O DIA EM QUE MEU SUBCONSCIENTE OUVIU POUCAS E BOAS

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Roberto Axe · Porto Alegre, RS
29/9/2011 · 0 · 0
 

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Percebi logo que era um sonho e me deixei levar de imediato pela beleza do local. Eu caminhava por uma rua ensolarada e movimentada em que prédios antigos ostentavam uma arquitetura de beleza antiga e sem igual; tudo era sereno no sonho, apesar do movimento da rua. Saint Germain des-Prés! Comemorei; sim, estou em Paris! Quem sabe na próxima esquina encontro o lendário Les Deux Magots? Ou mais, em se tratando de um sonho, quem sabe não encontro Henry Miller vagando durango e sonhador, e enchemos a cara em algum bar! Ora, quem sabe na próxima esquina não esteja uma rua encravada nos anos quarenta? ou trinta? Os existencialistas! Mme du Beauvoir, Sartre, Camus! O fantástico Artaud, mais louco do que nunca! Quem sabe Breton! Os surrealistas, os dadaístas! Ou ainda Hemingway bêbado, ao mirar o nada sentado à beira de uma calçada! Afinal, festejei, sonho é sonho não é mesmo? Prossegui caminhando lentamente, inebriado por esses pensamentos quando aos poucos fui percebendo que alguém me seguia cantando. Prestei atenção na música:

Voar voar, subir subir, ir por onde for
Descer até o Sol cair, ou mudar de cor
Anjos de cais, azas de ilusão
E um sonho audaz feito um balão...


Virei-me e dei de cara com o cantor Biafra! O cara me seguia cantando, e me olhava com doçura como se dedicasse sua cantiga só para mim! Continuei andando, tentando não dar bola para aquilo, mas o cantor não me largava....

Luar, luar eu sou assim brilho do farol
Além do mais amar até o fim simplesmente sol
Rock do bom ou quem sabe jazz
Som sobre som bem mais bem mais...


Pronto! Agora eu andava por Paris com Biafra cantando atrás de mim! ‘Belo sonho!’ Mas, para minha sorte encontrei uma cabine telefônica, entrei correndo e fechei a porta. Biafra parou também e ficou cantando do lado de fora, sem tirar seus olhos de mim. Peguei o telefone, indignado, e liguei sem demora para meu subconsciente. O cara atendeu do outro lado:

- Alô.

- Vem cá, meu! Que palhaçada é essa? – esbravejai.


- Tô entendendo não, meu irmão....

Sobre a obra

Em um belo sonho, meu subconsciente resolveu aprontar, botou o cantor Biafra a cantarolar atrás de mim!

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Roberto Axe
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