CAPÍTULO 6
Passaram-se alguns dias depois do funeral de Olga e Castro precisava voltar ao trabalho. Sua cunhada Célia irmã de Olga ajudava a cuidar de Tahís, era dedicada e sempre nutrira certa admiração pelo inspetor. Chita agora mais tranqüila voltava a aprontar suas traquinagens que ajudavam a minimizar o ar pesado. Célia nesta noite preparava o jantar e Castro como sempre já mergulhava no trabalho. Fez uma pesquisa e o único laboratório que se encaixava nas iniciais R.M.L., era o RANDEL MEDICHAL LABORATORY da Suíça. Lembrou-se de dar uma olhada no Orkut que já andava meio abandonado. Não havia nada de especial além das costumeiras gozações dos amigos torcedores como ele. Resolveu digitar o nome de Beatriz no campo de busca do Orkut, as mulheres geralmente têm páginas ali. Não deu outra. Mas lhe chamou a atenção mensagens trocadas entre Beatríz e sua amiga Karina onde seguidamente referiam-se a R.M.L. Resolveu examinar a relação de amizades anexas ao programa, Beatriz parecia ter centenas de amigos, mas um em particular fez com que Castro quase caísse da cadeira. Roberto Mancuso Louzada. Castro acessou a página de Mancuso e a surpresa foi grande. Isto agora mudava toda a história com o agravante de que Mancuso tinha um irmão que trabalhava na filial de um laboratório multinacional em Brasília. Então o R.M.L. referia-se provavelmente ao nome de Mancuso. Na manhã seguinte chegando ao trabalho foi informado de que Avelino fora preso no aeroporto Salgado Filho, tentando embarcar para a Suíça com 100 mil dólares não declarados. Júlio efetuara a prisão acompanhado de vários federais que também estavam no encalço de Avelino por lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, formação de quadrilha e mais algumas outras acusações além dos assassinatos das meninas. A estas alturas, Castro já formara uma opinião completa sobre o caso. Restava apenas tomar as medidas habituais de mandatos judiciais etc. Antes precisava resolver outra questão que o incomodava. Foi até o batalhão de operações especiais. Peterson o recebeu em sua sala. – Sente-se inspetor. Aceita um café? – Claro! Respondeu Castro. – O que o trás por aqui? – Peterson! Quero saber os detalhes da operação e quem deu a ordem para atirar. Peterson visivelmente constrangido sorveu um longo gole de café e ao final desabafou. – Inspetor! A ordem partiu do capitão Mário. Não havia razão para atirar. Mas o senhor sabe que nessas horas a gente funciona como um robô. A tensão é muito grande e afinal, somos treinados para isso. Mas o capitão está sendo investigado pela Corregedoria da polícia, por envolvimento em ações desastrosas e abuso de autoridade. O inspetor deu-se por satisfeito, despediu-se de Peterson e voltou para seu escritório. Resolveu examinar o histórico de serviços do capitão Mário e encontrou muitas irregularidades. Ao final da tarde voltou para casa. Naquela noite iria pegar Célia e Thaís e leva-las para jantar fora. Precisava relaxar um pouco e havia prometido à Tahís. Foi uma noite agradável e até o fez esquecer um pouco do trabalho. Depois foram até uma sorveteria, a noite estava quente e sorvetes sempre caem bem com o calor. Na manhã seguinte Castro dirigiu-se a procuradoria geral do estado. Apresentou-se na sala de Mancuso que o recebeu cordialmente. – Inspetor! A que devo sua visita? – Sr. Roberto Mancuso Louzada, é esse o seu nome não! – Sim! Mas por quê... – Por que o senhor está preso, acusado das mortes de Abel Linhares e sua esposa Beatriz, aliás, o senhor andou dando em cima dela certo? – Inspetor, o senhor está louco? – Não! O senhor soube da grande descoberta que Beatriz havia feito e resolveu se aproximar, afinal seu irmão de Brasília era um ótimo canal para vender a fórmula. Quanto vale este papelzinho? 30 milhões? Mais? Primeiro o senhor tentou via Orkut, mas parece que se deu mal. Então o senhor fez a oferta que Beatriz recusou. Aí não restou alternativa. O senhor contratou o Avelino para fazer o serviço sujo. Mas o senhor é esperto então jogou o CD com o programa do estado pra cima do Abel, com isso lançando suspeitas sobre o Avelino que estava dando uma rasteira no cunhado. Quanto o senhor pagou ao capitão Mário para queimar os arquivos?
– De que arquivos o senhor está falando? – Dos seqüestradores da minha mulher é claro.
