— Ô maiêê, corre aqui na janela que acharam aquele mico ladrão estribuchado lá embaixo do carro de lixo! Ih, a corrente vermelha com as suas chaves, estão lá no pescoço dele também, daqui se vê! Vem ver só,mãe...
— O bichinho está morto, Luisinho ?
— Sei lá mãe, vou lá, vou lá…
Da janela do andar de baixo, dona Graça gritou perguntando:
— Ele morreu ? Ele está vivo ? Diga alguma coisa, moço?
— Não senhora, morrer ele não morreu ! Mas que tá esquisito,isso tá !!! respondeu um dos garis, enquanto o motorista puxava o carro mais a frente, depois de retirarem o intrépido acidentado.
— Esse bicho tem é sorte, ficou no meio do carro quietinho , se livrou das rodas o danado… admirava-se o motorista acostumado a ver tantos acidentes.
A essa altura , dona Graça descia com um séqüito de vizinhos curiosos , velhos conhecidos dos micos que faziam algazarra na rua.
O porteiro se antecipou e disse que por ele ,tiraria logo a corrente do pescoço do mico, porém como explicara à dona Graça, “ deu nervoso” já que o pobre estava tão duro,assim resolvera esperar o andar dos acontecimentos...
— E o coração bate ainda ? perguntou dona Graça muito preocupada.
— Bate fraquinho , mas bate. O bicho tá respirando, mas esse olho tá paradão dona… respondeu o gari.
— Ele está catatônico! disse dona Graça acrescentando para o gari que fez uma cara de espanto.
— Cata… o quê, minha senhora?
— Catatônico, cara!Nunca ouviu falar? Parece que tá morto mas não tá, é de mentira , entendeu ? disse o menino que a essa altura começava a rir.
— Pára de rir Luisinho, e me passa já o celular, que vou ligar para a Carla, ela está aqui perto na padaria.
Por sorte, esta filha de dona Graça era veterinária e ia ajudar a salvar o mico que no fundo, sempre desfrutou da compaixão velada da senhora.
Quando Carla chegou, rapidamente tudo foi resolvido, ela fez umas massagens de forma precisa , o bicho foi voltando até que já estava esperto do susto e todos ao redor lhe faziam afagos de entusiasmo.
O carro de lixo já tinha partido com os homens todos satisfeitos, e o mico ficou um tempo no desfrute do colo de dona Graça que já o acolhia como se de estimação fosse.
De repente, o sapeca deu um bote certeiro na corrente vermelha de chaves e praticamente voou pelas árvores de um salto. Foi então que todos riram de dona Graça atônita e de novo aos berros:
— Seu miserável, volta aqui!!! Por que não morreu? Por que não morreu, heim ? Peste peluda, de uma figa!! Ah,quando eu pegar, não vai ser bom...
Nina Araújo
— E o coração bate ainda ? perguntou dona Graça muito preocupada.
— Bate fraquinho , mas bate. O bicho tá respirando, mas esse olho tá paradão dona… respondeu o gari.
— Ele está catatônico! disse dona Graça acrescentando para o gari que fez uma cara de espanto.
— Cata… o quê, minha senhora?
Muito bom, minha cara! Um conto leve e bem humorado... E que mico 'cabra-safado', hein?! De besta não tem nada... rs.
Um sincero abraço, Nina.
Olá Nina!
Adorei o seu conto. Muito gostoso de ler. Mas cá entre nós que mico danado esse! Espertinho! Passou a mão na corrente e já está pronto para outra!
Eu volto aqui para ver esse mico.
Bjos
Patty
kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Você é demais !!!!!
Acho Miquinhos lindos , de longe ![:)]
beijossssssssssssssssssssss
A nina tem o dom de nos colocar dentro da cena como se dela fizéssemos parte. E tem o olhar de artista para o detalhe relevante, e o talento de não desperdiçar palavras. Com simplicidade, que parece fácil, maneja a narração como se fosse um curta-metragem. Cada personagem atua na medida certa. E a autora mostra conhecer bem da natureza humana, sabedora de que podemos passar da ternura à ira num instante, como ocorreu com dona Graça. Um conto que flui com arte, mas sem nenhuma artificialidade.
