Então estendeu o mapa sobre a mesa, se inclinando para ver bem de perto. Sua expressão mudou de cansado para interessado, de interessado para deslumbrado. Afrouxou o nó da gravata. Um rio, uma estrada, uma cidade, outra cidade, uma ponte. Com a caneta faz uma marca no ponto de partida, a grande metrópole com sua cor cinza, onde está, dentro de um dos inúmeros escritórios que se situa dentro de um dos inúmeros prédios. Acompanhando a estrada em direção ao norte vai traçando uma linha com a caneta. À medida que seu dedo avança a cor do mapa vai ficando cada vez mais verde escuro, as palavras com nomes de cidades, de rios vão diminuindo. Ate que a linha da estrada se acaba. Sua expressão é de quem encontrou, ou pelo menos sabe qual é, seu objetivo. O grande rio que interrompe a estrada. Neste ponto onde a estrada encontra o rio, uma única palavra : “balsa”. A palavra parece dar um choque nele. A marca da caneta não atravessa o rio.
A BALSA
Os caboclos que moravam por ali estavam no barranco do rio, olhando os homens do corpo de bombeiro, no trapiche. Os trajes de mergulho provocavam espanto, o fato de serem da capital, admiração. Os que estão no trapiche aguardam com ansiedade o bote inflável que vem com alguns mergulhadores e um cadáver, que acaba com a ultima possibilidade de sobreviventes no naufrágio da balsa. Após estender o corpo no chão do trapiche, o sargento se aproxima. Faz o sinal da cruz, hesita, mas começa a verificar os bolsos do cadáver. No bolso da jaqueta, pensa ter encontra a carteira do morto, mas se decepciona quando percebe que se trata de um pedaço de papel dobrado, que quando desdobrado se transforma num mapa. Quando o sargento desdobra o papel molhado,uma linha de tinta borrada começa quase na borda inferior e termina no meio.
Micro-conto, sobre determinacao e fatalidade.
Caramba Heraldo ,eu leria um romance seu com muito interesse!
Parabéns!
beijos daqui,
Nina, depois que postei é que observei que tinha algumas palavras truncadas. Ja corrigi. Quanto a ler 'um romance': nao provoque.
Bjs e grato.
Como eu disse, Heraldo, eu sou prolixa. Você é sucinto e comunica muito em poucas palavras.
Parabéns e votado. Ivette G M
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