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O Julgamento de Deus

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Anísio Lana · Gaspar, SC
11/12/2009 · 1 · 0
 

No fim dos tempos a terra que conhecemos não mais existe. A transformação foi completa. Das coisas abolidas pela atual sociedade de sobreviventes da grande catástrofe foram as religiões. Pregam os cultos que se a fé não foi útil antes não será agora.

Antes vivíamos em um mundo repleto de filosofias e crenças e onde nos levaram tais conhecimentos. A raça humana já era descrente e os atos também humanos, tanto de homens bons quanto ruins tornaram a cada dia, a cada gesto, repletos de dúvidas e temores.

Um dos grandes eventos do fim dos tempos foi o julgamento do Diabo. Sua sentença não foi à morte, mais viver entre os mortais. Sem influência e como atuar, sua imagem de medo se tornara frágil. Seria considerado por todos um pedinte. Permaneceria no lado negro do hemisfério, junto da escuridão, da fome.

O julgamento de Deus também aconteceu. Todos olhavam para a reluzente imagem que andava devagar. Deus estava sendo julgado, não por causa do fim do velho mundo, mais por ter permitido ao velho homem uma liberdade sem limites. Na visão dos cultos o que fez Deus quando os homens se consideram Deuses e como poderia ter deixado nas mãos humanas o destino da humanidade.

Deus apenas ouvia o pronunciamento. Durante todo o seu julgamento nada falou. Qual foi sua interferência, dar a nos a morte. Tirar-nos da luz e jogar-nos na escuridão. Seria a morte útil, a uma sociedade acostumada a matar. Qual sua utilidade, a não ser provocar mais dor. No coração de mães e na voz embargada de filhos.

A sentença de Deus foi a sua própria morte. Seria enforcado em praça pública. A tese defendida era ao morrer Deus, e o homem persistir, tudo o antes não passaria de uma farsa. Por alguns minutos enquanto o clarão de seu corpo diminuía ficou agonizando. Retiram a corda de seu pescoço e seu corpo desfalecido caiu ao chão.

Condenar o Diabo e Deus foi um objetivo da atual sociedade. Vivendo na terra o Diabo, não teria o homem um inferno para ir. E ao matarem Deus, não passariam por um julgamento. O novo homem não era diferente do velho homem provocador de sua destruição. Um apenas terminou o que o outro começou.

Assim terminou a raça humana.e ninguém nunca soube qual a verdade absoluta.

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A. Lana
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