Se eles fossem presos falariam. Mas, o senhor esqueceu o Avelino ou ele escapou e estava tentando fugir? – Inspetor, o senhor não tem provas! – Há tenho sim! Inclusive da sua participação no estupro e assassinatos de 7 garotas desaparecidas. – Inspetor isso é loucura! – Não é não! Você sabia que o Avelino tentou matar o Tikão? – Quem é esse Tikão? – Hora! Não seja ingênuo. Avelino é bom em mandar matar, na hora dele apertar o gatilho, digamos que é um fiasco. O Tikão sobreviveu e deu todo o serviço. – Inspetor o senhor está blefando! Agora Mancuso estava visivelmente nervoso. O senhor me acompanha? Ou tenho que chamar os meus auxiliares? – Esta bem, mas quero a presença do meu advogado. – Claro! Mancuso levou a mão ao telefone, mas desviou no caminho tentando abrir a gaveta onde havia uma arma. O inspetor permaneceu impassível. Mancuso agiu muito rápido, mas antes que pudesse apontar a arma, foi atingido no peito. Caiu sobre a mesa e ainda tentou apontar e disparar, mas suas forças o abandonaram e ele caiu pesadamente sobre a mesa. Os outros policiais entraram e o inspetor estava calmamente guardando a arma que estivera o tempo todo em sua mão por baixo do paletó sobre braço esquerdo. Aguardou a chegada da perícia e deixou o local, não havia mais nada para fazer ali. O inspetor então pegou seu carro e dirigiu-se a casa do capitão Mário. Mário morava sozinho em uma bela casa no alto do morro da Glória. Uma pequena mansão muito acima da renda mesmo para um capitão da polícia. A empregada o atendeu. – O capitão está na garagem lá nos fundos, o senhor pode ir até lá se quiser. Castro concordou com um gesto e deu a volta a casa. Trazia uma arma na mão e ao vê-lo o capitão ergueu-se de uma prancha onde examinava o assoalho do carro. – Inspetor! Foi um acidente! Castro jogou a arma rente ao chão em sua direção e falou. – Pegue e atire! O capitão apanhou a arma e apontou. – Inspetor, o senhor deve estar louco. Vou matá-lo em legítima defesa. – Então atire! O capitão apertou o gatilho, mas a arma falhou. Então o Inspetor atirou. Atingido no peito o policial caiu e ainda tentava atirar. – Não vai funcionar! Sabe por quê? Estas são as armas que vocês compram para os soldados. Armas de baixa qualidade enquanto desviam as verbas. Esta aí já matou três bons soldados! Agora é sua vez de provar o veneno. Este aqui é pela minha esposa.
Então o Inspetor atirou novamente, desta vez na cabeça. Ligou para a polícia. Júlio chegou junto com os outros policiais. A cena era óbvia, o capitão caído com a arma ainda na mão, não deixava dúvidas. Passaram-se dois meses e os exames de DNA comprovaram o envolvimento de Avelino e Mancuso no estupro e assassinato daquelas garotas desaparecidas. Tikão morreu em conseqüência do ferimento a bala. Avelino foi condenado a 90 anos de prisão pelos seus crimes. Castro viajou para Brasília onde entregaria a fórmula completa ao Presidente da república que com certeza iria quebrar a patente para produzir o medicamento no Brasil. Júlio chegou para trabalhar e sentia falta do amigo que havia agora tirado umas merecidas férias. Estava absorto, tentando achar algo na internet para passar o tempo e nem prestara atenção ao envelope sobre sua mesa.
Edinéia trouxe-lhe um café e comentou. – Vamos ter festa então? – Festa? Por quê? – Uhé! Não viu o convite? – Convite? – Sim, cara, aquele envelope ali. Júlio abriu o envelope. Era um convite de casamento. De quem? Castro e Célia! – Hora! O inspetor não brinca em serviço! Vamos ter uma festa e tanto! Quer ir comigo? – Claro! Finalmente me convida pra sair! Ufah!
FIM
Castro descobre no orkut o verdadeiro criminoso por trás dos assassinatos e o ajuste de contas é inevitável...
Lauro
belo desfecho e bem bolado. Intenso e cheio de suspense
que bom se na vida real houvesse essa justiça e os bons vingasssem e que o presidente fosse de inteira confiança para receber formulas de medicamentos e quebrar patentes sem favorecimento a apaninguados .
Vaaleu!!!
bjs
LAURO WINCK · Rio Pardo (RS) ·
O inspetor e a macaca - Final
Um Fim de Aventura muito especial que vai ficar maracada na nosdsa memória pelo fato da importância de não haver abuso de autoridade e não seu usada força desnercessária inclusive com consciência de não causar mortes que podem ser evitadas.
Não temos de matar criminosos, temos de ter prisões e um projeto humano digno e eficiente de recuperação dos Criminosos.
Parabéns por mais uma Aventura Especial, que não tem como a gente não lembrar, pelos seus destaques e com admiráveis inivações de assuntos, temas e costumes da atualidade.
Abração Amigo.
Pena amigo querido que não li os outros textos mas esse foi fantástico o desfecho sensacional!
Beijos meus!
gostei,votei
desculpa aew a ausencia...
Tudo acabou bem... até com festa de casamento!
Beijossss
E todos foram felizes para sempre e quem errado estava teve seu merecido castigo.
Parabéns,
kfarias.
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