Mal provara a liberdade. Foram poucos seus vôos. E que vôos!... Lançar-se no espaço, ao encontro do azul do céu... Ganhar assim, na força nata de suas asas, admiração da beleza plástica de seu voar. Aprendera que não havia limites. Que desafiar o espaço fazia parte de si. O Canto? O Cantar era a elegia a tudo isso, o símbolo da essência que continham sua vida e que estava contido no pulsar de seu coração. Seu trinado ressoara musicalmente afinado, naturalmente encantador. Pássaro trinador. Voar e cantar. Simplesmente como o nascer e o se pôr do sol.
Na liberdade de um dia, voando no canto da harmonia que a corrente do vento ensaiava, caíra preso na rede estendida no espaço-sem-limites, onde suas asas não podiam alçar vôo e seu canto transformara-se em lamento. Fora então, recolhido por mãos humanas que, de forma tirana, o colocaram em uma prisão. Reclamara. Chorara. Trinara. Tudo fora em vão.
Sobrevivera naquela prisão, onde não havia como voar, onde não havia como ser o pássaro que conquista espaços. Não havia o azul do céu, não havia a luz do alvorecer ou as mágicas cores do entardecer dos dias. Tudo transformara-se em monotonia. De outros pássaros, ao longe, só o canto ouvia. Então cantava, buscando no cantar o som da companhia.
Menos pássaro agora, pouco importa lá fora. O comer, beber, tudo tem. Cantar, ainda canta. É quando sente-se livre, embora cante a tristeza da liberdade perdida. Não reconhece a saída da prisão. Existira para a liberdade. Tantas vezes a porta da gaiola ficara aberta sem que disso percebesse. Seus vôos livres perderam-se no esquecimento de si mesmo.
A mão do destino na força do tempo conspira para o libertar. Enfraquecida, a corda que prende a gaiola, rompe-se. De encontro ao chão, abre-se toda. O pássaro preto atordoado, confuso, está fora da gaiola. Fica saltitando pelo chão. Não sabe que rumo tomar. Desaprendeu a voar. Esqueceu que é pássaro. Liberdade é só um cantar.
Porém, o gato da casa sabe ainda para que serve um pássaro. Num salto cai sobre o pássaro preto com suas garras afiadas, mas estas escorregam nas penas e o pássaro preto consegue, saltitando, quase num vôo, sair do seu alcance. Um tanto ferido, mas a salvo, no alto. Toda liberdade requer um risco. Agora ele percebe o azul do céu. O espaço. O não existir limites. O ser pássaro. O voar. Novamente o trinador ressoa em si. Bate as asas no impulso do vôo ao azul do céu...
Assim, de novo reencontra o sol a brilhar na liberdade diária, no gorjear alegre das horas, da companhia alvissareira do bando. Suas asas retomam as forças e suas penas novo brilho. Seu canto encanta com seus trinados; arranja logo uma parceira por ele enamorada. Aquele sentimento que passa a uni-los, só faz aumentar os limites da liberdade que ambos sentem viver, aumentando o dom de perceber e a visão do sentir cada dia amanhecer. Embalados na sintonia desse saber, constroem o ninho que abrigará os frutos dessa canção.
Na construção diária da alcova, cada vôo se faz uma aventura nova. Sua amada, se entretém na busca intermitente de fazer o ninho, não percebe o perigo e seu vôo vai de encontro à rede da prisão. Agora, o Pássaro Preto tem para si, todo o espaço e o azul do céu. Mas não tem a liberdade. A sua liberdade está presa com sua companheira. Na mesma gaiola em que ela está.
Ele tem todo espaço para voar. Toda floresta para cantar. Nada disso e capaz de o motivar. Está preso em sua própria liberdade. Lança-se em vôo alto, demorado. Canta, um cantar dolorido, apaixonado; ouve ao longe, um cantar entristecido. Um amar adormecido. Seu vôo se aplaca, se amaina. Sobrevoa a gaiola onde ela está. Um alçapão. Bate forte seu coração. Fecha as asas. Fecha-se o alçapão.
