CAPÍTULO 5
Castro chegou ao apartamento de Franco acompanhado dos policiais e da perícia. Franco o recebeu e Thais correu para abraçá-lo. – Pai! Que saudades e a mamãe? – Ela estará bem, nossos homens vão solta-la logo. Não havia muito mais a fazer por ali e castro resolveu deixar Thaís com sua avó. Precisava ir para a zona sul onde sua esposa ainda era refém dos bandidos. A polícia havia fechado todas as saídas do bairro e preparava-se para invadir o local. Atiradores de elite já estavam em suas posições e apenas aguardavam o sinal de fogo. Era noite e isso facilitava as coisas. Eram apenas dois os bandidos no local. Peterson, veterano atirador, já tinha um deles na mira O outro estava sentado a uma cadeira e pareceu pressentir algo. Aproximou-se de Olga, e mantinha agora a arma pronta. – Então o Megafone da polícia soou. “Vocês estão cercados. Saiam com as mãos na cabeça e liberem a refém” – Nada feito mano! Gritou o que estava próximo a Olga. “Vamos negociar, digam o que querem. O plano de vocês furou, a garota já está livre” – Vocês estão blefando! Nada feito. Então Peterson abriu fogo. Quase ao mesmo tempo o outro teve a cabeça atingida por outro disparo. Mas ouviu-se um terceiro tiro. E isso aterrorizou todo mundo. Correram para dentro do galpão e Olga estava caída. Um dos bandidos teve tempo de apertar o gatilho ou sua arma disparou atingindo o peito de Olga. O impactou a jogou para trás com cadeira e tudo. A ambulância já estava a postos e os para médicos trabalhavam febrilmente para aprestar os primeiros socorros. Ela estava ainda respirando, mas corria-lhe sangue pelo canto da boca. Não era um bom sinal. Rapidamente a colocaram na ambulância e seguiram para o pronto Socorro. Castro passou pela ambulância na avenida beira rio e teve um pressentimento. Ambulâncias com sirenes abertas na cidade era coisa comum no dia a dia, mas algo lhe dizia que alguma coisa havia dado errado. Acelerou o que pode e chegando ao local, viu pela expressão dos colegas que algo estava terrivelmente errado. – O que ouve? Perguntou ao capitão Mario. – Sua esposa, está gravemente ferida! – O que? Perguntou Castro enraivecido. Desferindo um violento soco que atingiu o capitão em cheio. Logo os outros saltaram e trataram de conte-lo. Ainda com a mão sobre o queixo ferido o Capitão Mario falou. – Foi um acidente. – Nada retrucou o inspetor. Vocês são uns merdas e fizeram tudo errado. Quem deu a ordem para atirar? Ok! Agora preciso estar com minha esposa, mas, aviso! Vou fundo nisso aí! Dizendo isto pegou o carro e saiu acelerado. Duas viaturas da polícia o acompanhavam e uma delas tomou a dianteira e ligou as sirenes. O inspetor chegou ao hospital e foi direto para a sala do diretor. – Como está ela? Perguntou. O diretor médico com ar muito preocupado falou. - Sente-se inspetor. Ela está agora na sala de cirurgia e devo preveni-lo de que o quadro é muito grave. No momento está em coma induzido. Os dois se entreolharam e ficaram em silêncio. O inspetor resolveu sair da sala do médico e foi comprar um maço de cigarros, havia deixado de fumar a algum tempo, mas agora só umas tragadas iriam lhe devolver os nervos ao lugar. O momento era terrível! Em sua carreira já presenciara muitas situações como esta. Agora era sua vez. Sentou-se em um sofá, apanhou uma revista, mas não conseguiu ler nada. Tentou colocar as idéias em ordem e pensar sobre tudo o que havia se passado até ali. Neste meio tempo Júlio chegava ao apartamento de Tikão. Antes de bater na porta, preparou a arma e preparava-se para tocar a campainha quando ouviu gemidos abafados. Com a arma em punho, rodou a maçaneta e empurrou a porta com força. Estava aberta e seus olhos depararam com Tikão caído, recostado contra a parede e com o peito ensanguentado. Ligou para a polícia chamando uma ambulância. – Quem fez isso? Perguntou. O criminoso falava com muita dificuldade. – Foi o Avelino. Nós brigamos e ele atirou em mim. – Sim, mas por quê? – Eu não agüentava mais, ele me obrigava a fazer coisas que eu não queria. Já fiz muita maldade, mas estava tentando me recuperar. Ele me ameaçava de extradição caso eu não fizesse o que me pedia. Como matar aquelas garotas, e outras coisas. Eu vou morrer, mas antes quero que saibam de tudo... Tikão desmaiou. Júlio ligou para o celular de Castro informando do ocorrido. – Certo, temos agora uma acusação formal, mande expedir um mandato. O inspetor desligou e tentava conectar os acontecimentos. Avelino deveria ser o estuprador das garotas. Lembrou-se da gravação das conversas telefônicas. “O bifinho está na