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O fim do mundo

Terezinha Pereira, em 15/11/2010
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Terezinha Pereira · Pará de Minas, MG
31/12/2010 · 0 · 0
 

_ O planeta Terra está acabando.
_ Mentira!
Não se preocupe com o fim do mundo. Vá cuidar de sua vida! O planeta vai durar milhões de anos. Com mata viçosa e temperatura aprazível, ficará viçoso, exuberante e puro quando a espécie humana acabar.
No tempo de hoje, devido a diversos fatores como elevação da temperatura da Terra, consumo desregulado de água e energias, produção exagerada de lixo, espécies absolutamente indispensáveis a vida humana estão sendo extintas. Em conseqüência, o ser humano corre riscos de acabar, pois precisa da biodiversidade para sua sobrevivência. E o planeta Terra, o nosso mundo... Com o fim do homem, o mundo ficará extremamente agradecido.
_ Como assim?
A Terra sem lixo, sem ter seu seio revirado em busca de seus tesouros, sem gases prejudiciais às suas espécies mais simples e mais complexas, vingará com toda a sua força vegetativa. E, exuberante, continuará existindo, por todos os séculos dos séculos! O problema, gente, não é da Terra. A terra não precisa de nós para ser eterna. O problema é do ser humano! É nosso. Nossa vida é que está em risco, pois temos uma relação destrutiva em relação à Terra. Hoje todos atacam a Terra e essa está se tornando um lugar inóspito para se viver. Faz-se uma guerra contra o planeta e não existe nenhuma condição de se ganhar esta guerra, a não ser que haja uma mudança de comportamento do ser humano.
_ O que ainda pode ser feito para que a vida humana se perpetue sobre a Terra?
Em primeiro lugar, pensar que estamos todos juntos e não cada um, isoladamente, vivendo em cima da Terra. O que cada um faz de destrutivo, como ser individual, grupo de pessoas, região ou país, está concorrendo para abreviar sua própria vida. Assim, torna-se essencial que a sociedade dê suporte a toda espécie de vida na Terra para que ela venha a se regenerar.
_ Sugestões?
Primeiro, faz-se necessária uma mudança interior: o resgate da sensibilidade, do coração humano, da solidariedade. Sem sensibilidade, sem amor à própria vida, como se amará o outro a ponto de lhe desejar o bem? E mais uma porção de cuidados que só podem ser tomados com algum esforço: evitar o excesso de consumismo, que produz montanhas de lixo; reaproveitar as coisas produzidas, adquirir apenas o que será usado; fazer uso da água e de energia elétrica com moderação. Isso e mais alguns pequenos cuidados podem sem tomados individualmente.
Igualmente, é necessária a união das pessoas que habitam a Terra, para que os governos de todos os países e especialmente dos mais poderosos se tornem conscientes dos riscos que o capitalismo produz e administrem os cuidados em relação a qualidade de vida no planeta Terra. Se não partir do povo, babau, governo algum fará alguma coisa que produza frutos no amanhã. Prevalecerá a lógica do mercado, que gera impostos, que financia o “hoje”. ( O leitor sabe disso, não sabe?)
Isso e mais uma porção de coisas sobre o risco que o ser humano corre de ser extinto da face da Terra dentro de tempo relativamente muito curto, ouvi numa palestra dialogada entre Leonardo Boff (brasileiro, escritor, teólogo da libertação, escritor, professor e conferencista nos mais diferentes auditórios do Brasil e do estrangeiros, assessor de movimentos sociais de cunho popular libertador) e Mia Couto (moçambicano, escritor, médico, biólogo, consultor ambiental, conferencista). *
Pois é. Falo de tal coisa neste final de ano, para desejar a todos um feliz Ano Novo. Que em 2011, seja despertado em todos os povos o autêntico desejo de ser feliz e de fazer feliz cada habitante deste planeta que hoje habitamos. E, como conseqüência, que as previsões sobre o “fim do mundo” sejam revertidas para previsões de uma vida digna e saudável no planeta Terra, por muitos e muitos séculos.
*****
O que dizem Leonardo Boff e Mia Couto, defensores da vida na Terra
Leonardo Boff:

Há em nós instintos de violência, vontade de dominação, arquétipos sombrios que nos afastam da benevolência em relação à vida e à natureza. Aí dentro da mente humana se iniciam os mecanismos que nos levam a uma guerra contra a Terra. Eles se expressam por uma categoria: a nossa cultura antropocêntrica. O antropocentrismo considera o ser humano rei/rainha do universo. Pensa que os demais seres só têm sentido quando ordenados ao ser humano; eles estão aí disponíveis ao seu bel-prazer. Esta estrutura quebra com a lei mais universal do universo: a solidariedade cósmica. Todos os seres são interdependentes e vivem dentro de uma teia intrincadíssima de relações. Todos são importantes.

Mia Couto:

Acho que somos capazes de construir um outro modelo econômico, só não sei se vai dar tempo. Não se trata de uma questão de tecnologia ou capacidade, mas talvez de acomodação diante de interesses monetários poderosos. O fato é que precisamos pensar nesse modelo de gerir o mundo, de fazer economia. O modelo atual já decretou falência. Precisamos perceber isso e não encobrir essa falência política com um discurso de fim de mundo associado à questão do clima.

(Terezinha Pereira- dezembro de 2010)

* Fórum das Letras, Ouro Preto. Em 15 nov. 2010.

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* Membro da Academia de Letras de Pará de Minas
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