Juntos na prisão da gaiola, unidos na liberdade de viver a eternidade do sentimento que supera o tempo, espaço e dor: a força do amor.
Ah Erode, é verdade, tda liberdade requer risco, passo os dias me arriscando.. Eu sou o ppio risco em tdas as suas nuances, sou feita de medo/coragem. mas se procuro a felicidade ela tem que ser assim..rs
Lindo isso que escreveu:
'...Desaprendeu a voar. Esqueceu que é pássaro. Liberdade é só um cantar........'
tento sempre cantar, mas as vz a voz n sai...
A força do amor é realmente insuperável.
Prazer imenso em ler tão sensível e belo texto.
Abraços
Erode, sinceramente procurei uma frase, uma linha algo que pudesse destacar, mas o poema inteiro é destaque. O tema é fascinante, seu poetar inigualável e deu nisso, essa ternura narrada, Parabens Poeta
Foi bom ter te conhecido, abraços
Erode,
Deveras encantado estou com esta prosa de sua autoria. Um con/texto carregado de emoção e que vai envolvendo o leitor, como se as imagens e movimentos do enredo pulsassem vivas aos nossos sentidos. E pulsam sim... E avivam a nossa sensibilidade, afagando o espírito...
Belo texto!
Emoção é pouco para traduzir seu belo texto.
estarei na votação.
Nada vale mais do que o amor. Nem a liberdade.
Parabéns pelo texto e um abraço.
Erode Lino Leite · Campo Grande (MS)
O PÁSSARO E A GAIOLA
Uma Bela Poesia.
A Verdadeiura Poesia por expressar Amor e o próprio espírito da Liberdade.
Ha um embate com o destino que desperta o valor moral.
...Não sabe que rumo tomar. Desaprendeu a voar. Esqueceu que é pássaro. Liberdade é só um cantar...
Parabéns
Abração Amigo
Erode
Muito lindo
As vezes somos como páasaro engaiolado que quando me soltam já não querem a liberdade estamos acostumados as amarras e não saberia o que fazer sem elas
Um beijo
texto maravilhoso.votado.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 31/8/2008 10:05Estou contente que os amigos tenham apreciado o trabalho exposto; e agradecido pela participação de cada um, com os comentários valiosos, é o que nos incentiva a continuar trabalhado e buscando um crescimento na arte de escrever. Um abraço a todos!
Erode Lino Leite · Campo Grande, MS 1/9/2008 08:18
Querido Erode:
Seu texto está um primor de amor ... Com tudo que carrega essa p a l a v r a.
Essa é a única prisão possível ... A do amor, sem dor, por óbvio ... rsrsrs ...
Esse pássaro sabia que por traz de um lindo catar empassarado (Acabei de inventar especialmente para o seu en_conto) tem uma amada para iluminar o seu caminho e se for pra ser essa a prisão, que seja então, a mais bela moradia ...
Beijos_Meus*
*
Digo:
Querido Erode:
Seu texto está um primor de amor ... Com tudo que carrega essa p a l a v r a em seu ato.
Essa é a única prisão possível ... A do amor, sem dor, por óbvio ... rsrsrs ...
Esse pássaro sabia que por traz de um lindo cantar empassarado (Acabei de inventar especialmente para o seu en_conto) tem uma amada para iluminar o seu caminho e se for pra ser essa a prisão, que seja então, a mais bela morada ...
Beijos_Meus*
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Grato pelo seu valioso comentário, amiga Lili_Beth!!! Voar e cantar... é vontade de viver!! Muitos "cantos" encantam nossos dias... Bjs
Erode Lino Leite · Campo Grande, MS 4/9/2008 10:34
... e eu me vi aqui:
"Tantas vezes a porta da gaiola ficara aberta sem que disso percebesse. Seus vôos livres perderam-se no esquecimento de si mesmo."
maldade o que fazem com os passaros...
tristeza o que fazemos com a gente mesmo, né não ?
bjsssssssssssss e obrigada pela emoção !
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