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O monstro verde do meu armário

Wal Raizer
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Walquíria Raizer · Rio de Janeiro, RJ
27/2/2007 · 134 · 7
 

Resolvi acordar um monstro verde que estava adormecido. Ele, assustado, até mais do que eu, cuspiu uma risada de fogo.
Os monstros, Ana, nem sempre queimam a gente por que querem, as vezes, é só susto!
Tinha umas barbatanas coloridas de barata. Mas não era feio. Não, não era. Era um monstro bonito. Um monstro que eu amava.
Os olhos, Ana, eram quase amarelos, e chorara lágrimas de dor.
Tinha um espinho na pata. Penso.
Se ele tivesse me pedido. Se ele quisesse que eu arrancasse.... Ah, sim, teria arrancado. Mas ele se achava 'muito monstro' e não precisava de uma menina boba feita de núvem.
Eu, do jeito que sou, gritei com ele. Disse que devia engolir o reino, devia comê-lo inteiro. Sem água!
Trancou-se no armário e nunca mais me ligou, nunca mais falou comigo. Eu, fiquei do lado de fora, um quanto tanto arrependida...
Ele não me ligou. Nem sequer respondeu o email, que tão sofridamente mandei. Responder seria um sinal, mas ele não fez nenhum. Então fiquei.
Hoje ele caminhou até a sala, com a pata inchada. Com a cara toda inchada. Eu, que já tinha chorado sozinha pela ingratidão do monstro verde, pelo egoismo dele, fui lá e o acordei.
Sim, sim, o monstro era sonâmbolo... caminhava, mas, na verdade, dormia ( ! )
No susto, fez o que fazem os monstros: cuspiu-me fogo.
Me queimei e sai chorando, por dentro. Por dentro. Que por fora, chorava ele.
Disse pra mim que sou demais briguenta, e nem reconheceu que amava a menina besta de núvem. Eu, sim, toda queimada disse na cara dele: essa é minha natureza!
(natureza essa, que guarda grande amor pelo monstro)

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Walquíria Raizer
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Daniel Duende
 

Aaaaahhhh.... aqui está ele....

Olá monstro verde. Está mais confortável aí? Deixa eu ver essa pata, rapaz.... eeeeeei... tá... não precisa sorrir fogo em mim não. Eu deixo sua pata em paz. Pode ficar a vontade aí, viu? ;)

Valeu por ter trazido ele para cá, moça Walkíria Raizer de "núvem".


Abraços do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 27/2/2007 00:06
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Zéduardo Calegari Paulino
 

Que bom ter noticias do monstro verde.
Na minha casa ele ficava embaixo da cama e tossia muito!

Ele sempre foi assim mesmo, ranzinza... que bom você ter dado uma lição de amor pra ele...

Zéduardo Calegari Paulino · Campo Grande, MS 27/2/2007 00:43
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Walquíria Raizer
 

Ah...
Ele é tão bonzinho...quando quer, claro.
Mas eu faço um poema pra ele e ele dorme...
Às vezes se zanga comigo e eu me zango com ele. Meninas de núvem não são sempre boazinhas...As vezes voam muito....Aí o monstro se zanga.
Oh, tem um lugar que o monstro gosta muito de ir. Chama-se "Um Caso Poético".
Eh o meu blog, que é umcasopoetico com os leitores monstros.

Vai lá ler também. Quem sabe o monstro verde não lembra de você. Fica com medo não, sou ótima para domesticar monstros.

Walquíria Raizer
O
vermina em Construção

Walquíria Raizer · Rio de Janeiro, RJ 27/2/2007 01:01
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Zéduardo Calegari Paulino
 

Walquiria, você sabe que tudo que sai no seu blog pode ser editado diretamente no overmundo, né?
Leia sobre como fazer clicando aqui.

Zéduardo Calegari Paulino · Campo Grande, MS 27/2/2007 15:49
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jjLeandro
 

Wal,
quando eu era criança, e quanto tempo já vai isso, acreditávamos todos os sete irmãos que dentro do guarda-roupas havia um monstro sim. E o nome pelo qual o conhecíamos era Lolô, com o com dos dois "Os" fechados.
Interessante como o mundo da imaginaçaõ infantil é igual.
Belíssima crônica de reminiscências.
abcs

jjLeandro · Araguaína, TO 28/2/2007 01:09
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Walquíria Raizer
 

Olá moço. rsrs Acredita que acabo de ler poema seu. Só depois que vi que vc tinha comentado aqui.
Gostei muito de tua poesia. Tem música!

Abraços.
Wal
Overmina em Construção

Walquíria Raizer · Rio de Janeiro, RJ 28/2/2007 01:16
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Regina Lucena
 

Os nossos belos e imprevisíveis monstros...

Regina Lucena · Recife, PE 17/3/2007 20:01
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