Às vezes me perguntam por que escrevo minhas fotonovelas e livrinhos de bangue-bangue sob tantos pseudônimos diferentes... São homenagens. O Alarga, por exemplo, só assina as histórias mais sentimentais.
Ademais, não é possível assinar Vantecy Gomes nem mesmo numa bula de medicamento - se elas levassem a assintura do autor. E ói que há bulas interessantes, até melhores do que livros que estão sendo publicados.
Esta é a história do Alarga. O próprio Jarbas Jarras tem a sua só dele. Mas isto já seria outra história... Deixa.
Então, bem, vamos.
Morávamos numa Copacabana quase bucólica. Os anos da década de 1960 corriam, ridentes, felizes. A família era grande, muitos primos e primas; avós morando bem próximos da gente, nos enchendo de coisas gostosas e de amor.
Todos se visitavam mutuamente. Minha mãe, avó e tias iam à missa na capela do Sacre Coeur, na Rua Tonelero, onde estudavam nossas irmãs e primas, bem em frente à nossa casa.
Mamãe, muito religiosa, era ciosamente a responsável pela moral e os bons costumes das empregadas domésticas de nossa família. Isto em pleno alvorecer da liberdade sexual...
Em nossa casa tínhamos uma moça, bem bonitinha. Começou a namorar um rapaz que trabalhava na vizinhança. Mamãe logo tratou de puxar-lhe a folha corrida. E o que veio não foi bom.
Que era um pândego, que já havia desencaminhado moças, que freqüentava os botecos da Miguel Lemos... Tratou de mover uma guerra de vida ou morte contra o rapaz. Este rapaz, tão apaixonado, ao que parece, já estava quase comendo a nossa empregada...
Mamãe não era de perder guerras. E assim foi. Tanto fez que conseguiu voltar com o juízo à cabeça da mocinha. E o casal separou-se a tempo de manter puríssimo o bom nome da família nacional.
Três horas da madrugada na Rua Tonelero. O telefone toca e a sua campainha mecânica é tão forte que chega a estremecer os vidros da cristaleira da sala.
Era o único modelo de aparelho telefônico existente na época, distribuído pela CTB (Companhia Telefônica Brasileira) aos seus assinantes. Este bisavô de todos os aparelhos telefônicos, não possuía nenhum mecanismo que lhe desligasse ou diminuísse o volume da campainha.
Preto e pesadíssimo, numa necessidade, a retirada do fone do gancho para evitar-se incômodos era o mesmo que uma sentença de morte assinada contra a linha: ficava sem sinal de discagem e isto podia durar dias... Melhor não.
- "Quem fala?! (papai ou mamãe, em transe de sono)
- "Aqui é o Alarga!"
- "Alarga? Mas que Alarga?!!"
- "O Alarga Cu, é claro! Não lembra de mim?!"
Isto durou todo um verão. Foi o Verão do Alarga. O nosso aparelho telefônico ia dormir embrulhado em vários cobertores grossos, o que não adiantava nada.
O Alarga trabalhava numa padaria do bairro e levantava-se bem cedo, para fazer o pão.
- "Mamãe, será que o Alarga Cu vai ligar esta noite?"
- "Chiuuu! Não fale isto, meu anjo, é muito feio!"
Isto era o meu irmão menorzinho, de uns quatro anos de idade. Ou uma priminha, que estivesse dormindo lá em casa...
Adorávamos o Alarga, porque não gostávamos de dormir. Sempre arranjávamos um jeito de começar uma brincadeira. E acordar de madrugada era uma coisa inusitada, fantástica...
- "Dorme, meu amor..."
- "Mamãe, eu gosto do Alarga. Isto é pecado?"
- "Dorme, filhinho, chiuuuu!"
E assim, o Alarga passou a fazer parte da vida de todos nós e das nossas lembranças... Acho que, no fundo, foi um grande sujeito.
Ai, é apenas um conto-curto, uma história que a gente inventa, ou se lembra, nem sei... Nada que tenha valor, ou brilho, ou gala - ou mesmo cerimônia, viu?!
