O CORPO COMO MENSAGEM
O corpo tem memória. O corpo é uma esponja. Um receptáculo de informações absorvidas o tempo todo, pela vida toda. O corpo carrega na expressão tudo o que se vive. Na expressão corporal individual se refletem personalidades, traumas, repressões, experiências de prazer e liberdade. Tudo é carregado.
A técnica não mata a criação. Técnica não é repetição, execução muito mrnos , transmissão. O domínio da técnica permite a liberdade da criação. Liberdade de reconstrução. Liberdade do novo a cada vez. Acredito em técnica no que diz respeito a uma consciência corporal. Consciência das próprias limitações e do potencial corporal. No mais, não há cartilhas. Não há fórmulas. Não há certo. Nem errado. Dançar não é executar. Interpretar não é executar. Interpretar não é traduzir um conteúdo em meio a outro – do artista ao espectador, ou do coreógrafo ao espectador, no caso da dança. É completamente ultrapassada a concepção de que a informação parte do emissor passando por um fio completamente neutro, que chega ilesa ao receptador. Sempre há transformações, perdas, ruído, transformações neste caminho. Toda tradução movimenta-se entre identidades e diferenças. A interpretação entendida como transcrição estabelece trânsito entre singularidades.
Há sempre uma tensão entre o já-criado e o por-criar. Ambivalência e luta. No corpo é que está toda a possibilidade.
É necessario esquecer. Esquecer sempre. Esquecer para perceber tudo como se fosse dpel primeira vez. Saber, dominar é importante. É importante para (re) construção, para a criação, para o novo. Não garante nada sem a disposição individual de esquecer. Esquecer para criar.
O TEATRO ESSENCIAL DE DENISE STOKLOS
Denise Stoklos parte de uma perspectiva teatral autoral, calcada na centralidade do corpo que depende muito pouco de recursos cênicos. Desde 1968 ela chamava a atenção por uma qualidade interpretativa nova. Ao longo da carreira, porém, nunca evitou as tradições, trabalhando com diretores como Antunes Filho, por exemplo.
``Eu aprendi muitíssimo com o teatro clássico. Por que fugiria de um Shakespeare, de um Brecht? Jamais. Para mim, teatro, independente da sua forma, é a arte do encontro e eu não consigo viver sem essa energia. O público é vital para mim``, argumenta Denise Stoklos.
Sob um ponto de vista estético, o Teatro Essencial de Denise mantem um link com a dança Expressionista. Os temas explorados por ela sempre buscam a reflexão sobre a condição humana. Para isso parte da intuição e da vontade de falar ao público. Suas matérias- primas são a voz, o texto, o corpo. Seu corpo é sua mensagem. Teatro sem iluminação, ainda é teatro. Teatro sem som ainda continua sendo teatro. Teatro sem cenário e sem palco também. Um teatro sem corpo, deixa de ser teatro.
Gostei muito de teu texto! Adorei!
beijos meus!
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