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O Muro
Civana · Rio de Janeiro (RJ) · 7/4/2008 17:45 · 93 votos · 21 comentários ·  
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overponto
El Muro - Imagem Pública de PabloF/Flickr
El Muro - Imagem Pública de PabloF/Flickr
Um muro... Como apenas um muro pode transformar toda uma vida?
Esse muro que parecia ser de concreto, que transmitia uma solidão, uma frieza sem igual, possuía vida. Será possível acontecer tal fato? Sim, era possível, pois aconteceu naquela madrugada como em muitas outras.

Aline chegou do curso, já altas horas da noite, comeu algo e foi deitar-se. Mais um namoro que não deu certo, falsas promessas, desilusão sem fim. Na cama ficou pensando... Pensou mil coisas até que o sono chegou. Este por sua vez não lhe trouxe paz como em muitas outras noites, foi um sono agitado, alguém que pedia por socorro, um grito estridente, um temporal, tudo escuro.
Tal como o sono, Aline acordou agitada, mas procurou esquecer o pesadelo e achou forças para enfrentar mais um dia de trabalho e muito estudo.

Na noite seguinte, como em todas as outras que sucederam, teve o mesmo sonho, o mesmo grito de socorro, que agora tomava forma, um muro. Não havia ninguém, apenas aquela voz e o muro, que agora já estavam interferindo na vida de Aline.
Como uma moça calma, em seus vinte e três anos (23) incompletos, mas com muita responsabilidade e equilíbrio poderia deixar-se abalar por um sonho?
O fato existia, e Aline já estava totalmente abalada, não estava desenvolvendo seu trabalho no escritório com a mesma segurança de antes. E os estudos? Ah, os estudos já não eram executados há muito tempo...

Numa certa noite Aline resolveu mudar o caminho que a conduzia a sua casa, pois há muito tempo ela não modificava algo em sua vida. Ninguém sabe dizer se foi a melhor ou a pior coisa que ela fez naquela noite. Quando passava pelo outro quarteirão, não muito conhecido, ela ficou paralisada, suas pernas não se moviam, pois tremiam de medo. Aquele muro, aquela escuridão que conhecia apenas em sonhos, agora eram reais, estavam ali, a poucos passos dela, e isso a apavorava!
Correu para casa quando o medo tomou conta de todo seu ser. Lógico que não conseguiu dormir, afinal ela não queria dormir! Mas o sono chegou e com ele a mesma voz e o muro, que agora se dirigiam a ela:

“_ Aline... Aline... Agora você já me conhece, venha, venha... Não perca tempo, eu te esperei por muito, muito tempo, agora você tem que vir, VENHA!”

Apavorada, ela não sabia o que fazer. Aquilo não era um sonho, era uma mensagem, pois o muro existia, ela o conheceu naquela noite. Era tudo uma loucura, um absurdo! Mas Aline cedeu ao chamado, foi ao encontro do “muro”. O que ele queria dela?

Era madrugada, Aline estava lá, ventava muito, uma escuridão ameaçadora, um frio intenso percorreu seu corpo, uma força incrível tomou conta e fê-la subir no muro. Nesse instante caiu um temporal, Aline permaneceu imóvel olhando paralisada o outro lado, abriu os braços e atirou-se, caindo num abismo eterno e soltando um grito estridente.
Ninguém soube o que e como aconteceu, apenas encontraram um corpo jovem e um sorriso em seus lábios, o que modificou a vida de todos os seus entes que vivem se perguntando:

“_Como pôde morrer assim, com um sorriso nos lábios?”

Fim.

(Civana)


tags: Rio de Janeiro RJ textos-ficcao conto muro ficcao suspense medo solidao
 
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Autoria   Carla Ivana M. Santos
www.poemas-de-amor.net/blogues/civana
recantodasletras.uol.com.br/autores/civana
br.youtube.com/carlaivana
Ficha Técnica  

O Muro - Conto escrito para aula de Literatura no CCPCS (Colégio Comercial Prof. Clovis Salgado), Professor Jesus – 1978.

El Muro - Imagem Pública de PabloF - Flickr/2007

Data   07/4/2008
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Civana.parabéns! Adoro histórias desse gênero. E acredito em sonhos premonitórios. Continue escrevendo, nossa Agatha Christie...Poebeijos.
Vives · Porto Alegre (RS) · 4/4/2008 05:56 
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Olá Vives,

Fico muito feliz que tenhas gostado! Também gosto muito de textos assim, adoro suspense, mexer com o desconhecido. Aliás, você citou Agatha Christie, sou fã dessa senhora maravilhosa! Mas nossa, me comparar a ela é muita honra, obrigada! Que ela não se ofenda onde estiver, rs.

