O filósofo, o Monge e o Cientista

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Paulo Esdras · Brumado, BA
26/1/2013 · 0 · 1
 

Não sabia que horas eram e nem onde estava. Sabia que era um sonho - só podia ser um sonho. Algumas brumas deitavam sobre a grama e estava com medo de caminhar e cair num buraco ou tropeçar em algum galho.

Mas eu tinha que avançar, não sabia o porquê, mas era empurrado para frente por forças misteriosas. Algumas vezes pisei num buraco e, ao cair, pude ver abaixo da neblina rasteira. Apesar da dor das quedas, sempre que tropecei pude aprender um caminho mais seguro.

Uma matilha passava próximo dali. Pareciam seguir uma fêmea no cio. Eram uns oito cães também querendo avançar devido a forças que não compreendiam... e nem poderiam compreender, pois eram animais. Mas eu também caminhava sem saber ao certo... só queria progredir, independente para onde o caminho me levasse. Os animais seguiam aquele ritual geração após geração para ter certeza que iriam tornar-se imortais através de seus filhos. Mas passavam a vida toda presos aos instintos que transmitiam às próximas gerações pela procriação. Os mesmos cães de séculos atrás faziam o que estes aí estão fazendo agora e é possível que os cães dos séculos vindouros também o façam. O Homem, pelo contrário, progredia. Os homens do século passado faziam muitas coisas do que fazemos hoje, mas a maior parte das nossas ações atuais são estranhas e muitas vezes absurdas para a mente do ontem.

Vejo a cortina branca abrir-se para um vale belíssimo, com pássaros, um rio cristalino e uma mata verde inacreditável. Coisa de Deus. Uma bela obra de arte que transmite paz, beleza e majestade. É óbvio que isso não surgiu do nada. Algo tão belo e perfeito não nasce do acaso, da sorte. O Homem, mesmo com mostras muitas vezes de irracionalidades, possui o aparelho mais complexo da natureza. Um ser inteligente, que raciocina, que transmite cultura... Uma criação inteligente só pode ter surgido de Algo com inteligência. Isto está além de qualquer religião, é algo lógico. Os Homens, como defesa às incertezas do caminho nebuloso, criam sistemas dogmáticos para terem certeza. Fundamentados, talvez conscientimente, na lógica da Criação divina.

Descendo até o vale vejo um animal que seria impossível de ver solto na natureza em meu país: uma girafa comendo brotos das copas das árvores. Tanto alimento no chão e ela se esforça a comer sempre do alto. Uma força instintiva ancestral. Lembrei-me da teoria da evolução das espécies de Darwin.

Sobre a obra

Conto escrito em 48 horas de forma colaborativa

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Autoria
Paulo Esdras
Ficha técnica
Paulo Esdras
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ayruman
 

\"Nasce o sol, e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu.
6 O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos.
7 Todos os rios vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios vão, para ali tornam eles a correr\".

Abraço fraterno!

ayruman · Cuiabá, MT 24/1/2013 18:29
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