O INVENTÁRIO
Amarildo foi um personagem e tanto. Digo foi porque já se foi mesmo. Todo o mundo sabia que ele era chegado em jogo, bebedeiras e mulheres. Mesmo sabendo que ele batia na esposa quando bebia, o pessoal gostava dele. Ele era agradável, sempre estava pronto para servir e sabia cativar. Tinha três filhos sendo um deles, uma menina muito bonita. A esposa, se não era perfeita,( ninguém o é), era agradável e transmitia uma serena paz, nunca deixando transparecer o que lhe ia no íntimo. As amigas mais chegadas, sabiam o quanto ela sofria, mas nada podiam fazer. Fazia pastéis bem recheados, que eram vendidos no porto e não lhe faltavam clientes. Mas quando Amarildo chegava bêbado, era um Deus nos acuda, as crianças corriam a se esconder debaixo da cama, e ela quando podia corria para a casa de vizinhos, quando não podia apanhava que só e a troco de nada.
Um dia, ele inventou de lançar facas nela, como aqueles lançadores do circo. Colocou-a de encontro à parede de braços abertos, amarrou-os num prego, e vamos brincar... Ela tremia e chorava, pedindo a Deus que aquele louco morresse de uma vez. Quando uma das facas lançadas feriu-lhe o braço, ( tem a cicatriz até hoje) ela desmaiou. Tão logo pode, resolveu dar um basta e delatou-o. Amarildo ficou preso pouco tempo, e logo que saiu continuou bebendo e aprontando.
Mas o tempo estava passando e as crianças crescendo, Marta , que se não era a esposa legitima ( ele havia deixado uma tal de Terezinha, sabe Deus em que Estado) resolveu que tinha de acabar com aquela agonia de vez. Começou a trabalhar em dobro e a juntar dinheiro para ir embora. Vendeu quase tudo o que possuía, pois Amarildo nestas alturas, já estava com outra e pouco aparecia em casa. Teve passagem de avião paga por pessoas amigas e um belo dia se foi de Manaus com um filho adolescente, pois dois deles já estavam casados e trabalhando em outro estado. Quando Amarildo apareceu, assustou-se, a casa vazia... tão vazia!
Mas ficou vazia pouco tempo, logo ele trouxe Catarina para morar com ele juntamente com 4 filhos, dos quais nem ele sabia quantos eram dele. Mas Catarina se mostrou legal e logo fez amizade com os vizinhos. Amarildo continuo bebendo mas aprendeu a se comportar e tinha medo, depois que Catarina ( que era bem mais forte que Marta) andou lhe dando o troco mais que merecido. E a vida continuava até que Amarildo soube que Marta, estava com outro, e virou uma fera. Pegou um avião e foi atrás de todo o mundo.
Chegando lá, não encontrou o rival, mas encontrou a ex em casa, a briga começou e a quebradeira também, até que seu filho chegou e se interpôs. A briga foi bem feia, tanto que os vizinhos chamaram a policia e os três foram parar na delegacia. Amarildo ficou proibido de chegar perto da casa, dos filhos e da ex.
E o tempo passou. De repente Amarildo descobriu-se com câncer. Já aposentado e com um pouco de dinheiro sobrando, reata a amizade com os filhos e reedescobre o prazer de viver mesmo doente, pois que, ainda não estava morto.
Um dia, a morte chega, Catarina, com ele até os últimos minutos, durante os quais ele lhe diz que no cofre havia um inventário. Era para ela esperar um mês e abri-lo na presença das outras duas esposas. A chave lhe seria entregue por alguém. Todo mundo ficou curioso para saber o que havia no cofre e de pronto se esmeraram para juntarem-se e repartir o que fosse que estivesse no inventário e no cofre.
Chegou o dia, todos reunidos, chave na mão e cofre aberto.
Dentro só uma folha de papel
Na folha de papel mais de 100 nomes de mulheres.
A começar pelas 3 esposas.
Terezinha, Marta, Catarina, ........e segue o nome das demais, ou seja , das inúmeras mulheres com as quais ele havia tido um caso, mas dinheiro mesmo, nem um centavo
É dose ou não é?
Doroni
Esta história é real, só mudei o nome dos personagens.
Amarildo se foi (e explicou porque tantas mulheres
choravam em seu velório) e Terezinha também se foi.
Catarina continua em Manaus
E vi Marta em Cascavel.
É Doroni,
dizem que a arte imita a vida. Mas neste caso, é a vida imitando a arte
Esse Amarildo era mesmo dose!
beijão
Doroni, amiga: que realidade cruel. Parabens pela prosa. Bjos.
graça grauna · Recife, PE 22/3/2009 20:30
Só tenho a dizer: É, este Amarildo era dose! [muitas doses da mardita!]. E há muitas Martas sofrendo aí pelo mundo...
Onivaldo Paiva · Uberlândia, MG 23/3/2009 03:03
Branca, é verdade,
na maioria das vezes é a vida imitando a arte e pregando peças.
Graça,
A realidade é cruel e tem muitas mulheres que sofrem
a vida toda por medo de enfrentá-la.
Onivaldo.
Esse Amarildo era dose mesmo, quanto as Martas...
Interessante é que as mulheres só tomam uma atitude
em casos extremos, porque a esperança é a ultima que morre
Bjs a todos.
Doroni.
Adorei a história. Muito criativa e sugestiva.
Bjs
Voltarei para o voto.
bjim
É esse Amarildo era danado heim , coitada dessas mulheres uffa !!! Ainda bem que o fim chegou , parabéns querida excelente texto . Beijosss
delen · Cotia, SP 23/3/2009 11:39
Infelizmente os Amarildos ainda são muitos. Mas a nossa campanha contra o álcool, disparadamente a droga que mais mata no país, resume-se ao inócuo, "beba com moderação", como se os Amarildos da vida saibam o significado disso.
bjs
um capeta esse cara, hein ?...ta cheio , Doroni...
