Aliás, não quero nomes
quero a essência das coisas
das vivas, das mortas,
todas as coisas enfileiradas
como soldados de sete de setembro
um desfile inútil de coisas
duras, frias, rotas,
como são as coisas mortas
quando fingem que estão vivas.
As coisas sem nomes
sem pregas, sem datas,
réguas, espadas, adagas,
que me ferem os olhos soltos
como são as coisas-serpentes
as coisas-mariscos
as coisas-escorpiões
que escorregam devagar
pelo dia, dia sem coisas,
pipas, linhas, peões.
As coisas me olham
mas não lhes dou nomes
espero, escrevo, apago
o destino das coisas
as folhas, as árvores, as florestas
as maçãs, as peras, as uvas
as margaridas e os morangos...
Pronto
acabei de quebrar a palavra
e saio a nomear as coisas
que me olham e sorriem, as danadas,
e fico então no meu canto
como se eu fosse um catavento
um mero cata-palavras:
a coisa-vento, a coisa-pedra, a coisa-nada.
Delicioso poema. Coisas, palavras, nome e nadas numa construção inteligente e coerente em sua incoerência. Poesia de verdade.
Marcos Pontes · Eunápolis, BA 31/12/2008 14:02
Gostei. Como um ser inconstante, você empenha a palavra e depois a quebra. Gostei
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Ivette G M
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