendo por leituras estreitas de linhas persuasivas, foi exatamente no acaso do buraco, que encontrou por tato o tal fato.

O dia não lhe parecia tão familiar, sua busca contínua por vida após a vida á deixava mais longe de tudo, seus dois melhores amigos não mais conversavam contigo. Carla resolve então suprir todos os sentimentos e num estalo de respiro, num ar não mais comprimido se debruça ao acaso do barulho ao lado. O ruído vinha de extrema direita, bem próximo ao ‘mancha’, era um barulho bem íntimo (lembra quando a gente prende o dedo no pregador de roupa, aquele pregador bem novo de madeira nobre uma dor na unha e um grito de raiva), ela ouve o barulho, aquilo por estranho que pareça á deixou mais límpida e suave motivando então seu já incrédulo dia...

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Higor Assis / 2007
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Higor Assis
 

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Higor Assis · São Paulo, SP 10/7/2007 09:12
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Leandróide
 

O acaso do encontro de Fernando e Consuelo rendeu um bom conto. Gostei bastante, depois volto pra votar.
Parabéns!
Abr.,
Leandroide.

Leandróide · Florianópolis, SC 12/7/2007 09:40
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Benny Franklin
 

Votado, amigo Higor. Muito bom!

Benny Franklin · Belém, PA 12/7/2007 09:55
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FILIPE MAMEDE
 

Achei de uma 'pegada' meio O cheiro do Ralo, o que achas? Gostei do fragmento do conto, pois, tentei fazer o down... mas apareceu aqui: Arquivo não encontrado

Abraço.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 12/7/2007 11:10
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jjLeandro
 

Eu por aqui, votando, amigo Higor.
abcs

jjLeandro · Araguaína, TO 12/7/2007 13:38
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Marcos André Carvalho Lins
 

parabéns, higor!!! belo conto!!!
abraços,

Marcos André Carvalho Lins · Recife, PE 12/7/2007 15:53
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Spírito Santo
 

Supimpa, Higor!

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 12/7/2007 21:02
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carol de trancinhas
 

Higor ,acabei de ler e votar no seu conto.....espetacular.

carol de trancinhas · Brasília, DF 12/7/2007 22:23
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Higor Assis
 

Leandróide, Benny. Muito obrigado pela presença e pelo comentário caros amigos.

Filipe, muito obrigado pelo comentário. Verdade sem quere teve uma certa semelhança. Valeu!!!

Mestre JJ, valeu pela força.

Mestre Marcos, muito obrigado também pela força amigo.

Spirito, valeu pela força e se você gostou acho que estou começando a melhorar.

Carol, fico agradecido pela sua nobre presença. Um abração!

Higor Assis · São Paulo, SP 13/7/2007 07:52
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José
 

Higor!
Li duas vezes; a segunda com mais calma...
Fiz uma boa reflexão!!
Agradecido.

José · Criciúma, SC 13/7/2007 08:31
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Marluce Freire Nascasbez
 

Higor,

Excelente conto, parabéns!

Marluce

Marluce Freire Nascasbez · Carnaíba, PE 13/7/2007 10:12
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Higor Assis
 

Olá mestre José.

Obrigado pelo comentário, gostaria de saber sua opinião, um abraço amigo.

Higor Assis · São Paulo, SP 13/7/2007 10:57
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Higor Assis
 

Querida Marluce.

Valeu pela força moça, agradecido!

Higor Assis · São Paulo, SP 13/7/2007 10:59
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linney
 

Li,e gostei muito,Higor.
Parabéns!

linney · Canoas, RS 13/7/2007 13:28
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Higor Assis
 

Poxa, Linney brigadão mesmo de coração.

Higor Assis · São Paulo, SP 13/7/2007 14:34
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José
 

Olá, Higor!
Opinião minha? Humm!!
Parece-me que o acaso já está pré-estabelecido na linha sinuosa do destino e o livre arbítrio apenas um retardamento poético da chegada... (que viagem!! rsss)
Agradecido.

José · Criciúma, SC 13/7/2007 16:10
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Higor Assis
 

viagem mesmo rs..

Mas eu adorei sua resposta e entendi ela rs.. valeu amigão.

Higor Assis · São Paulo, SP 14/7/2007 19:46
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Priscila Silva
 

Realmente Higor...acertou na mosca! adorei seu texto. Muito bom, parabéns!

um abraço.

Priscila Silva · Cabo Frio, RJ 16/7/2007 16:24
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CCorrales
 

Higor querido
a foto dos pegadores por acaso veio antes do conto ou o conto veio e por acaso você achou os pegadores? Adorei.
Bjs

CCorrales · São Paulo, SP 16/7/2007 22:38
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Higor Assis
 

A foto veio quando tive a idéia da dor em um trecho do texto.

Higor Assis · São Paulo, SP 18/7/2007 14:22
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Danielle Ribeiro
 

olha só o que achei aqui por acaso por uma tag ao acaso ;-) .. nunca é tarde para votar né? .. beijos querido ..

Danielle Ribeiro · São Paulo, SP 9/11/2007 20:25
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Higor Assis
 

Oi Danielle.

Obrigado pelo comentário e que este acaso nos trragas mais frutos da escrita e da poesia..

Higor Assis · São Paulo, SP 10/11/2007 10:24
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Danielle Ribeiro
 

claro, e já vou lhe dizendo que o texto está maravilhosamente escrito. A sua narrativa, está madura, mas como bem disses ... temos todos ainda que nos amadurecer mais e mais. Me recordou um pouco Garcia Marquez, e sempre o melhor de narrar com arte é colocar o peso de sua alma nas entrelinhas .. e isso você fez muito bem.
Parabéns, querido, vejo que está no caminho certo ;-)

Danielle Ribeiro · São Paulo, SP 11/11/2007 17:11
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soninha porto
 

Que beleza! Prazer enorme conhecer você poeta, abraços dos pampas.

soninha porto · Porto Alegre, RS 8/2/2008 10:52
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