Por: Luiz Domingos de Luna
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O Fazedor de Cultura de Aurora ( *1922 +2008)
Abertura
Todo solo sem história é palco aberto para invencionice. É horizonte com limites. É acompanhar o movimento de rotação na incerteza do tempo espaço. É deixar a geografia, a cultura, a permanência do homem na impermanência do ser. É desintegrar a matéria no buraco negro da existência. É reconhecer o caos na ordem existencial dos fatos. É anular o eixo de equilíbrio da vida no vazio da imensidão do infinito.
Às margens do rio Salgado, no sertão do Cariri, na cidade de Aurora,Ce; enquanto a passagem da vida era tungada inexoravelmente pelo estrago do poder temporal, ali, bem ali, vigilante, em obediência a cada segundo que passava, a cada molécula de oxigênio respirado, ao som da música do Salgado, à beira deste maestro natural, estava ele, pacientemente, determinado, altivo, sendo o pioneiro, o desbravador, o descortinador, percorrendo em cada malha de uma história, confusa, obscura, não clara, passado de um momento entre o coronelismo, religião, cangaceirismo, passado que amedronta, "monstro da escuridão e rutilância", sempre ele, seja no remanso, seja na violência das águas, sempre com uma tocha acesa para escrever uma história perdida, esquecida, praticamente sem pesquisas, material escasso, tudo muito rudimentar, escuro, um quintal com muro, um grito puro, sozinho na penitência dos monges, na determinação dos grandes sábios, estava ele, sempre ele, imergido na sua simplicidade, na coragem, na bravura, na luta de construir a história de uma cidade, os fragmentos perdidos em arquivo perdidos, numa oralidade perdida.
Voz histórica
Tudo perdido, mas ele não, ele é a fonte, ele é forte, é uma fortaleza espiritual talhada na pedra, não qualquer pedra, mas sim, a pedra de aço, que mesmo detonada em milhões de pedaços leva o DNA da história, da cultura, de um povo, leva a marca do registro de nascimento da minha querida cidade Aurora-Ceará. Aurora que é sinônimo do intelectualismo brilhante da sua mente criadora, revolucionária, pioneira, a filha do seu filho, é assim que consigo definir o meu grande amigo escritor, Amarilio Gonçalves Tavares.
Hoje, é praticamente impossível escrever sobre Aurora, sem pesquisar este grande vulto da historiografia da cidade sol nascente. Amarilio nunca esteve sozinho, pois nós que recebemos esta missão árdua de escrever, sempre somos e seremos os seus discípulos, basta ver que no nascimento da revista Aurora, com a tenacidade do escritor, do continuador desta tarefa árdua, tem no abnegado editor e redator José Cícero da Silva a certeza de que sua semente caiu em solo fértil. Pois, o nome de Amarilio está lá, sempre vai estar presente, vivo respirando, dando oxigênio, luz e impulso à força elástica do ser.
É a base. É a rocha. É o ponto inicial. É o referencial de uma história que pulsa viva e povoa a imaginação da terra do Menino Deus, Como escrever Aurora sem referenciar o menestrel ? A águia de Aurora, Amarilio Gonçalves Tavares; um ponto inicial onde brota vários pontos, linhas retas, quadrados, triângulos, losangulos, círculos{...} Nasce o arquiteto, pode fugir das mãos o homem, pode fugir das mãos a matéria, pode fugir tudo, mas com certeza nunca fugirá a história de uma cidade criada por este homem, este vulto que no carrossel do tempo soube costurar, tecer, untar, betumar, dar sentido, dar lógica, dar prumo, dar materialidade, dar vez, dar voz histórica à minha querida cidade Aurora.
Dois nomes que se confundem
Ser discípulo de Amarilio Gonçalves Tavares, assim como sou, é pegar a sua guia e partir para o mundo, nas veredas, nos caminhos esgrimistas, em terra árida, nos grotões, atravessar o deserto na busca de um oásis que talvez nem exista.