Bela narrativa de um caso, que são casos reais...
bj
Doroni,
Que história triste como muitas no Brasil e no mundo,parabéns,bjs.
adorei , principalmente a parte do dia que ele resolveu lançar facas , muito bem narrada , pena que real
jovel · Três Passos, RS 23/3/2009 16:46
Doroni querida, que historia hein!!!!!
Até hoje tem gente assim de montão. É o homem que não deixa a mulher trabalhar para mante-la submissa... A mulher que não reage por medo de enfrentar só a vida. Quando a mulher se garante, vai a luta, denuncia os maus tratos tudo muda e melhora. Problema é fazer pessoas simples do Interior pensar assim... Pô ainda bem que o malandro fechou o paletó. E ainda gozou da cara de todas... É mole? Bem Doroni Legal , muito bem contada, nos prende até o fim. Parabéns, Bjs, Mirtes
Cometário do Kaparaó que está em SUGESTÃO
Adorei Doroni, sua linguagem [e extremamente coloquial , limpa e deixa a pessoa a vontade para imaginar o fato real, as cores e cheiros , adoro quem sabe escrever alem das palavras.
Kaparao
Kaparao · Divino de São Lourenço (ES) · 23/3/2009 17:20 alerta
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Sua opinião:
É isso ai Mirtes,
quando a mulher é independente não aguenta desaforo
de machão e beberrão ainda por cima.
Amigos ,
obrigada a todos pela atenção e o carinho
dispensados ao meu texto
Bjs & Bjs
Esse Amarildo é do car..., mas, produto alimentado pelas martas da vida.
bjs
Marcelo shytaraLira
Tem pessoas que vão tão tarrrrrrde de nossas vidas, não ?!
gostei do conto.
bsssssss;)
O Amarildo deixou saudades? Parece que sim, já que tantas exschoravam no velório. Não é que esses caras ainda tem sorte na vida?
Ivette G M
O INVENTÁRIO
Doroni Hilgenberg · Manaus (AM)
Você é Uma EscritoraExtraordinária.
Agebte vai lendo com a respiração presa at~e o final por causas das aventuras do Amarildo e sem sabver o que pode vir dele.
at~e que no final, não vai vir nada.
Então a gente solta arespiração e sorri .
Você descreveu com perfeição e nos passando todaacarga emocional.
Sempre eu desaprovei o amarildo, mas gostava dele tamb~em.
Aprontou mil e umas e reparou como pode.
Deus o tenha.
Você é o máximo.
Parabéns.
Abração Amigo
Esse Amarildo, hein?
Me fez lembrar um conto de Mia Couto, "O fio e as missangas"; metáfora para um don juan e suas mulheres.
Parabéns pela bela narrativa!
Obrigada Lauro
e agradeço a todos pela preseça
e pelos comentários gratificantes.
bjs
Doroni amiga com muito prazer volti para o meu voto. Bjs, Mirtes
Mirtes Carvalho · Rio de Janeiro, RJ 24/3/2009 19:41
Doroni,
Esse Amarildo era mesmo danado, fora sua imperdoável violência, ele era um Sultão.
Será que é por essas e outras que o Nelson Rodrigues diz que as mulheres gostam de apanhar ?... dizem que no Brasil para cada homem existe 6 mulheres, alguém deve estar com 11 porque só tenho uma...
Beijos
Amiga Doroni,
Já tinha visitado o seu postado e deixado o meu comentário, não sei porque ele não está aparecendo.
Mais fica aqui o meu voto, com todo prazer
Beijosss.
um texto impecável, muito bom.votado.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 24/3/2009 21:37
Votadissima, mais 1000, sem piscar
Kaparao · Divino de São Lourenço, ES 24/3/2009 21:54Como sempre uma historia bem contada. Parabéns e meu votinho.
Omar Costa de Umbro · São Paulo, SP 24/3/2009 22:09
o clima de crônica, a linguagem próxima,
tudo torna esse texto elegível,
e mais não digo
Doroni, a vida nos dá histórias muito boas para se contar. Mas poucas pessoas podem escrevê-las como se deve...
Seu texto é uma delícia de se ler e prende a gente até o final.
Parabéns!
Beijos,
Aube.
Uma história real que infelizmente não é única! Parabéns pelo texto, bjão!
Nilcéia Antonioli · Curitiba, PR 24/3/2009 23:25
Obrigado amiga
Lendo seus textos,muito bons
Votado! Andei sumido mas voltei... estou publicando uma nova imagem... essa é muito significativa... Aguardo sua visita!
Luciano Colossi · Florianópolis, SC 26/3/2009 02:01
Doroni
não sei porque me lembrei de "memórias póstumas de Bras Cubas".
a unica moral que eu vi nesta historia, é que as mulheres deveriam ser um pouco mais espertas.
este cara era um verdadeiro lixo.
Gostei e votei.
um grande abraço.
e esse cabra ta tendo sossego nada, deve estar vagando um bocado enlouquecido por vales profundos, inóspitos, e horriveis talvez. é talvez, mas isso náo é sentimento de vingan;a
Bjo
tem um amigo meu, o Amarildo, vou ler pra ele o teu texto
se bem que não... acho que ele não merece!
beijo DD
Relatos como este comumente acontece. E rendem muitos contos prá lá de engraçados. Infelizmente tem muitos como ele e muitas mulheres de olhos vendados e mão atadas concordando com esse tipo de relação de violencia de desrespeito...
Adorei te ler
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