O Apelido
Quando fiz dezesseis anos, achei que já estava na hora de arrumar um namorado. Todas as minhas amigas já estavam namorando e eu não queria segurar vela. Embora papai achasse que eu era nova ainda, eu achava que estava na idade certa e da razão. Um belo dia, numa festinha na casa de amigas, fiquei conhecendo o José. José mesmo!
Era bonitinho, sabia dançar, sabia conversar e tal como eu era estudante. Achei que daria um bom namorado.
Uma semana depois estava eu toda feliz com um namorado, indo a festinhas aqui, cinemas
ali, passeios pra cá, colégio pra lá e tudo corria às mil maravilhas, pois até meu pai depois de conhecer o menino se encantou pelo mocinho. Mas nosso namoro continuou legal até eu descobrir seu apelido: –Juquinha! De cara eu detestei. Porque Juquinha? Fosse Zé ou Zequinha, vá lá, mas Juquinha... jamais! Me parecia tão caipira...
Comecei a implicar com o garoto na esperança de que ele se interessasse por outra garota e esquecesse que eu existia. Vã esperança. Não havia jeito. Por mais que eu deliberadamente faltasse aos encontros, por mais que eu implicasse com suas roupas e seu cabelo, ele não arredava o pé. E eu, via o tempo passando e o Juquinha cada vez mais grudado em mim. Namorado é isso!
Pensei comigo que em breve ele ia servir o exército e então eu poderia terminar o namoro pois geralmente naquela época os meninos da classe média, iam servir no Rio de Janeiro. Mas quê! Ledo engano, para azar meu ele foi dispensado. E eu cada vez mais chateada e ele cada vez mais enamorado. Nesta época eu já estava de olho num certo Antonio que morava no outro bairro. Enfim, que seria de nossa juventude se tivéssemos só um namorado? Seria como provar só um doce até ficar enjoativo.
Para aumentar mais ainda a minha insatisfação, minha mãe dizia que o Juquinha era baixinho. Já pensaram? Juquinha e baixinho! A esperança de que ele se esticasse no quartel já não existia e eu, pobre de mim, já sou baixinha. Ficava imaginando que se acaso casasse com ele, nossos filhos seriam anões. Nada contra, mas dois baixinhos não dá pé. Naquela semana terminei o namoro. Pobre Juquinha, julguei ver lágrimas em seus olhos, mas que fazer, era eu ou ele.
Um mês depois, estava de namorado novo, nada mais e nada menos, que o certo Antonio do bairro vizinho. Alto, magro e brincalhão. Mas nosso namoro só durou até eu descobrir seu apelido. Querem saber? Eu não conto, é outra história...
Doroni
Lembranças da adolescência
Doroni, querida!
Muito bom o seu texto! Leve, envolvente e divertido...
Você sabe como usar as palavras na dosagem certa, resultando em histórias gostosíssimas de se ler.
Namorado é isso...
Adolescência é isso também.
Fiquei curiosa pelo tal Antonio!
Parabéns! Gostei muuuito!
Beijos,
Aube.
Obrigada Aube,
qualquer hora conto a história do Antonio sim!
bjs
Legal, bem humorado, muito bem escrito. Apelidos em mim nunca pegaram, porque o cara podia ficar o resto da vida me chamando pelo dito e eu não responderia. Não que não tentassem.
bjs
volto!
É isso Lauro,
Eu, até hoje não gosto e apelidos
afinal, a gente tem um nome né?
e muitos apelidos são pejorativos
bjs
Uma beleza de texto, muito bem-humorado. Parabens, minha querida Doroni.Bjos
graça grauna · Recife, PE 7/4/2009 13:55
oi doroni...como é isso?
o apelido pode mesmo ser um problema? rs
gostei da história e mais ainda de estar voltado ao over e reencontrando os amigos.
beijos
Oi Doroni,
Que texto gostoso de ler e que história encantadora.
Eu tb vivi algo parecido. Aqui na Bahia, no fim da década de 80, eu com 16 anos também conheci um rapaz que era do RS, e no nosso 2º encontro ele apareceu vestido tipicamente de gaúcho no local marcado para o encontro. De longe, quando avistei, fiquei morrendo de vergonha e não tive coragem de ir lá. Minhas amigas ficaram morrendo de rir de mim, dizendo que ele tava todo enfeitado e que parecia uma saia a calça que ele usava, sem falar do lenço vermelho mo pescoço.
Depois daquele dia nos econtramos e o namoro durou uns 3 anos.
Mas a situação foi engraçada. É que não conheciamos aquelas vestes e não estávamos familiarizadas com a cultura gaúcha. Hoje é tudo muito natural por aqui.
Volto pra votar.
bjs carinhosos
A Cau tem razão, é uma história encantadra... Votado com um beijo.