Onivaldo Paiva · Uberlândia, MG 11/5/2009 23:36
nina poeta · Rio de Janeiro (RJ)
O Catatônico
Muito Gracioso, um Mico muito esperto, Deve de ser Mico Poeta.
Ficou muito Legal pra gente exaltar e indicar pros amigos.
Parabéns.
Abração Amigo.
Nina querida! Adorei o seu conto, muito bonito e verdadeiro. Aqui,
na minha casa, eu lido com micos todos os dias... Hoje mesmo,
fizeram a maior estrepolia na minha cozinha. Eu tenho paixão por
eles. Voltarei
Beijos
Gosto de contos pois em pequenos trechos definem uma estória.
Por aqui temos esses espertos que chamamos sagui.
Mas para não deixar passar temos mais micos no governo e principalmente no congresso que somente não fazem palhaçada mais nos roubam sempre.
O Sergio Cardoso não teve a mesma sorte desse mico: dizem que ele foi enterrado ainda vivo...
deixa isso pra la, concordo novamente com o Onivaldo, vc tem o dom de nos integrar ao cenário do seu Universo !
um beijo !
Que macaquinho peralta! Parabens pelo conto bem humorado. Bjos
graça grauna · Recife, PE 12/5/2009 03:39
Adorei!
Muito bem contado. Nesta modalidade, vc também arraza!
O macaquinho era mesmo a pestinha. Macacos são assim.
beijos
um ótimo texto, de qualidade impar, parabéns.
depois eu volto.
Quiçá voce escreveu isso em outra encarnação
E surgiu de sua escrita a frase
- "vai pagar um mico..."
Conheci ujm mico em 1983 no Maranhão que simulava estar enforcado em uma corrente e dava um tapaem quem fosse socorrê-lo!
raphaelreys · Montes Claros, MG 12/5/2009 11:09
Muito bom,Nina,querida!
Um conto bem humorado,que mico mais danado hein?...como dissse o Jéfte...um 'cabra-safado' da peste...rsrsrs
vc arrasa contando esses causos,querida!
Parabéns!
bluebeijinhos
Blue
Nina: Se tem macaco artista plástico, por que não podemos ter um mico ator? Conto leve e ecologicamente correto, parabéns, me lembrou uma pousada na selva amazônica onde os macacos entram nos quartos e roubam os pertences dos hospedes... Axé!
RUI LÔBO · Brumado, BA 12/5/2009 11:49Ah, Rui eu adorei saber que voce é noveleiro!! Que bom, aqui de casa eles roubavam frutas mas vedamos uma passagem secreta e agora ficam roubando chaves, rs...Maravilha o seu comentário, Rui! Bjs.
nina poeta · Rio de Janeiro, RJ 12/5/2009 12:22Raphael, que graça este mico, isso dá um outro conto maravilhoso, espero que voce conte com aquela picardia fenomenal, rs..Bjs.
nina poeta · Rio de Janeiro, RJ 12/5/2009 12:24Patipetista, voce parece um colibri,(como diz Vaninha Vianna), surge sempre querida e voa...Obrigada pelo d+, rs...sou nada...Bjs.
nina poeta · Rio de Janeiro, RJ 12/5/2009 12:25Onivaldo eu fiz uma moldura deste seu comentário para exercitar a direção que quero tomar, viu? Voce é um leitor muito generoso e eu aprendo muito com voce, nem é preciso dizer como eu tõ bestinha depois de ouvir isso, né não?Obrigada imenso! Bjs.
