Ele conversava com uma amiga. Como de costume, tentava fazê-la rir com a estratégia de sempre de retirar as palavras do lugar e recolocá-las onde ninguém espera. Para ele, o riso funcionava como uma espécie de termômetro de si próprio, de modo que o silêncio do outro era como uma espécie de negação do eu.
Hoje, porém, ela ria pouco. Não sabia se ela estava entediada ou com sono. Talvez preocupada demais com assuntos mais sérios para ouvir piadas tão tolas. Ele tinha consciência do fato de que freqüentemente a falta de riso do outro não era necessariamente sua culpa. Consciência, porém, não é sinônimo de controle. Trazia consigo como herança psicológica de algum momento mais ou menos traumático da infância a sensação perene de proprietário do monopólio de culpas do mundo. Era uma esponja absorvente de erros e falhas, e se as paredes de uma conversa exibiam rachaduras, era por negligência de sua própria engenharia do eu.
Com tanta culpa, coitado, como tinha ainda a capacidade de fazer rir? Devia ser um grande palhaço, um grande talento para o hilário, comparável ao seu talento para a literatura. Gostei do que li, e muito. E também gostei de "A pálpebra". Vejo que BSB não é pródiga somente em bandas de rock, há também grande talentos na literatura como você o Haragano.
Um grande abraço.
http://jjleandro-jjleandro.blogspot.com/
http://jjleandro.blog.terra.com.br/
Excelente, meu amigo! Muito bom mesmo!
Vi-me refletido no espelho do palhaço das platéias perfeitas. Enxerguei a mim mesmo na culpa e na angústia de resolver todos os problemas do mundo, dos quais por vezes me sentia responsável -- mesmo a ponto de colocá-los acima de minhas próprias verdadeiras culpas. Uma palhaçada a mais, apenas...
O circo precisa das lágrimas, assim como o palhaço precisa daqueles que -- ao menos aos seus olhos pintados de pajé do riso -- precisam de sua medicina. Esta é a sua razão de ser...
Fantástico! Grande texto mesmo!
Meus parabéns sinceros.
Brasília está mesmo cheia de grandes talentos das artes, e é bonito vê-los aparecendo por aqui.
Abraços apertados do Verde.
Em tempo, faço eco ao elogio feito pelo JJ ao Haragano.
Ele é também um grande cara, e um grande e dedicado escritor... as duas coisas ao mesmo tempo, graças aos bons Deuses. :D
Abraços do Verde.
Um comentário que era para ser um e-mail, mas você não habilitou a opção receber msg, então só com comentário mesmo:
Habitantes do Overmundo,
Abri um tópico no Fórum: http://www.overmundo.com.br/forum/topico.php?topico=237 para combinarmos o próximo Encontro em Brasília, que não será só um Encontro, mas também um Sarau... vai lá acompanhar e participar da organização do evento!
Abraços!
Voltei depois de mandar as msgs sobre o encontro para ler seu texto e que surpresa! Que metáforas! Adorei o seu estilo de escrita, meio metralhadora cheia de mágoas...
Parabéns!
Abraços!
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