Brida · Salvador, BA 7/4/2009 17:49
Doroni,
Belas lembranças da adolescência. Coitado do Juquinha, com um apelido desses e baixinho, rs. Fico aqui imaginando o apelido do Antonio, rs...
Parabéns !
Bjs
Devia contar sim (risos).
Posso ler outra vez, para ver se adivinho?
Gostei muito, Doroni, muito mesmo!
Parabéns!
ahhhhh não é justooooooooo! sou criosa por natureza, rs
parece que o melhor esta por vir. Qual sera o apelido que a fez desistir de descobrir certas emoçoes e bem na flor da idade ??!!
não é justoooooo! quero mais.
bjssss;)
Ora, conte =/
fiquei curiosa! ahauhua
abraço!
Doroni, e voce tem notícias do tal do Juquinha triste? Sá menina, dezesseis anos é mesmo uma época de desilusões, mas é bom demais! Gostei muito! Um abração!
Zé de Zia · Queimadas, PB 8/4/2009 15:00
Vou estar esperando a proxima "estória" p/ saber o nome dele... tá!?
tão tá !!! hehehehe bjus lminha linda!
Acertou Victor,
O nome era Antonio, mas o apelido, Vige!!!
bjs
Um trabalho muito bom em que vemos a ânsia de viver de cada adolescente.
A implicância desta vez foi com o apelido, mas acho que cedo ou tarde um entrave acabaria surgindo. É a tal coisa da novidade, de sempre buscar outros caminhos para se desvendar.
Muito bom o texto. É um encanto.
Parabéns.
Que texto leve, querida! Gostei!
Agora penso como o Samuel: apelidos são tão decisivos?
Depois volto!
Bj
Clara,
Apelidos não são decisivos, mas quando a gente é adolescente
tudo pesa, afinal estamos em formação e nem sabemos ao certo o que queremos. Além disso, nunca gostei de apelidos, muitos deles são pejorativos e discriminatórios.
Espere até ver o outro conto
vai rir....
bjs
Amigos,
Agradeço a todos pelos comentários gratificantes
Valeu.
bjssssssssssssssss
Doroni e suas reminiscências que dão vida. Bj
Juscelino Mendes · Campinas, SP 9/4/2009 11:26
super divertido. na adolescência, quando vivenciámos tais histórias,
achámo-nas um drama sem fim. no entanto, ao medrarmos e ao recebermos a luz da maturidade, quase sempre morremos de ri.
contudo, o problema são as vítimas que podem ficar reféns de traumas.
Doroni,
Na certa o outro era o Tonico...
Votado!
Bjs
Totó ? rs
um carinho meu, votos e
bjssss;)
Não me diga que era Tonico.
Legal.
abraço
andre
quiaquiaquiaquiaquiaquaiquiaquiaquiaquiaquiaquiaquia(estou gargalhando)
Doroni vc deixou o Juquinha em frangalhos... quiaquiaquiaquiaquiaquiaquia...
"Enfim, que seria de nossa juventude se tivéssemos só um namorado? Seria como provar só um doce até ficar enjoativo. "
É mesmo neh? Isso me lembrou qdo eu era adolecente duas meninas se declaram para mim e eu comecei a namorar as duas ao mesmo tempo, qdo elas descobriram eu fiquei sozinho: perdi as duas!
bjs
E aí, Doroni? Já resolveu dizer qual era o apelido do outro?
Está todo mundo curioso.
Depois do que aconteceu com o pobre do Juquinha, bem que deveria dizer para a gente.
Ah, curiosidade que faz a gente sofrer!...
Votando na esperança de saber o apelido (risos).
Bjs.
Marcelo,
vc entrou pelos canos direitinho,
só imagino a briga...
ainda bem que na adolescencia a gente esquece rápido.
Gente o apelido não era Tonico, nem Tonhão
e nem Totó, era ....
Roberto,
Se contar o apelido agora, a história perde a graça,
tenha paciencia que eu to procurando
onde botei o rascunho.
bjs
é mesmo muito bonito, bonito é, mesmo.votado.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 9/4/2009 16:28Arrebatadora história, no sentido literal da palavra. Fui lá na minha adolescência e voltei feliz pra votar.
Beto Mathos · Vitória, ES 9/4/2009 17:41
Pois é uma idade que tínhamos muitos pretendentes, rs ...a escolher, não é?
Implicávamos com nomes, maneiras de vestir, até com a maneira que escreviam...
O meu foi pior, depois de um ano, achando que era um cara educado e sem 'aqueles pequenos avanços', ou seja, respeitador...aí descobri o nome de 'guerra:''Naldinho'...não tinha nome no feminino, mas...mas...um estória, nossa!Boa Páscoa
bjus
conte,conte mais....rs
Nossa como eu teria historias pra contar de minha adolescência
mas infelizmente sou muito preguiçosa de escrever
Amei,adorei!