É esculpir na alma a marca de um registro eterno ? Passageiro ? Não sei, pois a vida é muito efêmera para compreender ou decifrar este mistério da: (tenacidade pela tenacidade e da garra pela garra). Amarilio é a certeza da foz, do início, da bravura ao pioneirismo.
Falar de Aurora, obra de sua criação intelectual e histórica descritiva, é saber que tudo tem um fundamento, um motor primeiro, um agente causador.
Por isso na nuvem do temporal da existência, da fumaça cósmica, ao cotidiano de todos nós aurorenses, estarão sempre presente, na intimidade do ser dois nomes que se confundem para sempre, a filha do seu filho, Amarilio Gonçalves Tavares, e Aurora, estado do Ceará.
Nota de esclarecimento.
Quando A indústria cultural , dizima e destroe as tradições culturais sertanejas, levanta-se a voz daquele que fez o registro de nascimento da cidade de Aurora,Ce; pois, mesmo residindo em João Pessoa na Paraíba, funcionário do Banco do Brasil, com a penitência dos Monges e a sabedoria dos grandes Vultos da história humana consegue dar à cidade sol nascente voz histórica, pois o livro, Aurora história e folclore é e será por muito tempo a base de pesquisa para todos que se deleitam sobre arte, cara, e um tão renovável como a história do próprio homem.
Com brilhantes artigos na Revista Aurora, nº 2. Editor José Cícero Da Silva secretário de Imprensa do Municipio,coordeneção de núcleo e pesquisa prof. Luiz Domingos de Luna, edição,2008. Patrocinador Dr. Paulo Napoleão Quezado, Expressão gráfica, Fortaleza Ceará, revista de caráter histórico e científico do município de Aurora.
O Fazedor de Cultura de Aurora Amarílio Gonçalves Tavares(*1922 -+20
Parabéns pelo trabalho
Magnifico querido Poeta!
Brilhante como sempre li e reli!
Beijo no coração
muito bom seu texto e belo são seus escritos.depois eu volto.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 5/10/2008 12:20
Muito bom !
Amarilio Gonçalves Tavares : patrimônio nacional.
volto pra votar...
abs
Feliz reconhecimento. É sempre bom e digno de nota
reconhecer a quem nos ajuda a contruir a nossa vida.
Parabéns pelo trabalho, meu caro Domingos.
Domingos
Ótimo reconhecimento.
Uma cidade sem história não tem cultura .
Parabéns pelo texto!
bjsss
Feliz do homem que não esquece de suas origens. Parabens!
brigitte · Goiânia, GO 5/10/2008 18:26
Infelizmente, é assim, com a chegada do progresso tudo é empurrado, dizimados até tradições culturais. A cidade de Aurora (CE) pôde contar com o escritor e arquiteto cultural, Amarílio Gonçalves Tavares que, através de fragmentos perdidos em arquivos, também, perdidos, conseguiu restaurar a história desta intelectiva cidade sol-nascente.
Parabéns pela homenagem, com seu texto, prestada a esse pioneiro da história de Aurora! Parabéns!
Sempre importante a preservação da história e das tradições culturais. Bela homenagem, belo texto.
abraços
Prezado Domingos,
Você pede minha opinião para a crônica em homenagem póstuma ao fazedor de cultura de Aurora, Amarílio Gonçalves Tavares.
Perdoe-me e perdoem-me todos se entro em seara alheia, pois não sou crítico. Sou jornalista que, no dizer de um colega, Carlos Eduardo Novaes, "sabe de tudo, mas só um palmo abaixo da terra."
Jamais tive certeza de que isso dá para o gasto. Mas vamos lá.
Para mim, esse trabalho literário que você publicou é mesmo uma crônica. Existe um parentesco bem próximo entre poesia e crônica.
Todos sabemos que, de forma sucinta, a poesia é a arte de exprimir sentimentos pela palavra ritmada. É a utilização da linguagem humana com fins estéticos.
Ela é fundamentalmente oral, mesmo quando aparece escrita. Assim, a poesia se aproxima de outra arte, a música.
E a crônica? É o texto literário - só para dar claramente uma idéia -escrito hoje por Luís Fernando Veríssimo, Ferreira Gullar e outros autores, na imprensa diária.