Oi, companheiro!
Seu conto é de prima!
Grande volta!
Abçs.
Obrigado, Poeta!
Jarbas Jarras · Rio de Janeiro, RJ 16/12/2008 23:04
Grande amigo e intelectual,
que sua escrita rasgue a mesmice, daqui!
Fique e continue... Precisamos tê-lo por perto.
Abçs.
Do amigo, Benny.
Benny, meu querido amigo, até já tivemos a honra de fazer a apresentação, a quatro mãos, dois textos, um teu outro meu, de um belo livro de poesias. Portanto, quase podemos dizer que houve já uma "parceria" entre nós. E nossos nomes agora estão juntos no belíssimo "Olhos de Folha Minha". Que coisa legal, não?!
Espero poder encontrar livros teus editados, nas melhores livrarias de todo o nosso país. Porque, sem sombra de dúvida, você é o maior poeta brasileiro vivo. Não estou brincando. E nem rasgando seda. Você sabe. E os editores? Eles já se tocaram?
Um abraço de irmão!
amei muito lindo e bem escrito
Ecila Yleus · Recife, PE 17/12/2008 10:03Obrigado, Ecilia!
Jarbas Jarras · Rio de Janeiro, RJ 17/12/2008 12:33
APLAUSOS
UM CONTO BEM CARIOCA, COM CHEIRO DO ONTEM, NOS REMETE AO PASSADO DAS COISAS QUE AINDA RESPEITÁVAMOS...EXCELENTE MESMO!
UM RIO DE JANEIRO AINDA COM AREIA E PASSARINHOS, MATE E LIMÃO... E MUITA BOSSA...
APLAUSOS
Obrigado, Cíntia! Folgo em vê-la aqui. Nooossa, como está mudado o Overmundo! Quanta gente boa sumiu! Um beijão, Cíntia!
Jarbas Jarras · Rio de Janeiro, RJ 17/12/2008 21:30
E, desculpem lá a dupla postagem:
Então, nisso, eu até fiquei com dó de consciência, mas não gosto de esquematizar nada. Mas, bem, é mister e agora pago, porque não fui rapaz prevenido:
Neste humilíssimo espaço, sem o menor exagero, postaram:
O maior poeta vivo atualmente no Brasil, um gigante mes-mo!!
A maior poetisa viva atualmente no Brasil. Eu provo, eu desmonto em pecinhas de Lego, quem quiser contradizer-me!
Enquanto isso, no geral, o Overmundo caiuuu!!! Errinhos basiquinhos de ortografia! O que está acontecendo aqui?!
JARBAS,
Não sei se caiuuu!!!
Mas balançouuu!!!
Concordo com você;
BENNY, é o maior poeta Brasileiro vivo!
Sou maior fã, deste monstro sagrado
da literatura.
(pode conferir!)
Sem fazer média,no osso mesmo;
CÍNTIA é a maior diva!!!
Faz falta pra car...
Sou louca, por seus poemas!
Se você é um deles,não preciso
saber mais nada!
Vim pelo"gato"
Tenho 3 persas,
aprendi a ter "faro"
OK,vou falar do teu conto;
UAU!!! MAMÃE,EU GOSTO
DO ALARGA,
ISTO É PECADO?
Alarga a boca (superior)
de tanto rirrr
Parabéns,matou a páu!
Precisamos da tua "unção"
para sobre_viver.
ABRAÇOS,PRAZER!
VOTOS!
Qrdo"gato"
Sucesso,luz e paz!
(e paciência)
Miau, Jacinta! Um beijo e muitíssimo obrigado!
Jarbas Jarras · Rio de Janeiro, RJ 18/12/2008 08:13Belza de conto meu caro Jarbas! De prima garoto! Deixo o meu voto e meus votos de BOAS FESTAS!
raphaelreys · Montes Claros, MG 18/12/2008 18:48
Muito obrigado, Raphael! Feliz Natal para você e sua família!
Abração!
um grande texto no sentido exato da palavra.votado.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 19/12/2008 11:12
Muito obrigado, W. Marques.