O APELIDO
Doroni Hilgenberg · Manaus (AM)
Um tema que agrada geral, pois lembra a Juventude.
Lembranças da adolescência .
parabéns.
Abração Amigo e boa memória.
Texto muito gostoso de ler.
Ainda mais pra mim, que ainda nem fiz dezesseis.
Tive um colega de trabalho, Antonio, todo despachado e gozador.
Seu apelido era Tonhoca. E ele achava um barato.
Será que não foi ele sua segunda "vítima" (rs)?
Beijos e votos...!
Texto encantador,
Leve e bem humorado.
Parabéns!
Um beijo.
Que a Luz esteja com você.
Doroni, delicioso de ler. Ah, apelidos...Sou boa nisso! Sempre coloco apelidos nas pessoas e normalmente pegam. Obviamente, uso o bom senso para não denegrir ninmguém, senão a brincadeira acaba.Vejo apelidos como brincadeira, porém há sempre alguém q não gosta. Na adolescência é mortal pq os jovenzinhos são cruéis. MAs, voltando a seu texto, vi ali uma menina que implicava c o menino. Típico de garotas. Muita boa lembrança de vida. Mto bom! Bjs.
Daniele Boechat · Rio de Janeiro, RJ 9/4/2009 23:13
Excelente texto, minha cara! Levemente bem-humorado e com uma fluência mui agradável! Parabéns! Um abraço.
Jéfte Sinistro · Cabo de Santo Agostinho, PE 9/4/2009 23:39Doroni, achei engraçadíssimo o teu texto. Fiquei imaginado-o rsrsrsrsrs. Agora conta tudo, oxiiiiiiiiiiii...Abreijos!!!
Dayvson Fabiano "Imorrível" · Recife, PE 10/4/2009 00:31
Tá vendo, doroni, desprezou o Juquinha! Só de implicância! E acabou ficando com o sensaborão Tunico. Ou era Totonho? Pior se tivesse ficado com "eu", de apelido "Binga" ou "Brigadeiro" que sou mais turrão que moirão de porteira... rs... Mas... mas... apelidos não revelam a alma da gente. Quanto baixinho, quanto careca, quanto gordão, quanto narigudo é gente fina...
Onivaldo Paiva · Uberlândia, MG 10/4/2009 01:33tedou por minha conta o prêmio Nobel
Ney Souza Lima · São Jorge do Patrocínio, PR 10/4/2009 01:44
Muito interessante e empolgante, a gente lê e fica querendo saber mais. E o que tem por vir, será ainda mais interessante do que já é e mais lúdico.
Beijos!!!!
Doroni, que coisa com os apelidos!
Coitados dos garotos. Bom, em se tratando de Antonio... Pode ser Toninho, acertei?
Mas essas coisas de adolescentes,são demais vai entender tais cabecinhas...
beijos querida!
Branca,
Se fosse toninho até que ele se saia bem...
bjs
Doroni.
É um encanto só! Narrativa rica e agadável.
Abraços
Booommm Diaaa Doroni!
"Felizes sejam todos os nossos dias pelas vidas afora"!
Adorei este seu conto sobre os Apelidos!
Na verdade adoro os contos, pois que as reminiscências,
nos transportam pelos tempos, passados ou futuros, sempre
de mãos dadas com os sorridentes sonhos...
Eumesminho, nunca tive em meus 10197 aninhos, nenhum
problema com as namoradinhas... Bem a bem da verdade,
devo acrescentar que nunca tive namoradas... Pelo menos
no período que chamam formalmente de adolescencia...
Na fase adultera... Bem essa é outra estória...
Apelido - isso eu tive sim - mas... não posso revela-lo aqui,
visto que estou buscando consolidar essa nossa amizade
e se assim o fizesse...
Já sabem o que aconteceria!!!
Parabéns muitosssssssssssss e
Karinhos Kentinhos
ZecaFeliz
gaDs!
corrigindo uma falha terrível cometida na msg acima, logo no inicio:
"Booommm Diaaa menina Doroni !"
Zeca Feliz
Ótimo! E o suspense no final, então? Um beijo carinhoso, Faraó. (Coloquei texto novo tb).
Faraó · Fortaleza, CE 11/4/2009 11:42
Lindo, Lindo , Lindo, votando, mia cara Doroni
Kaparao · Divino de São Lourenço, ES 12/4/2009 04:14
O apelido era "macarrão"...
Acertei?
beijo,
Os seus relatos são tão gostosos de ler,que nos parece está ouvindo você falando ao vivo com a gnete.
camuccelli · Rio de Janeiro, RJ 17/4/2009 17:27
meu apelido de novo era juca... 'juca' bem entendido... juquinha! nunca.
gostei do texto
beijo doroni,
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