Dentro de mim mora um menino. Não me refiro à lembrança tenra da aurora habitando o meu coração. Este vive nas minhas entranhas, mais ou menos entre o útero e o estômago. Trata-se de um moleque daqueles bem levados e sardentos.
O menino que em mim mora é do tipo que leva a mãe a comentar com as amigas: “não sei mais o que faço com esse menino”. É um menino de boletim vermelho e bochechas grandes, calças curtas e idéias mirabolantes, que perturbam a professora e a vizinha.
Ainda não consegui descobrir qual a fórmula para despertá-lo, mas pressinto quando ele irá surgir e abalar minha imagem de mulher sensata. Desconfio que ele consegue enxergar pelo meu umbigo e, ao se deparar com uma travessura irresistível, age sem que eu nada possa fazer.
Em diversas ocasiões, já tentei me explicar: “Olha. Não fui em quem disse isso. É que dentro de mim mora um menino muito mal-criado. Foi ele quem fez esse comentário totalmente inapropriado. Eu seria incapaz”. Nunca houve, porém, um ouvinte ofendido que acreditasse em mim. São poucas as pessoas que servem de morada para um menino.
Eu consigo identificar quem também tem um menino desses incorrigíveis dentro de si. Na verdade, é o meu menino (digo meu, mas não o comprei. Foi ele quem me escolheu) que reconhece e sussurra. “Tá vendo aquela pessoa? Ela também tem um menino dentro dela. E digo mais: ele é uma peste. Podemos ficar amigos?”. Eu resisto. Mas ele insiste tanto... Acabo cedendo. Sempre nasceram aí, amizades loucas, incondicionais e eternas.
Que massa, Jolie! Gostei muito!
Esse meninos que habitam alguns adultos são como aquelas porções frescas e viçosas que ficam no centro do tronco das árvores de cascas duras e secas: sempre vão remeter as lembranças àquelas épocas em que o mundo ainda era uma mudinha verde.
Tenho um guri desse, bem pimenta, cá dentro. Ele pinta horrores de vez em quando. Mas como gosto dele e sempre vou ao seu socorro protegê-lo, assumo as culpas dele todas. (risos)
Abração!
Amei esse texto!
Leonardo Beltrão · Belo Horizonte, MG 12/4/2007 00:20
Jolie,
Muito bom, acredito que muitas de nós, mesmo mulheres, têm meninos travessos, indomavéis dentro de si, eu me declaro um delas!
Parabéns!
Marluce
Carlos, Leo e Marluce, muito obrigada pelos comentários. Adorei a metáfora da natureza e é justamente isso. Meu menino mandou um abraço para os seus.
Jolie Moysés · Belo Horizonte, MG 12/4/2007 08:26Eu já corrigi, disse que era para os de vocês. Ele riu e disse: os dois são abraços, né?
Jolie Moysés · Belo Horizonte, MG 12/4/2007 08:49
Te digo: eu e um amigo da FALE tecemos uma brilhante teoria que irá revolucionar a Medicina do século XXI. Resumidamente: todos nós temos, dentro de nosso corpo, um anão! Ele come, bebe e movimenta nossa anatomia. Fantástico, não´? Depois do anão da mesa de brilhar e do anão da máquina de refrigerantes, essa é a maior teoria da ciência moderna.
zepereiranoticias.blogspot.com · Belo Horizonte, MG 13/4/2007 10:02
Menina, que belo texto! Instigante tudo: a narrativa, a inventividade, as curvas do pensamento e aquele nó que nos amarra por dentro. Enfim, fisgada pela sua prosa.
Beijo grande.
Adorei a teoria do anão. Onde exatamente ele vive? Ou depende da pessoa? Saber onde os seres que nos habitam vivem (mesmo que ele ande dentro de nós, é necessário um QG, certo? Pelo menos um lugar para dormir) é fundamental para determinar a personalidade deles.
Jolie Moysés · Belo Horizonte, MG 13/4/2007 12:07
Cida, muito obrigada pela delicadeza de seu comentário. A possibilidade de ter esse retorno, o contato direto com o leitor, é o melhor do overmundo.
Dani, obrigada também.
Que bom que gostaram.
Os anões que vivem em mim me impediram de revelar tal coisa.
Só o que posso dizer é que meus anões são uns ébrios, não eu.
Quantas vezes, na sinuca, aquela bola morta saiu por pouco? Foram os anões. Participe também da nossa nova "Enciclopédia sobre História revista e refeita", com ligeiras alterações na história do mundo. Tudo pela verdade, sim.
Olhando no fundo do olho, pelo espelho, vez por outra, dia sim, dia não, vejo a criança que fui.
- As crianças! Tá ficando gagá?
E tenho, muita vez, a impressão de que elas é que animam a existência.
- Tá. véio, deixa de milonga e aplaude a moça!
E também a irreverência.
- Haja paciência!
Você soube explicar muito cedo isto que alguns poucos de nós humanos encontramos na jornada.
- ih! já vai babar os netos e o Rapinha...
Parei porque essa multidão quer entrar sem assinar Overmundo.
Gostei da prosa.
Além de inspirar, pira.
- ô véio doidão.
Beijo...
- vai dizer no coração de novo, que ver, ele só diz isso.