Intentei, com este microconto, mostrar a uma jovem amiga que um tema qualquer que aparenta ser somente tosco pode, sim, ser burilado até o ponto de virar arte.
Expliquei a ela, que é rica e anda fazendo pequenas esculturas em ouro maciço, que o valor da arte é extrínsico: não pode ser fundido e vendido para chegar-se a um valor.
Aconselhei-a a tentar a escultura com esterco de vaca, seco, para ir treinando transformar coisas feias em belas.
Digo, "extrínseco" e aqui me despeço dos poucos remanescentes de um Overmundo florescente, que cheguei a ver um dia.
Mesmo nesta época, já lá estava o "ovo da serpente": aposentado intrujão, incontrolável, incontornável, insuportável, peruando tudo, inclusive tentando ensinar errado.
Sectários de partidos políticos.
Poetas de "batatinha quando nasce..."
Loucos postadores compulsivos, com mais de uma postagem diária, uma produção intensíssima e imprestável.
Pidões de votos.
Tudo isto fermentando, como uma infecção em flor, no seio de poetas magistrais, cronistas soberbos, jornalistas talentosíssimos e invoadores.
Mas... eles venceram. São agora maioria.
E este que aqui escreve, tendo feito a singela demonstração que desejava, despede-se do Overmundo, mais uma vez, não prometendo nunca mais voltar: quem é que não gosta visitar lugares exóticos, de vez em quando?...
Taí, Jarbas. Gostei pra caramba.
Sérgio Franck · Belo Horizonte, MG 19/12/2008 21:15
Obrigado, Sérgio. Não estranhe o fato de haver te chamado de "excelente". Se és o mesmo Sergio Franck de meus tempos de Baduh, e sei que és, é muitíssimo bom o teu trabalho.
Abração!
Jarbas Jarras · Rio de Janeiro (RJ)
O Alarga - Uma história de vingança com passagens dramáticas
Um Conto bem escrito num estilo e num tema muito admirado.
Parabéns pelo trabalho que já encantou todos os meus amigos do Overmundo.
Seja bem vindo, já com um Feliz Natal e votos de que a gente construa uma Amizade fraterna, e possamos ajudar o mundo a ser melhor.
Estou aqui por indicação do Poeta Benny Franklin que lhe elogiou muitro.
Abração Amigo
Muitíssimo obrigado, Azuir! Este é justamente um conto de Natal.
Um conto de Natal enviesado.
Porque traz alguma inocência e beleza, que foram extraídas do ódio e da vingança, transformadas que foram, pela graça.
Até já falei com o Benny: não devo ficar.
Sou maldito demais para o gosto de certas damas do lar que aqui escrevem. E crítico demais com determinadas canalhices que já vi aqui. Então, vou e escrevo sobre. Não gostam. Mas eu não me calo.
Sou um panfletário e um polemista. Morrerei como tal.
Um grande abraço, meu novo amigo, e um Feliz Natal!
Jarbas,
Foi uma grata surpresa ler seu conto no overmundo. É de excelente qualidade literária e muito gostoso de ler. Evoca cenas cenas cariocas com um sabor de bons tempos e tem um humor fino, apesar do Alarga (com o perdão do trocadilho). E tem este telefone preto, que tá na memória de muita gente e na minha também.
Gyothobat.
Muito obrigado por suas palavras! O Alarga foi justamente o impecilho, a dificuldade, com que se construiu, do esterco, uma flor...
Abração e feliz Natal!
Bastante original e, como bem disse o Benny, rasgou a emesmice. Assim se fazem os escritores de verdade.
Marcos Pontes · Eunápolis, BA 21/12/2008 12:35Obrigado, Marcos Pontes.
Jarbas Jarras · Rio de Janeiro, RJ 21/12/2008 22:03
Alarga já se tornou um dos ''meus'' personagens favoritos! Esse conto é ótimo!
Legionária · Belo Horizonte, MG 22/12/2008 22:39Para comentar é preciso estar logado no site. Faa primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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