nina poeta · Rio de Janeiro, RJ 12/5/2009 12:28Alcanu, só voce mesmo pra me lembrar isso do Sergio Cardoso, aquilo foi uma tragédia, nossa! Eu perdi sono por saber, era jovem e impressionada demais, mas acho que ainda hoje seria um pesadelo, já pensou ...Adorei o seu acompanhamento no comentário de Onivaldo, que amigos generosos eu tenho, caramba, que bom! Bjs.
nina poeta · Rio de Janeiro, RJ 12/5/2009 12:34Mochiaro, aqueles micos são frutos de nossa má escolha,né? Mas também quando pensamos certo, não estamos livres deles nos trairem, o bichinho do Poder é tentador, o mico é nosso deveras...Adoro os seus comentários! Bjs.
nina poeta · Rio de Janeiro, RJ 12/5/2009 12:37Vaninha, vc é uma poeta arretada e se gostou do miquinho eu vou mostrar esse sapeca quando vier ao Rio, ou seria sagui, como diz Mochiaro? Bjs lindona!
nina poeta · Rio de Janeiro, RJ 12/5/2009 12:39Greta, cuidado com as bananas aí na cozinha, rs. Viu, temos mais essa em comum, além da sala e do caderno...Bjs.
nina poeta · Rio de Janeiro, RJ 12/5/2009 12:40Galera de poetas queridos que acompanham este mico peralta saltitante,um beijoooooooooooooo!
nina poeta · Rio de Janeiro, RJ 12/5/2009 12:42
Um conto acima de tudo muito engraçado. Escrito com muita graça e talento.
Volto.
Beijos....
oiii me_Nina Poeta!
Ah se eu tbem soubesse o que é "catatonico"!
Sei o que é 'catá tonica' - que é o que falo para minha
filha Rubelita sempre: - Biba - 'cata tonica' na geladeira para mim misturar no gim...
Muito bem bolada sua singela cronica do cotidiano, onde o humor vive permeado com o humor!
karinhos kentinhos,
ZecaFeliz
gaDs!
Ah! parceira, amiga e poeta...Que dizer desse trabalho heim? Vc é mais que 10 é 100000000000000000000....Parabéns pelo trabalho. Beijãooo!
delen · Cotia, SP 13/5/2009 20:09
Nina poeta: voltei e votei! E não é que vi esse mico esperto andando por aqui..
Sucesso.
Bjos
Patty
Olá,Nina. Tenho nas árvores do meu jardim uma família de saguis de tufo branco. Já deram cria quatro vezes, sempre dois filhotes e quase sempre vinga só um. O gavião sempre papa um deles.
Eles ficam nos galhos de uma árvore próxima à cozinha e me chamam, assobiando, quando estão com fome. Se não os vejo ou não os escuto, os danados entram pela janela e ficam comendo as bananas em cima da mesa. Eu também fico danada com eles, mas acabo por fotografá-los e achá-los lindos. Me identifiquei com dona Graça.
Abração, Ivette G M
Gostei Nina Poeta Linda que não paga mico...
Muito bom e me fez rir...
Coisa rara...
bjs
E não é que ja tive um macaco?! rsrs
era macho e escandaloso.....vivia esxitado, querendo uma flor. rs
veia comica a sua. gostei.
bjssssssss;)
nina poeta · Rio de Janeiro (RJ)
O Catatônico
Dois louvores, um ao catatônico e outro mais especial para a Autora pela sua criação.
Parabéns.
Abração Amigo
Oi Nina,
gostei demais do conto
e então, os macacos são bichinhos espertos e inteligentes
eu que o diga!
bjs
Excelente texto. Concatenação e beleza.
Juscelino Mendes · Campinas, SP 16/5/2009 17:46Nina já sou fã de sua poesia agora estou gostando de conhecer seu lado contista. Bjões
sheila duarte · São Paulo, SP 17/5/2009 20:03
Nina, comento tarde, mas não poderia faltar...
Prosa retada de boa, muito gostosa de se ler.
Meus votos e beijos,
Aube.
Amei este conto serelepe!
Sua forma de abordagem muito me alegrou.
Safado esse macaquinho catatônico!Nina!
Bjs
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