O MONSTRO GERALDO de Claudia Puget.
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BR 116 Via Dutra /São Paulo - Rio de Janeiro.
O Monstro Geraldo pediu carona com o sétimo dedo da terceira mão direita, contando de baixo para cima.
Ele estava parado ali em Lavrinhas perto de Queluz, na BR 116, a Via Dutra, antes de Sampa, estava ali há muitas horas, viu dezenas de rodas de caminhões ventando e zunindo nuvens de água centrifugada de uma chuva “fiasquenta”.
Ninguém parou e nem deu bola pro Monstro Geraldo.
Pensou o Geraldo, emitindo sons horríveis:
MONSTRO GERALDO
Talvez ...
Me sinto tão mais ou menos...
É duro ser um Mutante nascido nas Águas de um Rio Poluído...
Andei muito tempo revezando as sete pernas, estou cansado e faminto... faminto... fome de Monstro !
Talvez...
Vou comer agora, sem pôr a mesa e sem lavar as mãos...
NÃO !
Não... vou confiar no Destino, uma carona é a solução !“
O Monstro Geraldo encostou-se ao saco cheio de Capim, segurou a fome e confiou na sorte.
Distraído com o Céu que se abria depois da Tormenta, estava tão coberto pelo Matão do lanche que mais parecia um disfarce.
Foi nesse instante que o Senhor Peteleco, um Caboclo da Região que viajava há 40 km por hora no seu Fiat 147 azul desbotado, ADIVINHOU...
É, ADIVINHOU!
Porque o Seu Peteleco não enxerga muito bem, seu limpador de pára-brisa andava embaçando e os seus óculos já estavam vencidos, assim como o seu desodorante.
O Seu Peteleco com rápidos movimentos jogou a frente do seu Fiat ultrapassado, com Placa amarela na direção do acostamento. Tirou a sua bota Beuzebu do acelerador e cantou os pneus deixando marcas em preto fosco granito no Asfalto da Dutra Tapetão.
Parou para aquele baixinho, pobre coitado que tinha num abraço apertado dos seus oitos braços um saco de Capim Navalha para o seu tão esperado lanche gostoso de Monstro Geraldo.
SENHOR PETELECO
Entre Compadre, tenho um espaço na Mala!
Pela frestinha da mala da Fiat azul piscina desbotada, ele olhava o Céu... As nuvens deslizavam como se os anjos estivessem pintando um quadro há cada segundo.
O Monstro Geraldo viajante viajandão, estava bem longe do seu Destino, Cruz Alta, lá no Rio Grande do Sul. Era um trato feito com o amigo Curumim Lucas Furacão. Grande pequeno amigo que por onde passa deixa marcas, afinal, amigo de Monstro é Monstro também, um Monstro do Bem.
Um encontro marcado para os Ensaios da Dupla. No repertório: Musicas Sertanejas, entre tantos Clássicos, como:
“O Menino da Porteira”, “O Fio de Cabelo” e o “Hino do Internacional Futebol Clube”.
A Dupla Monstruosa, BARBARIDADE é braba! Animam uma festa.
Imaginem a “Foto Monumental”: O Menino Curumim com uma sanfona Pendurada no Ombro ergue a taça do 1º Lugar do “Vigésimo Festival Gaúcho “Lá de Fora”.
O Monstro Geraldo (como sempre, escondido) esta atrás de um violão de 12 cordas e só vemos o contorno do traje Típico.
Como Monstro é sempre meio esquisito, Monstro Geraldo não foge a regra. Ele dormiu e num desses redutores de velocidade em São Paulo ele caiu do Carrinho do Senhor Peteleco, que nem deu falta do carona Monstruoso e seguiu viagem.
Monstro Geraldo parece que hibernou, não sabe dizer por quanto tempo, e quando acordou seu lanche verde de Capim Navalha era marrom de tão seco e velho que ficou.
Que HORROR !
E essa é história de Monstro, não é Conto de Fadas...
Mas como esse Monstro é fofo, o FIM é Fim Feliz; Porque a última notícia de que se tem do Monstro Geraldo, é que foi visto sorridente, cheio de dentes, lá pra perto da fronteira no Sul desse Brasil, na garupa de uma Moto daquelas bem barulhentas, e eram muitas, parece que o Monstro Geraldo encontrou a sua Turma.
Faça seu comentário!
um abraço de Monstro,
puget
Cláudia:
Já tinha lido antes o seu texto, porém sem comentar. Passando por aqui de nôvo, resolvi dar uns pitacos:
Acho que seu texto tá meio indefinido entre um conto infantil e um esboço (sinopse) para uma peça de teatro. Mas têm passagens muito engraçadas, vê-se que vc tem criatividade.
A frase inicial está impagável, eu ri muito, e isso me fêz ler o texto todo. Acho que com uma burilada pode sair uma histórinha legal daí.
Volto depois para dar mais uma lida, com calma (ainda não almocei, e de estômago vazio não dá prá pensar direito ... rsrs ...).
Beijo prá vc, até mais.
Outra coisa, Claudia: Vc esqueceu o 'S' em monstro, no título.
Levi Orlando · Porto Alegre, RS 19/8/2007 14:24
Ôi, Claudia:
Tive o prazer de ser o primeiro a votar.
Boa sorte.
Em tempo: desde o primeiro comentário esqueci de registrar que as ilustrações estão muito boas, tambem.
Levi Orlando · Porto Alegre, RS 20/8/2007 22:51
ah....Cláudia!!!! Assim não vale, viu?
Essa história me pegou de jeito que estou aqui todo emocionado.Quero dar um abraço em você e outro no monstro Geraldo!
Belíssimo texto. Que tempo não lia nada tão bom! Falo sério porque dou aulas de Literatura Infantil e acabo sendo um leitor e colecionador de textos como os seus.
Não sei mais o que dizer.... Obrigado pelo convite pra conhecer o Geraldo. Aceito todos os outros chamados que você fizer de agora em diante.
Beijos
Claudia, GOSTEI.
A começar pelo título. Eu tenho uma qualquer coisa com os títulos. Eu tenho que gostar do título senão..... Estava dando uma olhada na fila de votação e vi lá O Monstro Geraldo, gostei de cara.
Bjs
Querida Cláudia:
Apesar dapouca idade,gostei!
beijos e abraços
extensivos ao Monstro Geraldo, esteja ele onde estiver
do Joca Oeiras,o anjo andarilho
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