Tenho um amigo de ar sereno e de bom coração. Numa sexta-feira, como de costume, enquanto caminhava tranqüilamente pela Avenida Goiás, rumo a um banco localizado na Praça Cardeal Arco Verde, no centro de São Caetano do Sul, região do ABC Paulista, teve repentinamente que interromper seus passos para atender a um chamado de uma voz juvenil:
- Senhor!
- Sim, meu jovem?
- O senhor poderia me dizer se Mauá fica para este lado ou é para lá?
- Nem pra cá nem pra lá. Mauá fica para aquele lado, depois de Santo André. – Meu bom amigo disse, apontando com o indicador a direção correta.
O menino agradeceu e pôs se a caminhar em direção ao seu destino. Mas não deu dois passos, ouviu:
- Moço! O ponto de ônibus mais próximo fica bem ali, em frente àquela praça. Já o outro fica a mais de três quadras. È melhor você voltar.
- Não, eu vou a pé.
- Mas Mauá, de São Caetano, é muito longe.
- É longe?
- Muito.
- Sabe o que é? Cheguei ontem do nordeste e vou pela primeira vez visitar uma irmã que mora lá. Não pensei que fosse tão longe.
- É muito longe.
- Mesmo assim, vou ter que ir a pé. Para quem já andou de Sacomã, da casa do meu primo, onde dormi, até aqui, não custa caminhar até Mauá.
- Bem, de Sacomã até aqui não é muito longe. Agora, daqui até Mauá tem chão, meu amigo. Por que não pega o ônibus? Ele passa bem ali.
- Sabe o que é? Gastei todo o meu dinheiro na viagem da minha terra para cá. Estou indo para minha a irmã para ver se ela me empresta uns trocados. Estou sem um tostão.
Antônio Carlos se comoveu, botou a mão no bolso, arrancou a carteira e perguntou:
- Você já tomou o café da manhã?
- Não. Eu vou comer na minha irmã.
- Olha, toma aqui este dinheiro. Dá para você lanchar, ir e voltar de ônibus e ainda vai lhe sobrar uns trocados para você poder procurar um emprego amanhã. Caso sua irmã não tenha para emprestar para você, você está garantido para procurar emprego.
- Não, não precisa. Eu vou a pé e chegando lá, eu como alguma coisa que minha irmã me der.
- Olha aqui o dinheiro. Eu insisto, pega.
- Obrigado, senhor, mas não posso aceitar seu dinheiro. Eu nem conheço o senhor, como posso pegar o seu dinheiro. Não é justo.
- Não importa que não me conheça. Acredite, estou dando de coração.
- Como não conheço o senhor, como posso devolver o dinheiro um dia?
- Não estou lhe emprestando. Estou dando o dinheiro para você. Toma aqui. Pega, vai!
- Não, obrigado. Não é justo.
- Pela última vez, ou você pega ou eu...
- Ó, meu senhor, já que insisti tanto. Muito obrigado. Que Deus lhe dê em dobro, então.
O jovem, colocou o dinheiro no bolso da calça e caminhou em direção ao ponto de ônibus. O meu amigo, satisfeito por ter podido ajudar o pobre rapaz, dirigiu-se para o banco.
Um mês depois, meu amigo, quando descia tranqüilo e despreocupadamente a rua Rio Grande do Sul, ao passar pela Câmara Municipal, teve a sua distração interrompida por uma voz juvenil conhecida, que interpelava uma senhora de aparência bondosa:
- A senhora poderia me dizer se Mauá fica para este lado ou é para lá?
Esta crônica relata um fato verdadeiro ocorrido com um grande amigo meu.
gostei do texto e sua construção.votei.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 1/8/2008 14:07
Olhe,eu ja vivi e vi casos assim tambem
Um senhora bem vestida,acompanhava uma outra que se parecia
retardada,num ponto de ônibus de Niteroi pra Cabo Frio
Chegou pra mim e disse que a amiga tinha cgasto dinheiro em compras com um descuido dela e nao tinham como voltar,se dava pra eu completar e me mostrava nas mãos qto tinha e qto precisava e se dizia muito envergonhada da situaçao,porque tinha dinheiro em casa
Claro''completei a passagem e saí pra outro ponto,estava na fila de passageiros ,qdo vi as mesmas senhoras abordando outra idiota com a mesma historia?Sabe o que fiz?Nada.Deixei elas se estreparem por elas mesmas um dia por abusar da boa fé das pessos
Porisso que quando me oferecem o Viaduto do Chá, eu nunca aceito !
Um abraço, texto bacana, mostrando a necessidade de se ser frio aqui em sampa !
Muito esperto o rapazinho.
Gostei do seu texto.
Abraço.
Sr, Paulo, Otário city fica pra lá ou pra cá? E caimos como um patinho. Qtas vezes eu cai! Muito legal o texto. Bravo!
Nic NIlson · Campinas, SP 2/8/2008 16:00
Muito interressante o aplique, que na verdade se for generalizado em todos as regiões do país o mérito do autor será sempre louvável e oportuno. Aprovado. votado
Coluna do Domingos · Aurora, CE 5/8/2008 11:49
Paulo!
que conto!
" Quem dá ao pobre empresta a Deus"
mas tem cada pobre sabido!
divertido!
bjs
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