Bjos :)
Civana · Rio de Janeiro (RJ) · 4/4/2008 16:50 
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Uma narrativa que prende o leitor, parabéns! Bjs
Falcão S.R · Rio de Janeiro (RJ) · 5/4/2008 02:06 
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Civana,
Que mistérios separam o sonho visionário do real imaginário?
Realidades de um fato, tem visões díspares de acordo com o espectador, segundo sua trajetória de vida, suas crenças e convicções. Belo conto que explica um sorriso ante uma tragédia aparente. Tragédia real. Sonhos a desvendar...
Belíssimo conto.
Volto para o voto com louvor!
Bjs
Beto
Roberto Girard · Rio de Janeiro (RJ) · 5/4/2008 09:47 
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Votos com louvor!
Bjs
Beto
Roberto Girard · Rio de Janeiro (RJ) · 6/4/2008 09:55 
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Adorei
Carlos Parrini · Rio de Janeiro (RJ) · 6/4/2008 11:44 
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bom dia !!! votadíssimo.
Flávio Cardoso Reis · Luziânia (GO) · 6/4/2008 12:01 
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Complementado meu comentário sobre o prazer dessa bela leitura, deixo meu sincero voto. Bjs
Falcão S.R · Rio de Janeiro (RJ) · 6/4/2008 16:22 
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Olá Falcão, muito obrigada, fico feliz sabendo que gostou!
Bjos :)
Civana · Rio de Janeiro (RJ) · 6/4/2008 16:55 
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Olá Roberto, muito bom saber que a leitura do texto possa proporcionar visões diferentes. Fiquei tentada, mas depois vi que não deveria tecer mais detalhes, deixando ao leitor imaginar livremente sobre os fatos. Muito obrigada pela visita e comentário, fiquei feliz!

Bjos :)
Civana · Rio de Janeiro (RJ) · 6/4/2008 17:05 
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Olá Carlos, muito obrigada pela visita! Feliz por ter gostado!
Bjos :)
Civana · Rio de Janeiro (RJ) · 6/4/2008 17:07 
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Olá Flávio, agora já respondo Boa Tarde! rs
Bjos e obrigada pela visita. :)
Civana · Rio de Janeiro (RJ) · 6/4/2008 17:09 
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Tens o dom de dominar a narrativa de uma forma agradável e segura !
Um beijo, Alcanu
alcanu · São Paulo (SP) · 6/4/2008 21:00 
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Um exelente texto.Confesso que me detive várias vezes tentando decifrar o pedido insistente do muro.O muro que existe silencioso em quase todos nós.Deixe meus votos e um grande abraço.
clara arruda · Rio de Janeiro (RJ) · 6/4/2008 23:27 
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VOTEI ..
MEU TEXTO.
http://www.overmundo.com.br/banco/a-mulher-especial
PARABENS.
Elio Cândido de Oliveira · Ibiá (MG) · 6/4/2008 23:31 
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Querida,,muito interessante esse texto,fiquei arrepiada
voltado
Ailuj · Niterói (RJ) · 7/4/2008 00:51 
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Alcanu, Clara, Elio e Julia, muito obrigada queridos poetas! É maravilhoso saber que apreciaram meu texto, fico feliz!

Bjos :)
Civana · Rio de Janeiro (RJ) · 7/4/2008 01:16 
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Narrativa intrigante. Parabéns.
Tô clicando meu voto.

Beijos de Letras.

http://www.overmundo.com.br/banco/pecado-1
Luis Santana · Rio de Janeiro (RJ) · 7/4/2008 14:34 
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Que lindo. Vi que tens um gosto apurado, lindo o seu texto, de muito, muito bom gosto. Aproveito pra te apresentar perebah e jair, Não fui eu quem publicou, mais é uma dupla de mc's que oferece um projeto musical diferente de tudo que já conheci, e ainda tem uma múmia como dançarina, hilário, vc como parece ter uma visão diferente, vai gostar das letras e da musicalidade que elas trazem. Deixa um comentário, pra eu saber o que achou! Obrigada.

O atalho está aqui. Ou então vai na fila de votação. Deixa seu voto.
http://www.overmundo.com.br/overblog/a-verdade-sobre-perebah-jair-1

Lili Reston · São João de Meriti (RJ) · 7/4/2008 15:11 
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Este teu Muro é sensacional, minha amiga Civana. Leitura gostosa e o texto muito bem construido. Tu consegues prender a atenção do leitor provocando uma grande expectativa. Meus sinceros aplausos e beijos pelo belíssimo conto.
Carlos Magno.
carlos magno · Rio de Janeiro (RJ) · 8/4/2008 19:10 
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Carla.
Quero dizer que gostei muito do seu conto.
Acho que tens o dom de nos prender,
e isso é maravilhoso.
Bjs


Pedro Monteiro · São Paulo (SP) · 8/4/2008 22:36 
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