O ADEUS DO HOMEM MELECA!
Caminhando por um beco no centro da cidade, senti que algo se modificava em mim, meu corpo sempre rijo e atlético passava por um processo estranho de liquefação... Escorri através do ralo de esgoto na via pública!
Por instinto, agarrei-me nas bordas. Meus dedos – únicos membros sólidos que me restavam – já não suportavam mais o peso de meu corpo gosmento, mas resistiam teimosamente.
O garoto que empinava solitário sua pipa resolveu parar para fazer xixi. Aquele líquido jorrando e escorrendo em minha direção me horrorizou, porém ao ocorrer o contato meu corpo gotejante sentiu-se estranhamente confortável. Mesmo assim gritei em socorro!
O garoto não me ouvindo partiu, deixando-me apenas um céu cujo infinito azul se via riscado por magníficas acrobacias de sua bela pipa colorida.
Enquanto eu, perdido em saudades pueris, assistia àquele belo espetáculo, passei a ouvir (gotejando cada vez mais e quase sem forças nos dedos) a um grupo de pichadores que se reunia junto ao muro à minha frente, com suas latas de tinta.
A aglomeração se dava de forma tão organizada que prendeu minha atenção. Eram cinco jovens, (destes que se parecem com personagens de HQ produzidos em preto e branco): Dois rapazes que se posicionaram cada qual numa extremidade do muro (presumi que fossem as sentinelas) e três garotas, estas também demonstrando ter funções predefinidas: duas faziam a pintura de fundo do muro para cobrir pichações anteriores, enquanto a terceira habilmente traçava retas e curvas que aos poucos me revelariam algo impressionante...
Eu já ia vislumbrar a pichação, porém o grupo imediatamente voltou a se concentrar no que me pareceu ser um rito de saudação que eclodiu num “grito de guerra” incompreensível; Em seguida todos voltaram seus olhares para o esgoto...
No momento em que eu esboçava novamente um grito de socorro eles rapidamente se dispersaram e sumiram de meu campo de visão, e assim se me foi revelado o resultado da pichação...
Enquanto meus dedos, já totalmente desprovidos de força, se soltavam das bordas do ralo, pude numa última olhadela, vislumbrar uma cena desenhada que representava minha própria caricatura encimando uma frase rabiscada que dizia:
“VÁ PARA O INFERNO!”
Puta que pariu!!!!
De que gênio você copiou isso?
É Mestre, como diria o Velho Guerreiro:
"Na vida nada se cria, tudo se copia"
Acho que saiu do gravador acoplado ao meu subconsciente...
Valeu a visita.
Grande abraço!
Genial Robert..Genial!
Escritor, criação interessante.
bjus e votado
É, são destas coisas mais que hipotéticas, que a cada época brotam um gênero um estilo, muito legal, andre.
Ralo de esgoto, via pública, São Paulo...é o próprio inferno não muito distante.
Ahahaha!!!!
Muito bem bolado!!!!
Parabéns.
Gostei muito Robert. Adorei também o final, apesar de ter imaginado outro.
(...) Imaginei que sairam correndo com a batida da polícia e não menos eles também derramarm este liquído em você e, transformando-o num residuo distindo e inexplicável.
Rsrsrsrsrs!!!!! Valeu Robert!
Adorei e o roteiro ainda daria um ótimo desenho animado, não é?
Quem se habilita?
Bjs
Robert.
Teu talento mais uma vez se expressa no teu belo texto.
Abraços
Noélio
Robert,
Desde onde estava, Homem Meleca não podia ter visão melhor,:em contra plonget e de si mesmo, no rumo do inferno, mandado lá pela vida que arrisca e se explica ainda jovem.
Desde as teclas, o escritor invade mundos outros, cria e repõe ao mundo as figuras, às vezes muito tristes, que fazemos parte da humanidade ainda buscada.
Robert,
Relato perfeito, deu uma aula que nos prendeu a atencao do comeco ao fim, tao bom que torci para um final melhor! Para ele e logico !Parabens. victorvapf
Adorei esse teu estilo kafkiniano, Robert, parabéns.
Estava com saudades, abrçs
Adorei esse teu estilo kafkiniano, Robert, parabéns.
Estava com saudades, abrçs
Olá Overmanos!
Primeiro me desculpo com todos por estar respondendo aos comentários tanto tempo depois. Problemas com meu acesso à Internet, e um pouco de trabalho além do corriqueiro me impediram de fazê-lo com mais rapidez. Porém agora volto ao overmundo para compensar a ausência.
# Cíntia! Muito grato pela visita e os comentários sempre tão incentivadores.
Abçs.
# Valeu André! Realmente um pouco de fantasia também nos é necessário, não é mesmo?!
Grande abraço.
# Olá Rangel! É como dizem meu irmão: “O céu e o inferno estão aqui na terra” e vez por outra experimentamos seus sabores e dissabores.
Forte Abraço.
# Grande Higor! Realmente um final interessante este pensado por você... Por aí podemos concluir que o Homem Meleca também pode ter opções..rs,rs,rs
# Olá Lígia! Na verdade o Homem Meleca é, essencialmente, um personagem de HQ, em determinado momento ele poderá migrar sim, para os quadrinhos. Parabéns pela sensibilidade.
Abçs.
# Valeu Noelio! Brigadão pelas palavras.
Grande abraço!
# Sábio Adroaldo! Esta sociedade por se conquistar infelizmente se nos apresenta a cada momento mais quimérica, porém, nossa “profissão” é de “buscadores”, como ressaltas.
Gratíssimo pela visita e um forte abraço!
# Victor! Deixam-me, suas palavras, bastante lisonjeado, e é sempre assim, estamos constantemente torcendo por um final melhor, não fosse desta maneira nossas perspectivas seriam, no mínimo, desestimulantes; Concorda?
Abração!
# Olá Marcos! Como me identifico muito com seus textos, as saudades são com certeza recíprocas! Obrigado pela visita. E com relação Kafka, um gênio, precursor, sem igual!
Abçs.
A gente torce
Continua torcendo o pano.
e continua saindo melekkkkkkkkkkkkkkkkkkkkka
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