... e abraço (enganei as sapecas!)
Olha só a foto do meu anão aí ao lado.
zepereiranoticias.blogspot.com · Belo Horizonte, MG 13/4/2007 16:56Adroaldo, o seu comentário tornou o objeto tolo e por demais simplório. Intertextualmente belo e profundo. Com o perdão da intimidade, dispenso a adjetivação "secreta" e me declaro sua admiradora.
Jolie Moysés · Belo Horizonte, MG 13/4/2007 23:48Gostei desssa desculpa para ser outra pessoa. Adorei o texto, já coloquei como perfil do meu orkut, com seu crédito,é claro. Simples, lindo, infante...adorei.
Glês Nascimento · Palmas, TO 14/4/2007 10:59
Faz assim não, Jolie.
Que tolo objeto que nada.
Vê se um carro anda sem roda, um passarinho voa sem asa.
Como é fácil dobrar um arame e fazer pressão para prender papel.
Quem deu esta chance primeira foi a pessoa que imaginou e fez o clip.
Andar um quilômetro depende de dar o primeiro passo
(e também o último, pouca gente lembra). Mas o primeiro há que dar.
Subir escada precisa pisar o primeiro degrau.
Uma geração pós a outra faz a humanidade avançar.
Uma criação permite outra.
Nada é vão, nada é tolo.
Tudo tem lugar.
Um comboio tem a velocidade que lhe permite o vagão mais lento.
Overmundo tem você, tem eu e outros treze mil e, como diz a Juliaura, num outro texto...
E aumentando.
Sou também, declaradamente, teu admirador.
Beijo no coração.
Glês, muito obrigada. Que privilégio o meu texto ser a descrição do seu perfil. Se puder colocar meu sobrenome no crédito eu agradeço: é Jolie Moysés. Vou até mudar no meu perfil. Um abraço
Jolie Moysés · Belo Horizonte, MG 15/4/2007 21:54Adroaldo, você é sempre sem comentários. Um beijo no seu coração também.
Jolie Moysés · Belo Horizonte, MG 15/4/2007 21:55
Muito bom, Jolie! Gostei muito do seu texto e do seu estilo leve e direto. Deve ser coisa de quem tem sempre um menino olhando através do umbigo, e que não deixa complicar as coisas pois tem pressa de ir aprontar mais uma das suas.
Muito bom. Vai fundo.
Abraços do Verde.
E eu sei que é feio ficar mandando recado assim, para terceiros, na caixa de comentários dos textos bacanas dos outros mas, meu menino do umbigo não resistiu:
Adrô, você é uma figura! :D
Abraços do Verde pra vocês... todos :D
O povo daí de cima, e a queirda Jolie têm de perdoar, mas eu, até por vezo do ofício, necessito saber do Daniel:
- Querido Duende, sou para ti uma figura por aqui ou por lá?
Aos daqui explico: acabei de comentar o sexto capítulo do Cavaleiro e o Dragão do nosso amigo Daniel, um Duende Verde dos mais queridos desse Overmundo.
Pra ti, Daniel, se diz respeito ao que publiquei aqui de comentário ao lindo postado da Jolie, não vejo razão de se comentar o comentário aqui. Se é por lá ter ido, já que aqui viestes, podes deixar recado no perfil.
Mas, conhecendo um pouco do mundo, creio que agora é muito, muito, muito tarde mesmo: todas nós, pessoas desse postado, estamos doidinhas para saber de ti por que uma figura.
De por lá?
De por aqui?
Ou pelo conjunto da obra, tipo cartão vermelho pra lateral esquerdo, aos 30 do primeiro tempo?
Diz aí, guri!
Beijo porque as desculpas aqui só podem ser renovadas, uma vez que já pedidas lá em riba.
Ora, meu amigo Adrô... referia-me às boas risadas que dei com a conversa de teus meninos internos. Estava, portanto, falando de coisas daqui mesmo desta conversa. O que é daqui é daqui, o que é de lá (do post do cavaleiro) é de lá... e o que é dos dois, é do perfil :D
Terei me embananado com tantos "aqui" e "lá"? Não sei. Só sei que todos os meninos, seus e da jolie, estão de parabéns :D
Abraços apertados do Verde.
Daniel, muito obrigada pelo comentário. E sinta-se à vontade para jogar conversa "dentro". É como eu disse pro Adroaldo: os comentários ficam às vezes mais interessantes que o próprio texto. Bjs
Jolie Moysés · Belo Horizonte, MG 11/6/2007 09:31
De nada, Jolie. Eu que te agradeço pela hospitalidade.
Eu concordo que as conversas paralelas, que surgem a partir do post original, são preciosas. Só não acho que elas se tornem mais interessantes que o próprio post, pq elas simplesmente FAZEM PARTE do post. Toda obra publicada por aqui está agregada de valor pelos comentários, de forma que um e outro(s) se tornam indivisíveis. O que é melhor do que um livro ou poesia ou foto ou matéria jornalistica que já vem com a opinião dos leitores "grudada" junto? :D
Abração do Verde.
SAbe o que é estranho?! É que esse menino travesso que há dentro de mim, já saiu e tomou conta da situação. Agora sou eu que me encontro aprisionado dentro dele, espindo por seu umbigo!!!!
Me ajudem!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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