mesa” deveria referir-se as meninas mortas. Provavelmente Tikão as aliciava e depois entregava ao Avelino. Depois do serviço feito ele as matava. Uma suspeita forte começou a tomar conta dos pensamentos de Castro. Um elo não estava se encaixando em seu raciocínio. Avelino não era o tipo de delinqüente capaz de negociar com laboratórios internacionais. As garotas mortas, o mafioso italiano, a boate onde Tikão trabalha e as ligações com matadores profissionais ligavam-no a uma cadeia de delitos relacionados provavelmente com drogas, prostituição e exploração sexual de menores. Agora para incriminá-lo pela morte das meninas, bastava um exame de DNA. Duas pessoas estavam mortas e apesar das suspeitas não havíamos ainda conseguido ligar o nome de Avelino nem ao programa de computador nem ao roubo da fórmula. Deveria haver uma terceira pessoa ligada ou não a ele. Quanto às mortes de Abel e a esposa, podem ter sido obra dos mesmos homens que mataram o mão de vaca. Pelo menos o estilo de fuzilamento implacável, era o mesmo. A chave desse mistério tem que estar relacionada com a fórmula. Neste momento o inspetor foi arrancado de seus pensamentos pela presença de sua mãe que trazia junto Tahís. Aproveitou para ir até em casa, precisava ver se não estava faltando nada para a Chita. A macaca havia ficado sozinha e a casa estava uma verdadeira bagunça. Castro foi ver o pote de água e a tigela onde costumavam servir os alimentos e Chita estava às voltas com o travesseiro sentada no sofá da sala. Era a terceira vez que era surpreendida nesta atitude. Escarafunchava com o dedo indicador, como se quisesse fazer um buraco ou encontrar um furo. –Está bem me de isso aqui! Vamos ver o que você procura. Algumas dessas almofadas possuem um pequeno fecho éclair e esta o possuía, Chita apenas não atinava para isso. Então o Inspetor resolveu apalpar a almofada e notou algo duro em seu interior, um pequeno objeto. Resolveu abri-la e qual não foi o seu espanto quando descobriu um pen drive! Mal esperou para colocar o pequeno aparelho em seu computador. Havia uma pasta com um nome em código “ZZ4BD55FE7” Dentro da pasta um documento do Word Criptografado. Havia também uma carta ou rascunho de e-mail que dizia: “ Karina, suspeito que minha vida está em perigo. O R.M.L me fez uma proposta para compra dos direitos de produção da fórmula que te falei. Não aceitei é claro! Mas gente desse tipo, não aceita recusa. Tem muito dinheiro em jogo. Temo pela minha vida e o Abel está tentando uma transferência para a Suíça. Mas isso ainda pode levar tempo. Depois conversamos mais.” O texto terminava por aí, nem dava para saber se havia sido enviado. Parecia que havia sido interrompido antes. A data de gravação era de dois dias anteriores ao do crime. O Inspetor enviou o conteúdo por e-mail para o escritório. Guardou o aparelho no cofre e voltou para o hospital. Chegando ao local, quis saber como estava Olga. Sua mãe havia chorado ainda estava com os olhos inchados. – Filho! A situação é muito séria. Os médicos estão perdendo as esperanças. – Castro tomou a filha no colo e a acariciava sem poder conter as lágrimas que começavam a brotar-lhe dos olhos. – Pai! E agora? Mamãe vai morrer? Thaís também chorava agarrada ao pai. - Não filha! Se deus quiser, não! As 3 h da manhã, o diretor médico apareceu à porta e todos se levantaram. – Inspetor, lamento, mas não há mais nada a fazer! Nós a perdemos. Caiu um silêncio mortal e ninguém conseguia balbuciar uma única palavra. Apenas choravam. Olga estava morta. Castro colocou as mãos no rosto deixou-se cair no sofá. Os responsáveis iriam pagar muito caro, disto ele tinha certeza.
CONTINUA
Mais uma vez Chita é fundamental nas investigações. Uma desgraça se anuncia e o caso se complica.
LAURO WINCK · Rio Pardo (RS)
O Inspetor e a macaca -5
Um Conto de muito movimento e uma perda muito sentida.
Perda que os leitores ficam torcendo para escapar e soifrem duplamente a dor da perda.
A Luta e o conto continua.
Com todo sentimento e atenção pelo que virá.
Parabéns.
Abração Amigo.
A emoção continua, as nossas viagens junto com o enredo leva-nos a imaginar 'N' coisas mas acredito ser melhor esperar o próximo capítulo.
abraços,
kfarias
Votando e esperando pelo próximo capítulo...
Beijosss
Muito bom esse capítulo
\perder mas vamos ao ganhar(???)
Esperemos...ab
E segue a trama!!!Feita com maestria!!Vamos lendo esses capitulos maravilhosos.Bjs de domingo.
Marley · Campo Grande, MS 6/12/2009 13:34Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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