O HOMEM QUE ROUBAVA HORAS

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Daniel Munduruku · Lorena, SP
27/12/2009 · 4 · 2
 


Sempre que chega o final do ano fazemos uma porção de promessas para o ano que se aproxima. Tem gente que promete aproveitar melhor seu tempo e fazer somente coisas que sejam úteis para a vida.

Tem gente que promete viajar. Diz que vai viajar para muitos lugares a fim de conhecer melhor o mundo. Faz planos de viagem, compra malas e roupas novas, ressuscita antigos trajes e renova o velho passaporte.

Tem gente que promete aprender uma nova língua. Acredita que isso é importante para poder ficar antenado com o mundo globalizado, entender melhor a linguagem que rola na rede de computadores e cantarolar suas cantigas preferidas.

Há aquelas que prometem que irão comer apenas legumes, caminhar todos os dias, fazer exercícios físicos, reclamar menos da vida, lutar pelo bem social do país, brigar menos com os filhos, com a esposa ou marido.

O fato é que o final do ano nos faz pensar mil coisas e lembrar-nos que somos seres incompletos. Estamos sempre buscando coisas que acreditamos que irão preencher este vazio que mora na gente e que, de alguma forma, alimenta nosso desejo de mudança.

Talvez fosse interessante pensarmos no tempo, esse devorador de vidas e sonhos. Sim, porque o tempo é o verdadeiro dono dos nossos propósitos. É ele que dirige nossas vidas e também as limita. É ele quem nos lembra o tempo todo que somos seus escravos.

Não pensem, no entanto, que o tempo seja um carrasco. Ele não é. É apenas um observador que está o tempo todo nos lembrando que é preciso vivê-lo intensamente. Ele ri quando ficamos querendo planejar a felicidade para depois da aposentadoria. Ri também quando planejamos perder peso, aprender línguas, viajar. Ele ri sempre que queremos dominá-lo porque queremos ser eternos ou desejamos sucesso ou reconhecimento.

O final do ano serve para nos perguntarmos sobre o que estamos fazendo com o tempo que nos é oferecido como um presente ou se estamos desperdiçando-o vivendo escravos do relógio e das horas.

Este tempo que vivemos neste período do ano nos cobra atitude. Esqueçam os presentes, os comes e bebes, as luzes, o comércio. Debrucem-se sobre si mesmos e descubram o que estão fazendo da própria vida. O tempo passa, não volta mais. Saudade não faz voltar o tempo. Planejar não congela o futuro.

Lembro de um trecho do livro que escrevi que chama “O homem que roubava horas”. Ali faço uma reflexão sobre o tempo. Digo lá:

“Viva o tempo, não viva as horas.

Só há um tempo, o agora.

Tempo de chegar, tempo de ir embora.

Quem vive o tempo, faz história”.

É nisso que acredito. É isso que vivo. Aprendi com os velhos do meu povo. Eles sabem viver o presente. Por isso me sinto como aquele homem que roubava horas para lembrar às pessoas que elas precisavam sorrir mais, conversar mais, serem mais solidárias, serem mais silenciosas e tolerantes consigo mesmas e com os outros.
Boas festas a todos os meus amigos e amigas. Desejo a todos e todas boas realizações para o ano novo e que possam ser muito felizes vivendo o PRESENTE que o tempo lhes oferece. Ano que vem tem mais.

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Claudia Almeida
 

Daniel,

...uma relexão? mesmo hoje não sendo segunda,passando e deixando o carinho da poeta!Bjs

Feliz Ano Novo!

Claudia Almeida · Niterói, RJ 29/12/2009 11:04
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romulo andrade
 

Tempo rei, ó tempo rei... transformai as velhas formas do viver ! Gil

romulo andrade · Brasília, DF 12/1/2010 13:35
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