O Berolo participou da XIX Noite Nacional da Poesia. Campo Grande - MS
Texto: Edson da Silva “Profeta”
Sinopse:
Conta à história de um peão ruim de serviço, com a mudança de tempo no pantanal, pula no corixo pra salvar um tuiuiú doente.
O Berolo (peão ruim.)
Pega a zinga vem pra cá
Desce ai home de Deus
Se não me obedece vai rola no caponal
E atola no tremedal.
O vento vem poeirento
Vê se corre bem depressa, que já vai mudar o tempo
O céu já mudou de cor, começou o desalento.
Veja o macharrão esturra, faz tudo estremece!
Quando o tempo aqui se muda, a bichara se apura
O bufo dos jacarés, o bugio na mata urra
De longe até se escuta num soneto bem tristonho, o canto da saracura
Quando ouvimos a macauã
Isto até meche com a gente
Ouço o corixo rugindo
Já sabemos que é enchente
Ipê florido em maio, carão pequeno cantando
Camalote deslocando, no rio abaixo rodando
A enchente vai chegando
Quando ouço lá de longe no cocuruto isolado
O João Grande machucado, pedindo que salve a vida gritando todo agitado
Um grito desesperado de um jeito preocupado!
Berolo leva o jujo pra vê se salva João Grande!
Num vê que ta muito fraco pegô malina no baita
Dispare mesmo lenquem, não fica igual Jaguará
Deixe o lado daqui, corre pro lado de lá
Corre logo home de Deus, se não tem chalana, nada
Não deixe João padece, Pois João é o nosso símbolo, e tem que sobrevive
Berolo pula na água no calor da emoção
Vem um galho de ipê, misturado com uma porção
Que rodando no corixo, acerta-lhe o coração
A água lá do corixo toda vermelha fico
Não sabia se era barro, tudo nela misturava
Só vimos nosso Berolo afundando com a marva
Quando lá na corredeira o seu corpo novamente
No ipê se enroscava.
Com minha viola de cocho no canto do cururu
Canto um amigo que se foi pulando na cheia brava pra salva um tuiuiú.
Meus senhores desta roda agora vão me escuta
Um homem que pula na água pra um tuiuiú salva
Pode ser um peão ruim, mas coração melhor não há
Expressões
Glossário pantaneiro (expressões típicas usadas na poesia.) .
Autor (es): Lucelino Rondon Corrêa
ISBN: 8587392166
N° de páginas: 72
Ano de publicação: 2001
Tamanho: 15x21
Peso: 117,9
Editora: Uniderp
Sinopse
O glossário traz uma série de verbetes e expressões, cujo registro pautou-se em acepções locais, como forma de preservar a originalidade e a cultura pantaneira, enquanto fato sociológico. É fruto da convivência do homem pantaneiro com os animais, apetrechos e situações rotineras de trabalho, sem pretensões de erudição.
Fonte
http://www.uniderp.br/editora/Livros_detalhe.asp?idlivro=8587392166&caminho=livros
Profeta,
Boa colaboração. Dá um anoção sobre a dimensão da riqueza de noss a terra.
Grande abraço Guaicuru!
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