O Funk de Belo Horizonte

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Mc Jefinho · Belo Horizonte, MG
9/2/2008 · 65 · 2
 

O Funk em Belo Horizonte é herdeiro
direto dos bailes black que se difundiram na
periferia da cidade desde os anos 1970. Até
o início da década de 1990, os jovens freqüentadores
dos bailes não se identificavam
ainda como funkeiros, agregando-se em torno
da música e no prazer da dança. Nos bailes
não havia, como não há, uma fidelidade
um estilo musical, convivendo os mais diferentes
sons eletrônicos, além do rock e até do
pagode. Foi nos meados dessa década que começam
a aparecer os “mestres de cerimônias”
(MCs) locais, duplas ou grupos que cantavam
suas músicas, influenciados pelo processo
nacionalização do funk iniciado no Rio de Janeiro.
Foi quando começou a se delinear,
f a t o , o funk como estilo, com os jovens
identificando como funkeiros. A cena funk na
cidade está presente no circuito cultural formal,
em grandes danceterias e programas em
rádios comerciais, mas também no circuito alternativo,
nos bailes promovidos nos bairros,
em quadras cobertas ou em escolas. Isso
deve à característica do estilo ser baseada nos
bailes, um tipo de lazer que tradicionalmente
atrai uma massa de jovens, quer se identifiquem
como funkeiros, quer não.
O funk, na forma como veio sendo
construído em Belo Horizonte, é uma reelaboração
do estilo difundido no Rio de Janeiro. Não
significa, porém, que haja uma imposição linear
da mídia na produção do estilo local. O que
podemos constatar é um processo por meio do
qual os jovens se apropriam do estilo difundido
pelos meios de comunicação e o reelaboram
a partir das condições concretas em que vivem,
dos recursos de que dispõem, excluindo elementos
ou ressignificando práticas.
Essa constatação põe em discussão os processos de difusão cultural no contexto de
uma sociedade cada vez mais globalizada. O
e s t i l o funk, mas também o estilo rap, como expressões
de uma cultura juvenil, não podem ser
vistos como resultado de uma progressiva
homogeneização e massificação cultural, que
homologaria a um único registro uma produção
cultural juvenil, independentemente das
condições estruturais concretas nas quais esses
jovens estariam inseridos.
Ao contrário, a realidade dos grupos de
rap e funk e a história de cada um deles na cidade
apontam para a existência de uma identidade
própria a esses rappers e funkeiros. Uma
identidade que é fruto de uma reinterpretação
dos sons e ícones associados a esses estilos,
numa construção em que os sentidos que lhe
são atribuídos expressam não só as condições
estruturais nas quais se situam, mas também
o próprio contexto cultural do meio social no
qual vieram se construindo como sujeitos. Nesse
sentido, concordamos com Sansone (1997,
p. 171), quando questiona as teses de homogeneização
de uma cultura juvenil, mostrando
que, “ao lado de uma inquestionável globalização
do universo da cultura juvenil, mantém-
se uma série de aspectos locais, determinados
por uma história local e contextos específicos”,
fazendo com que o “local”
reinterprete o “global” de formas diferenciadas.


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informações

Autoria
Juarez Dayrell
Universidade Federal de Minas Gerais
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Andre Pessego
 

Rapaz, estou precisando de me atualisar. Conheço tão pouco dos
movimentos funks. Desses movimentos rigorosa e livremente populares. Vou começar a me informar pelo teu artigo,
um abraço, andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 10/2/2008 11:08
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Mc Jefinho
 

valeu andre... esses movimentos livremente populares hj é que dão sustendo a pessoas como eu .. abração .. obrigado pelo comentario! vlwww

Mc Jefinho · Belo Horizonte, MG 11/2/2008 12:39
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