Acordou num daqueles dias de “ovo virado”, pra variar. Ainda de olhos fechados, sobre efeito da mais pura e dolorosa ressaca, circulou à caminho da geladeira. Queria água, e queria logo. O corpo reclamava a falta de líquido natural. Podia ser água, suco, coisas dessa natureza, desde que fosse gelado. Tudo, menos álcool, disso já estava completamente saturado.
A noite passada foi mais uma daquelas de perdição, dessas que sempre, no auge da loucura, vem seguidas de promessas e confissões. De todos os tipos: “vou parar com isso”, “não quero mais aquilo, “tenho que dar um tempo”. Pensando nisso, pensou estar delirando. Rapidamente, decidiu voltar a dormir. Se for pra ter pesadelo, que seja dormindo. Tomou qualquer coisa, voltou ao quarto, mas não teve coragem de encarar o espelho de frente. Antes tivesse: o pior estaria por vir...
Num suspiro de quem ainda não decidiu o que fazer da vida, se jogou na cama e ficou, dos pés à cabeça, coberto com seu confortável e quente edredon. Sentia-se envergonhado, embora não lembrasse do que ocorrera na noite anterior. Talvez um flash, apenas. Porém, de uma coisa não esquecia na tentativa de uma soneca: dos tantos copos cheios que, num gole só, fazia questão de exibir sua resistência à vodka, mas tem ocasiões que o corpo e a mente não suportam, desfalecem. E, antes, o que era apenas um flash na memória, se torna um clarão de absurdos quando o telefone toca. Era o amigo curioso para saber do seu estado, se ainda estava vivo. “É claro que sim, que pergunta”, disparou como quem não tá afim de papo mole. Depois, a voz rouca e arrependida do outro lado linha perguntava: “Cara, por quê você não sabe a hora de parar, hein?” A pergunta agora era mais objetiva e o pegara desprevenido. “Não sei”, respondeu. Talvez não estava preparado para tanto, diferente do rendimento com a vodka....
Marquinhos, é como sempre te digo, cada vez mais você consegue colocar um pouco do que você é nos seus textos. Essa figura única só renderia textos singulares como este "dia depois de ontem".
Adriel Diniz · Porto Velho, RO 7/6/2006 18:27
Hahahaha....
Adriel, meu querido, esse daí não sou bem eu.
Até mesmo porque, larguei esse lance de vodka.
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