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O Oleiro e o Poeta

Aldo (Mídia Independente)
1
Edu Cezimbra · Porto Alegre, RS
19/11/2007 · 93 · 12
 

O OLEIRO E O POETA

Há muito tempo, na cidade de Zahlé, ocorreu uma rixa entre um jovem poeta, de
nome Fauzi, e um oleiro, chamado Nagib.
Para evitar que o tumulto se agravasse, eles foram levados à presença do juiz do
lugarejo.
O juiz, homem íntegro e bondoso, interrogou primeiramente o oleiro, que parecia
muito exaltado.
"Disseram-me que você foi agredido? Isso é verdade?"
"Sim, senhor juiz." - confirmou o oleiro - "fui agredido em minha própria casa por este
poeta. Eu estava, como de costume, trabalhando em minha oficina, quando ouvi um ruído e
a seguir um baque. Quando fui à janela pude constatar que o poeta Fauzi havia atirado com
violência uma pedra, que partiu um dos vasos que estava a secar perto da porta. Exijo uma
indenização!" - gritava o oleiro.
O juiz voltou-se para o poeta e perguntou-lhe serenamente: "Como justifica o seu
estranho proceder?"
"Senhor juiz, o caso é simples." - disse o poeta.
"Há três dias eu passava pela frente da casa do oleiro Nagib, quando percebi que
ele declamava um dos meus poemas. Notei com tristeza que os versos estavam errados.
Meus poemas eram mutilados pelo oleiro. Aproximei-me dele e ensinei-lhe a declamá-los
da forma certa, o que ele fez sem grande dificuldade. No dia seguinte, passei pelo mesmo
lugar e ouvi novamente o oleiro a repetir os mesmos versos de forma errada. Cheio de
paciência tornei a ensinar-lhe a maneira correta e pedi-lhe que não tornasse a deturpá-los.
Hoje, finalmente, eu regressava do trabalho quando, ao passar diante da casa do oleiro,
percebi que ele declamava minha poesia estropiando as rimas e mutilando
vergonhosamente os versos. Não me contive. Apanhei uma pedra e parti com ela um de
seus vasos. Como vê, meu comportamento nada mais é do que uma represália pela
conduta do oleiro."
Ao ouvir as alegações do poeta, o juiz dirigiu-se ao oleiro e declarou: "que esse
caso, Nagib, sirva de lição para o futuro. Procure respeitar as obras alheias a fim de que os
outros artistas respeitem as suas. Se você equivocadamente julgava-se no direito de
quebrar o verso do poeta, achou-se também o poeta egoisticamente no direito de quebrar o
seu vaso."
E a sentença foi a seguinte: "determino que o oleiro Nagib fabrique um novo vaso de
linhas perfeitas e cores harmoniosas, no qual o poeta Fauzi escreverá um de seus lindos
versos. Esse vaso será vendido em leilão e a importância obtida pela venda deverá ser
dividida em partes iguais entre ambos."
A notícia sobre a forma inesperada como o sábio juiz resolveu a disputa espalhou-se
rapidamente.
Foram vendidos muitos vasos feitos por Nagib adornados com os versos do poeta.
Em pouco tempo Nagib e Fauzi prosperaram muito. Tornaram-se amigos e cada qual
passou a respeitar e a admirar o trabalho do outro.
O oleiro mostrava-se arrebatado ao ouvir os versos do poeta, enquanto o poeta
encantava-se com os vasos admiráveis do oleiro.

[Malba Tahan]

Cada ser tem uma função específica a desenvolver perante a sociedade. Por isso, há
grande diversidade de aptidões e de talentos.
Respeitar o trabalho e a capacidade de cada um possibilita-nos aprender sobre o
que não conhecemos e aprimorar nossas próprias atividades.
Respeito e colaboração são ferramentas valiosas para o desenvolvimento individual
e coletivo.




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Malba Tahan
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Branca Pires
 

Edu,
Muito bem, um belo conto!
Se toda a justiça agissem assim, não haveria injustiças.
Parabéns!

