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O CARNAVAL DE ANTÔNIO - Crônica

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jjLeandro · Araguaína, TO
6/1/2007 · 58 · 0
 

O CARNAVAL DE ANTÔNIO




O carnaval de Antônio foi detestável. E mais detestável ainda a quarta-feira de cinzas depois do equívoco desfeito. No sábado amanhecera disposto, louco por uma conversa. Desejava comunicar-se com qualquer pessoa: através de uma conversa informal, por telefone com um amigo com quem não falava havia muito, pela internet, nos corredores do prédio onde morava com as velhinhas aposentadas, dando uma informação a um desconhecido na rua. Essas conjeturas fora tecendo enquanto tomava café com pão em seu minúsculo apartamento do prédio mais antigo da cidade. E havia duas razões para tanta euforia: primeiro era carnaval e segundo, e mais especial, esperava Sandra, a namorada com quem cairia na folia de Momo. ‘Hummm’, pensou naqueles lábios sensuais e de repente o pão perdeu a textura macia e inchou como uma bucha na boca. ‘Eh, velho, você está a perigo’ — sorriu. ‘Mas também’ — contou nos dedos e surpreendeu-se — ‘faz uma semana que não nos vemos!’
Depois do café, ainda cedo, para não perder tempo — a Sandra devia chegar lá pelas 10 horas — foi ao supermercado comprar cerveja para começar a farra ainda no apartamento. Por se enrolar nas grandes filas, perdeu tempo e o humor. ‘A Sandra já deve ter chegado’, era só o que pensava ainda preso nas grandes filas dos caixas. ‘Esse povo não aprende nunca a prever o aumento de movimento nessas ocasiões’, protestava de si para si como se isso resolvesse o seu problema, abreviando a demora. ‘Pô, que mancada, esquecer o celular em casa numa situação dessas; a Sandra por certo já ligou centenas de vezes para tentar me localizar’. Enquanto esperava, cresciam o seu mau-humor e as filas. Só venceu a fila às doze e meia.
Quando pisou no vestíbulo do prédio, arrastava uma tromba capaz de intimidar um elefante africano, conhecidamente maior do que o asiático. Passou pela portaria sem sequer dizer um ‘Oi’ a seu Januário, o porteiro, que se encolheu todo atrás do velho balcão sem nada entender. Apenas conjeturou que os jovens são muito volúveis. Como não tinha enfrentado uma tremenda fila que nem Antônio no supermercado, refletiu: ‘Passou aqui ainda agorinha mesmo todo serelepe; eu, hem?’

PARA LER A CONTINUAÇÃO, ABRA O ARQUIVO DO WORD EM ANEXO.

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Autoria
jjLeandro





Ficha técnica
Jornalista e escritor, 46, residente em Araguaína -To. Autor do livro de poesias Quase Ave, com o qual ganhou o concurso literário nacional para autores inéditos Cora Coralina em 2002, em Goiânia
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