Sempre foi forte a relação entre crônica e jornalismo.
Ela é leve, quase sempre bem humorada. Mas pode ser séria, polêmica e polemista, reivindicante.
Ela nasceu meio desprezada, sem muito valor, mas foi se aprimorando com talentos homéricos como José de Alencar e Machado de Assis.
Primeiro, a crônica narrava episódios históricos. Depois, foi contando fatos do cotidiano.
Até os anos 70 ela marcava bem sua presença em jornais de todo o país.
Rapazes da minha geração compravam os jornais do Rio, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e de outras cidades, só para ler e admirar Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade, Érico Veríssimo, Mário Quintana, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Vinícius de Moraes e tantos mais.
Eles deixavam seus romances e suas poesias um pouquinho de lado para escrever belas crônicas.
Em seu texto, no segundo parágrafo, você só usa uma vez o sinal de ponto final. Vai marcando com vírgulas os fatos e acontecimentos.
Isso me fez lembrar uma majestosa crônica de Vinícius de Moraes escrita em 1962, quando o Brasil conquistou o bicampeonato mundial de futebol.
O "poetinha", como carinhosamente era chamado por amigos e admiradores, não usou uma única vez nenhum sinal, a não ser o ponto final da longa crônica enaltecedora da seleção de futebol que era... verdadeira poesia.
Continue, Domingos, com sua poesia. E faça crônicas como se poesias fossem. Não nos acostumamos a chamar a literatura de arte de verso e prosa?
Caro Domingos, parabéns pela exaltação ao Fazedor de Cultura de Aurora, Amarílio Gonçalves Tavares. Somente você poderia ter realizado essa justa homenagem a essa personalidade ilustre a quem Aurora tanto deve.
Importante também que nós outros, de fora, nos tornemos menos estrangeiros e participemos de sua história. Temos muito a lhe agradecer..
Receba mais uma vez minha congatulações.
Um abraço.
Coluna do Domingos · Aurora (CE)
O Fazedor de Cultura de Aurora/Amarílio Gonçalves Tavares (*1922+2008)
Náo tem nada abandonado e a Luta esta em todos lugares.
No Overmundo, nos nossos Trabalhos, há admiráveis criacóes
que náo dáo chances para as invencionice estéries.
Temos de Caprichar nos nossos Trabalhos para enriquecermos o Overmundo que vai receber uma nova Juventude que tem se preparado neste novo Brasil, de um novo tempo que tanto vemos nas entre linhas e nas entre palavras dos noticiários e meios de informacóes para o Público.
Uma Saudacáo especial e cheia de Carinho para Amarilio Gonçalves Tavares, pela sua vida dedicada ao coletivo e a formascáo e elevacáo da nossa gente. Maior orgulho da nossa gente que sempre lutou para melhorar e elevar nossa nacáo.
Parabéns pelo seu Trabalho de Grande contribuicáo para todos nós.
Abracáo Amigo
Domingos, parabéns por trazer até nós a história de garra e tenacidade desse "Fazedor de cultura de Aurora". Que você e todos os aurorenses continuem a semear cultura e a colher os seus frutos.
bjs
Cultura é isso aí, meu nobre colega !
enaltecermos uma figura como Amarílio, numa gentil homenagem, embora póstuma, perfeitamente válida !
Um abraço !
É um dos Estados de passado ainda a ser melhor escrito - O CEARÁ;
seus dias sob condição de Terra de Degredo, precisam ser melhor conhecidos; seus dias de refúgio para ciganos, ídem. E ai poderá
entrar o |Professor Domingos Luna.
Abraço
andre.
Uma palavra: Admirável!
Um texto, diria, extremamente barroco, cheio de imagens, símbolos e metáforas, bem típico do Nordeste. Assim, apesar da erudição e das palavras incomuns, carrega a marca da narração nordestina. O texto é belissimo e muito original. Além do mais, o tema não poderia ser mais apropriado e faz uma referência e aprofundamento cultural significativo. Uma fixação de nossa cultura, de nossas raízes.
