O Garoto dos Meus Sonhos

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Riko Murakeni · Sorocaba, SP
1/12/2013 · 2 · 0
 

"Para APZ.
Garoto dos olhos verdes
que conheci no meu último ano escolar,
na aula de educação física,
e que foi fonte involuntária
desse tormento chamado de amor."

Eu apenas o observei quando ele se esbarrou em mim na aula de educação física, jogando vôlei. Lembro-me que mal o havia visto e nem sabia ao menos quem era. Tive eu de indagar sozinha sobre aquela beldade de olhos verdes, já que eu não tinha coragem de comentar sobre ele com elas.
Eu tinha dezoito anos, a idade do romantismo, e logo percebi que, o fruto daquela primeira visão, de repente, ela estava lá, presidindo meus arroubos, comandando meus sentimentos, povoando minha imaginação.
Ele, por sua vez, não ligava para minhas vistas apaixonadas.
Era alto, magro, de cabelos castanho escuro, um rosto muito belo, com aqueles olhos verdes oliva, que para meu desespero, não fixaram em mim naquela terça-feira da última semana de aula. Mãos de dedos longos, intelectualizados. Seus lábios me tiravam o sono. E em minhas noites solitárias, eu sonhava beijá-lo.
Quem não o conhecesse, não adivinharia que ele era uma pessoa tão interessante. Faltou o ano todo na escola, só apareceu no último bimestre. Naquela despedida do ensino médio, um anjo maldito vêm e mira no meu coração. Maldita hora. Maldito amor.
Eu o vi, pois aquela primeira vez, e ele me deslumbrou.
E dai por dia, por uma espécie de curiosa coincidência, passei a observá-lo constantemente. Se ia conversar com minha colega, sentava na direção oposta dele. No intervalo da escola, o procurava. Na volta para casa, andava olhando para trás, na esperança de encontrá-lo, mas ele não estava lá.
Eu parecia – na verdade era- uma idiota apaixonada. Não podia o contê-lo. Ele fora o único garoto que fizera-me esquecer meu ex-chino. Eu só sonhava tê-lo em meus braços, e mesmo sem nunca tê-lo beijado, eu podia sentir seu beijo ardente, e só de imaginar ele tocando meu corpo, tinha delírios.
No dia 19 de novembro, numa terça-feira, já estava eu prestes a mirá-lo quando entrasse na sala de aula, mas para minha má iluminação da luz divina, ele não foi para a escola.
Tive um ataque de solitudine. Só queria poder vê-lo. Demônio do amor – pensara eu – podia ser um teste para saber se eu realmente o amava ou era apenas uma paixonite.
Aquele garoto arregaçou a porta do meu coração com um pé de cabra. Se aquilo não fosse amor, era um ódio eterno de não ter um amor para compartilhar.
Nesse dia, eu olhava todo momento para trás, desejando ele estar lá, para eu desfrutar daqueles olhos tropicais e aqueles lábios afrodisíacos.
Eu imaginava que ele já sabia que eu estava perdidamente apaixonada por ele. Ele me observava também. Me observava com aqueles olhos que me procurava naquela maré. Se eu tivesse direito a um pedido, desejaria estar na mente e no coração dele.
Eu o observava estupefata, e em vão tentativa de compreender o que ele pensava enquanto olhava para mim. Eu sabia muito bem o que pensava em fazer com ele, mas essas ideias não podem ser ditas nesse texto, são sentimentos e emoções tão privadas que descrevê-las seria fazer pacto com o diabo.
Ele queria fazer direito. Pensava em arquitetura, mas decidira que direito era o futuro dele. Eu, já queria me formar em moda. Ter minha própria empresa fashionista. Sonhava que se não pudesse tê-lo naquele tempo, eu o encontraria de novo.
Meu futuro estava crescendo, eu tinha tudo para estar na A-list, mas ter toda aquela fama de vogue, talvez, não me fizesse encontrar um amor como daquele garoto.
A parte triste do amor. Ninguém diz nada. Sente, chora, ama, mas não diz o que tem de dizer.
De fato, o futuro anda de mãos dadas com o passado.
Os anos passam e talvez nunca mais se dê a coincidência de encontrá-lo novamente.
Deus, com todo esse amor infinito, com o amor da humanidade, faz o Homem sofrer de amor. A fome do amor. O amor dá fome.
Aos poucos fui aprendendo que amar é coisa difícil. Amar de verdade como se ama, leva anos, tempos de incertezas e indecisões. Tempos que vivemos de ilusões.
É um gancho que prende firme e o puxa para uma dimensão de valores românticos que não damos valor nenhum, até sermos soltos para dentro do buraco profundo daquilo que chamo de repartições da vida.
Eu podia gritar o nome dele o mais alto possível, mas eu provocaria uma tempestade de agulhas que perfura as entranhas e causam ferimentos que não se cicatrizam como as arranhadas felinas.
Coleciono essas manifestações como selos raros dos Correios. Não tem valor. É uma imagem, é a imagem dele. É ele chamando meu nome.
E esta memória termina aqui, assim como se encontra, não fosse pessoa amiga que a leu agora mesmo, sentado numa cadeira e desejando o mesmo que eu: um final feliz.
Paro um instante, para desejar em silêncio que Deus o conserve em boa paz, qualquer que tenha sido a vida que ele escolheu viver.

Sobre a obra

Este conto foi escrito um dia antes do prazo de entrega. Eu não tinha ideia alguma sobre o que escrever. E quando percebi que estava apaixonada pelo 'hum hum' eu tive pela primeira vez , coragem de escrever o que eu sentia por aquele indivíduo. Agora que as aulas acabaram e talvez nem ele saiba que ele esta neste texto talvez inútil, deixo claro, que ainda o amo, mas o futuro tem outros planos para cada um de nós.

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