Branca Pires · Aracaju, SE 18/11/2007 00:43
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Felipe Henrique
 

Fui o primeiro a votar.
abraços

Felipe Henrique · Mesquita, RJ 18/11/2007 12:34
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Branca Pires
 

Meus votos

Branca Pires · Aracaju, SE 18/11/2007 13:59
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anamineira
 

Votado. Bom texto para refletir.
Parabéns. Abraço.

anamineira · Alvinópolis, MG 18/11/2007 19:26
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Edu Cezimbra
 

Olá amig@s,
Pois eu tamém gosteu muito deste conto do Malba Tahan.
Não foi por acaso, pois através do Instituto de Pesquisas Transdisciplinares procuro divulgar esta imprescindível contribuição de cada um para o bem comum.
Se quiserem conhecer o site : www.ipetrans.hpg.ig.com.br
Grande abraço
Edu Cezimbra

Edu Cezimbra · Porto Alegre, RS 19/11/2007 09:26
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Edu Cezimbra
 

Do site:
Estamos com isto trazendo à consciência uma forma de relacionamento interpessoal, familiar e sócio-econômico que já está presente em todo lugar deste planeta e que constitui o imenso tecido social e ambiental que o envolve. Tecido este que está além de dogmas de quaisquer sistema ideológico e que segue respirando graças a uma imensa, sutil e imperceptível solidariedade natural, que se não for trazida à consciência corre o risco de se romper. Lembrar e relembrar o significado de pequenos gestos. De um abraço, de um simples sorriso, da escuta, do dar atenção, enfim das dádivas e das ofertas da convivencialidade. Da valorização do trabalho por mais simples que seja, porque cada um é imprescindível na sua maneira única de ser e estar no mundo, como bem disse esse pioneiro da Transdisciplinaridade, WILHELM REICH :“Você não precisa fazer nada especial ou novo. Tudo o que precisa fazer é dar continuidade ao que está fazendo: are sua terra, empunhe seu martelo, examine seus pacientes, leve seus filhos à escola ou ao playground , relate os acontecimentos do dia, penetre cada vez mais nos segredos da natureza. Todas essas coisas você já faz. Mas acha que não tem importância... Tudo o que precisa fazer é continuar a fazer o que já fez e sempre quer fazer: seu trabalho, deixar suas crianças crescerem de maneira feliz, amar sua esposa. Se você fizer isto de maneira explícita e resoluta, não haverá guerra.”

Edu Cezimbra · Porto Alegre, RS 19/11/2007 09:34
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carlos magno
 

É maravilhoso este conto de Malba Tahan, obrigado por este presente meu amigoEdu Cezimaba. Meus sinceros aplausos e abraços.
Carlos Magno.

carlos magno · Rio de Janeiro, RJ 20/11/2007 00:44
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
carlos magno
 

Olha o voto aí meu irmão.
Abraços.
carlos Magno.

carlos magno · Rio de Janeiro, RJ 20/11/2007 00:45
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Edu Cezimbra
 

Grato amigo Grande Carlos.
A foto que coloquei é um exemplo desta feliz combinação de ofício e arte, pois é um forno de barro com escultura de um artista plástico.
Abraços

Edu Cezimbra · Porto Alegre, RS 20/11/2007 15:36
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Juscelino Mendes
 

Maravilha de texto! Todos que escrevem aqui deviam ler
este conto surpreendente e escolar.
Grande abraço.

Juscelino Mendes · Campinas, SP 26/9/2008 13:30
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Edu Cezimbra
 

Concordo,Jus.Não te parece que nós, seres humanos, necessitamos de literatura e das artes para irmos nos percebendo humanos em comunhão?
ABC

Edu Cezimbra · Porto Alegre, RS 26/9/2008 17:20
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Doroni Hilgenberg
 

Edu,
gostei demais do conto.
Uma grande lição.
Trabalhos, respeito e união.
bjssss

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 7/10/2008 23:08
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