O FIM DA ESTRADA
Estou velho, me sinto velho. Velhos são transparentes. Ninguém mais os percebe. Não lhe dão trabalho. Se nos dirigimos a um jovem, teremos que repetir a pergunta e esperar que tire o mp3 dos ouvidos e aí, responda. O Sr Falou comigo? Meus filhos já não me pertencem, tem seus próprios filhos e afazeres. Olho para trás e vejo a longa estrada percorrida. Os amigos e amores deixados pelo caminho. Lembro das pedras removidas. Guardo os bons momentos, esqueço os maus. Dos amores guardo os momentos, do prazer, de amar. Foram tantas, louras, morenas, brancas, negras, asiáticas e até uma negra albina. A loura negra de olhos azuis mais linda que meus olhos já viram e que tive a ventura de ter..Dos amigos verdadeiros, que me apoiaram e que me socorreram nas horas difíceis, dos irmãos, os de sangue e os que me adotaram como tal, guardo saudades. Não trago mágoas, são pesadas demais para carregar. Ainda não vejo o fim da estrada, mas sei estar perto. Não sei se terei forças para alcançá-lo, talvez ele tenha que vir a mim. A única certeza é que virá inexoravelmente. Preferi buscar meu próprio caminho, pois se seguisse por trilhas já conhecidas, acabaria onde outros já estiveram. Perdi-me, mas enquanto caminhava, aprendi muito, errei muito, mas encontrei sempre uma nova estrada. Guardo a lembrança dos momentos de confraternização e amizade, das tardes de futebol, das traquinagens diárias, dos namoricos inconseqüentes da escola, dos bailes de sábado ao som de boleros e sambas canção, (será que isso ainda existe?) do dançar agarradinho murmurando palavras de amor. Da vida, guardo os momentos em que fui feliz, profissionalmente reconhecido e produtivo. Vi o mundo avançar, do carro de boi ás viagens espaciais, a descoberta da antimatéria, a internet que produz essa coisa incrível de podermos nos comunicar, sem limites. Há 40 anos atrás, se alguém me dissesse que poderia ir ao bar da esquina, levando o telefone no bolso eu diria estar louco. Não sei se gostaria de estar presente ao futuro que meus netos encontrarão. Estamos destruindo o planeta que nos foi legado como berço. Não estamos fazendo nada para conter a fome, a expansão das favelas e o avanço do tráfico, de drogas, de gente, de órgãos, de influência, de desagregação da família e da anti-cultura.
Não sei o que há ao fim da estrada, talvez não haja nada. Talvez haja um mundo diferente, sem ódio, cobiça, guerras e tantas outras invenções da limitada mente humana. Sento-me à margem e espero que o fim, da estrada venha enfim me buscar.
Alguém bate em meu ombro,- Cai fora, estás tomando o meu lugar. Percebo então que só não somos transparentes, quando estamos tomando o espaço de alguém.
Ao fim da estrada, estamos velhos e transparentes, invisíveis, já não servimos. Só somos notados quando alguém tromba com a gente e só nos percebem quando nos derrubam.
É verdade!
"- Cai fora, estás tomando o meu lugar. Percebo então que só não somos transparentes, quando estamos tomando o espaço de alguém. "
Pensei nisto também!
BJ
Sílvia
grandioso seu trabalho, gostei.votado.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 22/2/2009 22:22
Toda a estrada que a gente vai, tem retorno, ou então um desvio ou alguma maldita vicinal, um barranco, vc não está é querendo brincar como se deve, bobão !
Volta pro piques !
Num cumplica, véio !
Ass: Véio !
ahahahahahahahahahah !
velho é quem não sonha e não goza... a vida ! rs
E q delicia ela é. Vivaaaaaaaaaaa !
Poeta, envelhece nao ta? mesmo qdo chegar aos 100.
bjssssssss;)
Alguém deve ter magoado vc com palavras que um dia talvez não ouviram ,pq acredito na evolução do ser humano.
Não dê tanta importãncia a palavars jogadas ao vento!!!
O que seriam dos jovens caso não ocorrresse a maduridade?
Beijo
Doce
Poetas não morrem
Param de inspirar-se(Ana Néri Andrade)
Meu beijo
doce e amigo!!!
Nos tempos atuais, nada é, tudo está. Vivemos, talvez, a mais profunda revolução tecnologica (depois da roda); a mais profunda revolução humana. Nem jovens nem velhos, apenas somos, ou melhor, estamos. E a estrada...!
Parabéns pelo texto! Votado.
LAURO WINCK · Florianópolis (SC) ·
O FIM DA ESTRADA
Um Belo texto fruto de uma heróica caminhada pela vida.
E agora vais acabar tudo?
A morte acaba tudo
A vida era o tudo ou foi só uma caminhada cheia de lutas um verdadeiro teatro que a gente até nem entende bem.
Será que a vida é uma provacáo ou um teste feito na gente.
Valeu a pena ter feito uma digna caminhada ou ficou a udéia de que poderia ter sido diferente?
Tinha de ter o delirio da busca do lucro e do ouro ou foi melhor ter se preservado e distanciado disso.
Valeu a pena ter sido limpo?
Ou devia de ter sido também imundo?
Valeu a pena ter tido ternura e firmeza e imitadi no possível o Nazareno?
Tá om medo ou tá preparado pra chegada da hora da grande viagem?
Seu texto foi admirável.
Temos de estar prontos e vigiar por que a hora vai chegar
Parabéns.
Abracáo Amigo
É uma bela crônica, amigo Lauro. Contudo, amarga. Em uma sociedade como a nossa, que era formada pela sua maioria , de jovens, não se havia aprendido a respeitar o velho. Hoje as coisas estão mudando. Nossa sociedade começa a envelhecer e existem menos jovens para ocupar o espaço. Assim, é um aprendizado lento, mas necessário, o respeito e o reconhecimento à idade.
Você está saudável e criando, literariamente. Quer melhor? A cabeça está boa, mesmo que as pernas bambeiem um pouco. Vá em frente, companheiro.
A foto que você anexou é muito bonita. O bom, é que nela não se vê o fim da estrada. O que se vê, é muito chão para ser percorrido.
Abração, Ivette
Obrigado a todos, mas, não se preocupem. Escrevi, não só em meu próprio nome, mas, também de pessoas que embora tenham ainda grande capacidade produtiva sentem-se marginalizadas. A companhia de vocês, finalmente me trouxe para um universo onde a solidão se desfaz e nos permite conviver com gente culta que nos faz voltar a tentar ser util de alguma forma.
Um beijo no coração de todos vocês, amigos Overmanos.
Esse "cai fora" ainda está soando aqui no meu ouvido. Muito pra pensar.
Votado... parabéns.
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