(CONTINUAÇÃO DA PRIMEIRA PARTE)
Tolstói, Dostoievski, Victor Hugo, Jorge Amado, Gabriel Garcia Marques, Fernando Pessoa, todos eles ganharam o mundo falando de suas aldeias. Ele não falaram de pubs londrinos. Falaram de seu quintal. O que torna um escritor internacional não é o fato dele situar suas criações nos grandes centros. O que o leva a patamares internacionais é ele falar de seu rio Tejo, mas usando uma linguagem em que todo homem do mundo possa enxergar-se ali: sentado na beira do rio, molhando os pés no rio Tejo! As dores, angústias, sofrimentos, amores, ciúmes, ganância, vitórias, tudo isso são sentimentos universais. Se a história for bem narrada, não importa em que língua seja, não importa em que rua se passe: o homem universal vai se identificar com a trama! Haja vista a história da “Escrava Isaura” e a peça “Morte e Vida Severina”, que a Globo adaptou para a televisão e foram elogiadas no mundo todo.
Enfim, não tenho dom para Paulo Francis nem para Mainardi exatamente porque, ao escrever essa humilde crônica eu não pretenda provocar grandes fúrias. Gostaria que ao menos setenta por cento dos leitores fossem receptivos à minha opinião. Bom, claro que eu teria de ter sete leitores a meu favor, num universo de dez. Mas eu não terei dez leitores aqui, já notei isso. Portanto o meu cálculo já está furado.Senhores estatísticos, como eu faria esse prognóstico?
Não precisamos imitar os estrangeiros; e essa mensagem é para os jovens aspirantes a escritores. Olhem à sua volta. O Brasil produz sua própria história, e precisa muito de quem a registre!
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Texto escrito por mim, no vigésimo dia do segundo mês do ano da graça de dois mil e sete, em pleno reinado de Momo.
Bravo!
sem palavras...eu publicaria na capa!!!
beijão,
Fran
Oi, Francine, obrigada pelo elogio.
Na verdade a opinião do pessoal dos sites a respeito do meu trabalho já está bem clara para mim. Não vou comentar o que acho, eles sabem o que penso.
Não estou me referindo aqui ao pessoal do overmundo de jeito nenhum! Falo de outros sites, onde fui sistematicamente recusada.
Hj eu li um site muito famoso, bancado por grandes patrocinadores, e havia um artigo sobre um jovem escritor, que segundo o site, será um dos futuros famosos. E o apresentador( tb escritor "famoso") dizia: ele, o futuro escritor famoso,( eu não vou dizer o nome, pois ele jamais será famoso , uma vez que nao sabe escrever) é cantor, toca numa banda de rock e está fazendo três livros ao mesmo tempo!
Ms se eu mandar algo para este site, eles nao publicarão, eu sei!
No entanto, nao pude deixar de pensar: como se escreve 3 livros , toca-se numa banda e ainda canta-se em shows? O que representa escrever, para certas 'mídias?"
Quando daqui a cem anos, os historiadores quiserem traçar um perfil do Brasil, através da sua literatura, o que vai existir??Quem está escrevendo a história desse povo no atual momento?
Se vc quiser saber exatamente como era o Brasil há cem anos atrás, leia Machado de Assis!E daqui a cem anos? o que leremos?
muito boa a crônica!!!!
o comentário tambem muito pertinente!!
abraço,
Poxa, Luna! Foi na ferida!
Acho que hoje em dia se escreve muito naquela idéia de "linha de produção", "produtividade na escrita". Os vários e vários livros de auto-ajuda mostram isso, né?
A gente precisa mesmo é de gente que esteja "de molho" com a história de nosso povo (só curtindo, sabe?), para que possa saber traduzir com mais exatidão o hoje de nós.
Precisamos realmente de novas figuras como Machado de Assis, Jorge Amado, Aluísio de Azevedo, entre outros e outros tradutores da vida do povo. Precisamos de um novo movimento literário? Não sei e acho que não importa... o que precisamos é ter novos olhos!
Abração!
Estimado Carlos: antes de tudo grata por sua atenção . Em todo caso, creio que nao precisamos de novos movimentos literários. Não há mais nada a ser inventado, penso eu. Depois da semana da arte moderna abriram-se todas as comportas da criatividade, liberou geral e hoje pode-se escrever em qualquer estilo, do clássico ao ultra moderno, do romântico ao realismo fantástico. É justamente por termos um leque tão amplo de possibilidades que eu nao me conformo de não ver surgir nada de novo na literatura.E me pergunto: cadê os autores lançados todos os anos com tanto oba oba, ajuda de lei Rouanet e tanta pompa e circunstância? não se vê esse povo dando boas entrevistas, ou mesmo não vejo "acontecer" de fato nenhum livro deles. É isso aí.
Que nao fosse um machado, pois gênios surgem de 100 em 100 anos, mas ao menos um Rubem Braga, um Fernando Sabino, cadê?
Concordo com vc Luna,ja é hora de acabar com o colonialimo cultural. como se tudo que estrangeiros dizem é a verdade suprema
o most rsrsr
um abraço e parabens pelo texto. J.Alves.
José, obrigada pela leitura. Enfim, o textinho passou, passou bem por debaixo da cordinha, como naquela brincadeira, mas passou.
Eu não acho que a literartura estrangeira seja ruim; imagine só se eu pensasse isso!
Existem grandes e fabulosos autores estrangeiros. Afinal, quando a nossa literarura brasileira começou, eles lá fora já estavam vivendo o movimento barroco, imagine!
Eu falo bastante por mim, mas os meus textos não são loucuras irresponsáveis, de jeito nenhum. Tudo que escrevo possui embasamento teórico, e muito bem pesquisado.Quando falo em embasamento teórico quero falar em textos acadêmicos. Ainda hoje eu estudo, não porque alguém exija de mim, mas porque adoro aprender.Talvez por isso eu respeite tanto as diferenças, e quando combato uma idéia eu fico nisso: no mundo das idéias. Jamais parto para o terreno pessoal.
Eu critiquei não a literatura estrangeira, que adoro, mas lamentei que os novos escritores brasileiros prefiram desenvolver histórias cujos temas remetem ao exterior, como se aqui não acontecessem fatos dignos de nota. Só isso.
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