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O AMOR GEOMÉTRICO - Crônica

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jjLeandro · Araguaína, TO
23/2/2007 · 122 · 7
 



O AMOR GEOMÉTRICO


Está claro ao mundo que o amor é um tantinho razão e muita emoção. E a maior prova disto é o dito: “o coração tem razões que a própria razão desconhece”. Sempre desprezei frases feitas pelo muito que tem de repetição e o pouco de reflexão. Nada original no que disse até o momento, mas o que eu disse se encaixa bem numa parte da matemática: a porcentagem.
O amor também é assim: matemático, ou melhor, geométrico! Fiz a descoberta ao ouvir por muito tempo o relato de um amigo sobre os seus casos amorosos. E as variantes que iam surgindo ele as enumerava com figuras geométricas. Um dia enrolou-se num problema sem solução. Ou numa figura que, por ser diferente, constituiu-se uma armadilha.
No início era tudo lindo. Casado há pouco era amor em linha reta, dois corações como dois pontos que se unem. E entre dois pontos a representação do menor caminho é a reta. E quando surge um terceiro ponto? O amor passa a ser visto de um outro ângulo ou ter um ângulo adicional. Aconteceu com ele, que ninguém é perfeito. Desenhava-se o triângulo amoroso após dois anos de um matrimônio perfeito. Como no triângulo o perímetro é determinado pela soma da medida dos seus lados, entre Marcos, Juliana, a esposa, e Carmén, a amante, a intensidade do romance determinava-se pela soma da medida de suas paixões. Houve no início, claro, como em todos os casos, gradações: Marcos tinha ainda um grande amor pela esposa. A adição de Carmén subtraiu um pouco desse amor. Numa comparação geométrica formavam um triângulo amoroso isósceles: o amor de Marcos e Juliana era igual, restava a Carmén a menor parcela. Mas ela com a ambição de toda amante soube alterar essa proporção, adicionando mais para si. Popularmente dizendo puxou pouco a pouco brasa para a sua sardinha. Foi quando o triângulo ganhou feições escalenas: as atenções para Juliana já não eram tantas, a maior parte cabia a Carmén; a relação com a esposa esfriara. Mas ela o pressionava, sentindo como toda mulher o abandono. Marcos recuou para não sair no prejuízo e sofrer um escândalo: e não houve como não ser paritário: o caso tornou-se eqüilátero. O tempo ajudou nesta conformação.
Juliana sentiu as mudanças no comportamento de Marcos e não mais se queixou. Bastava-se com as atenções recebidas, que não eram ideais, mas já era madura o suficiente para saber que o ideal é uma projeção ou especulação; de mais a mais culpava o tempo de casamento pela brandura dos afagos. Achara um bode expiatório de conformidade com a situação.
Com tudo sob controle, Marcos tentou mudar a feição geométrica do amor. Cansara do triângulo amoroso. Considerava-se afortunado e moderno, mas na hora do amor preferiu o quadrado. Adicionou Maria, a sua nova secretária, no paralelogramo. Tinha já tarimba para ampliar sua área de abrangência, reduzindo o perímetro dos riscos. Coisas de quadrado. Ora se apegava mais a uma, ora a outra, quando então o quadrado se tornava um retângulo pela proximidade de um de seus ângulos e o afastamento dos outros dois. Mas trazia tudo matematicamente medido.

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informações

Autoria
jjLeandro
Ficha técnica


Jornalista e escritor, 46, residente em Araguaína -To. Autor do livro de poesias Quase Ave, com o qual ganhou o concurso literário nacional para autores inéditos Cora Coralina em 2002, em Goiânia


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Marcos André Carvalho Lins
 

excelente crônica, leandro.
não li o final ( o meu micro travou no download )
mas gostei do que li.
abraço,

Marcos André Carvalho Lins · Recife, PE 21/2/2007 13:24
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jjLeandro
 

Se houvesse a opção de te mandar por email, mandaria p que lesses o restante.

abcs

jjLeandro · Araguaína, TO 21/2/2007 17:40
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Carlos ETC
 

Espetacular, Leandro!!!
Muito bem bolada e ponto final!

Carlos ETC · Salvador, BA 23/2/2007 11:52
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
jjLeandro
 

Obrigado, Carlão.

Botei as fotos e a matéria sobre Araguaína no Guia aqui no Overmundo. Tá na sala de edição.
O Brasil tem uma variação de belezas e vegetações que sensibilizam todos. Se alguém cansou-se de ver o deslumbrante litoral que venha extasiar-se com a nossa "jungle".
Estamos aqui numa região que se desenvolve e cria a sua própria identidade com a colaboração de brasileiros de todos os rincões.
abcs

jjLeandro · Araguaína, TO 23/2/2007 22:26
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analuizadapenha
 

oi... Snr. Criativo, será que ainda cabe uma intercessão, ou é demais. Abraços.

analuizadapenha · Natal, RN 24/2/2007 11:58
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jjLeandro
 

Sempre cabe, Ana. À vontade. Os amigos são sempre benvindos.
Abcs

jjLeandro · Araguaína, TO 24/2/2007 14:54
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brigitte
 

Intertexto perfeito com a "Poesia Matemática" de Millor Fernandes. Belo texto.

brigitte · Goiânia, GO 2/3/2007 22:16
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