Num único fim de semana, tivemos a oportunidade de testemunhar, ainda que por ângulos bem diversos, o espetáculo da barbárie contemporânea. Duas encenações, uma glamurosa, outra selvagem, mas cujo enredo no fundo é o mesmo, a afirmação retardatária dos impérios, de Estados nacionais cruciais protagonistas dos 2 últimos séculos. Um casamento e um assassinato. Ambos celebrados, na presença das massas, na simulação das mídias. O mundo pode dormir sossegado, depois de ouvir contar esse conto de fadas. Um ritual para celebrar a tradição, a aliança, a conservação do ordenamento social, acomodado na simpatia e proximidade dos jovens futuros monarcas ingleses. Outro ritual para comemorar a glória do caçador, a fúria vingadora da águia de cabeça branca que baixou sobre a ameaça de turbante. A comemoração é um verdadeiro espetáculo de barbárie...e eles não tem nem ao menos um corpo pra cuspir em cima. Tá lá um corpo enterrado no mar [sic]. Nos deram uma pobre imagem "photoshopada".
Que civilização é essa que celebra a morte de um indivíduo como a realização dos anseios coletivos? Ou, nas barbas do berço do liberalismo, na ante-sala de estar do capitalismo, no hall de entrada do neo-colonialismo, referenda resquícios de um mundo estamental, convertido numa telenovela em tempo real. É a técnica a serviço da fantasia...E agora, Bin Laden estará na ilustre companhia do Papai Noel, Coelhinho da Páscoa, Princesa Anastácia e Elvis, rainhas e reis sortidos.
E a essa altura Osama e Obama estão celebrando a Mãe de todas as mentiras.Trata-se de uma contradição fatal que desmascara as pretensões humanitárias, cristãs, morais, civilizatórias, que os norte-americanos literalmente vociferam, muito mais para si mesmos que para o resto do mundo.
Obama agora junta-se a Bush e ao resto da canalha oportunista de políticos de seu país. Lançaram uma vendetta, um Estado inteiro contra um "inimigo" (aliado). Louco estará quem der razão a essa política, pois sua consequência só pode ser a perpetuação da violência.
A fabricação do acontecimento está em marcha... o assassinato (se é que houve...) perpetrado por um Estado torna-se "justiça". Nosso mundo "está mais seguro" porque um sujeito está morto (se é que está...). Rebaixando o conceito de justiça a justiçamento, dá-se largos passos em direção ao fascismo. E ninguém fala nada. Nenhuma voz dissonante...Olha abarbárie aí, gente...
Texto cortado de outra seção, restaurado graças à contribuição de minha amiga Isabella. Só ficará acessível até o fim da semana.
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