A marca do Luiz Domingos está muito presente e assinada. Basta ler para reconhecer a sua autoria.
Filosofia, poesia, história, etc, estão presentes nesta prosa tão bem esccrita e belissima.
Não sou crítico e não tenho competência para avaliar um texto deste calibre, no entanto, podemos reconhecer a marca de um grande escritor nele.
Enfim, diria que quem está de parabéns é todos nós aqui do overmundo por esta jóia literária.
Belo trabalho amigo , seu texto além de ser uma excelente homenagem , mostra um rico conteúdo sobre Amarílio Gonçalves Tavares . parabéns amigo , aprovado. Abraços...
delen · Cotia, SP 6/10/2008 11:19
Domingos,
Tenho prazer em ler sua crônica, enaltecendo uma figura ilustre da cultura cearense e que viveu na Paraíba mas não esquceu suas raízes. E por onde passou fez história. O que gosto de constatar, neste vasto overmundo, é que ficamos pequenos-gigantes pois temos oportunidades de conhecer vários trabalhos e opinar, às vezes de maneira singela, entretanto nos aproximamos cada vez mais da nossa história e dos seus fazedores.
Parabens.
Grande abraço,
Regina
Sobre a sugestão se é prosa ou poema nada mais a dizer depois da aula dada Dr. Eloy e sobre a sua obra as palavras do Hideraldo. Só nos resta aplaudi-lo pelo belo trabalho.
'
em matéria de informação nota 10 e 1000 pela homenagem, mesmo que póstuma ! valeu !
bj
Lendo este memorável texto, hora história, ora poema de louvação, fiquei encantada com a beleza da história deste criador e sua criatura, cujo nome, por si só, é um augúrio.
Maravilhoso!
beijos
Domingos
Sua prosa é rica, bem estruturada. O importante na prosa é a ordem, a claridade, o que instiga o leitor a continuar a se interessar pela leitura. E a sua faz isto...e muito bem.
Um abraço
Aqui compartilhando com Você de mais este rico texto documentário.
Luz e Paz. Sempre.
Gostei bastante. A primeira frase já é um grande convite à leitura: "Todo solo sem história é palco aberto para invencionice". Muito boa.
E aprendi sobre Amarilio, que ainda não conhecia. Texto riquíssimo.
Sucesso.
Votado.
Excelente seu texto, por favor, aguardo novos.
Obrigado
domingos meu caro...maravilhoso texto...poético como deve ser e histórico como merece ser....
parabéns pelo trabalho de primeira...
um abraço
Parabéns por tal reconhecimento.
Votos e grande abraço
Domingos,
Obrigado por nos proporcionar o prazer de tão agradável leitura.
Abraços
Parabéns, Domingos, pelo excelente texto.,
Votando.
Um abraço
Coluna do Domingos · Aurora (CE)
O Fazedor de Cultura de Aurora/Amarílio Gonçalves Tavares (*1922+2008)
Com todo Carinho e maior honra esta aqui nesta homenagem ao Mestre, O Fazedor de Cultura de Aurora Amarílio Gonçalves Tavares(*1922 -+20 .
Minha máe e meus irmáos sáo Goncalves Tavares e eu tive o nome Tavares do meu Pais e, a acáo de Amarillo nos alegra e a gente se sente irmáos como o Senhor Nazareno anunciava.
Muito legal este Trabalho que é um estímulo para nos empenharmos cada vez mais em avancar e multiplicar nossa Irmandade.
Grande abraco e Parabéns pelo Merecimento e contribuicáo para todos nós.
Fazedor de Cultura de Aurora, Amarílio Gonçalves Tavares...teu postado é importante para que venha aqui a mostrar a garra de um homem iluinado. Parabens, gostei muito de saber...texto exscelente.
ab
parabéns pelo texto e também por essa homenagem à Amarilio
Gonçalves Tavares, e podes ter certeza que Amarildo descança
tranquilo pelo aluno e pelo escritor Domingos de Luna,
abraço,
Revisitando seu texto e votando... abraços.
Juscelino Mendes · Campinas, SP 10/10/2008 21:22
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