"...que nos escuros claustros do poema
Eu encontre afinal minha certeza."
(Hilda Hilst)
A noite é prostituta, e a palavra morde suas ruas, suga, em suas tetas, a sedução e o medo. Os corpos bebem a música noturna como a um cálice de salvação! O crime, a carne, um segredo. A navalha da língua afia, nas coxas das esquinas nuas, versos enc_ardidos que ejaculam a poesia, espesso vermelho proibido.
E o verbo rasga todas as impossibilidades, conjuga a liberdade em todos os tempos, no mais que (im)perfeito presente, sem futuro, porque a palavra é abismo, é o escuro saindo de dentro, é um silêncio cortante sangrando o papel.
Ser livre dói, nessa prisão de amordaçados pela falta de palavras, pelo comodismo de um café com leite, cama, mesa, alguns trocados de amor e quase nenhum diálogo, senão alguns imperativos, e a poesia esquecida dentro de um livro, na fotografia de um tempo que não volta.
A poesia que dorme comigo e me acorda, num gozo que mistura sal e sangue, sabe que prazer e dor fazem o ‘super-homem’, ela quer a intensidade da fome, despe meus an_seios e me veste de liberdade, faz ecoar o grito da angústia corroendo o estômago e a gargalhada de um orgasmo livre e insano, porque sabe que só a loucura faz todo o sentido, só ela cura a razão!
Poemas são línguas soltas e ambíguas como a vida, se lambuzando, numa orgia, à qualquer hora do dia. A palavra em êxtase é o meu olho alucinado catando, entre os cacos humanos, pactos inconfessáveis, porque a poesia revela e é secreta como uma seita, uma seta para o infinito mistério! Ela sou eu, perdida, bandida, bêbada de lucidez, fingindo fingir, e assim, existindo, pois ‘ser’ é (im) preciso, e se isto não é possível nesse mundo desfigurado, que seja, então, no figurado, onde o véu da palavra é a placenta que me protege e alimenta. Renasço do seu ventre, quando meu olho copula com o mundo, através de sua ereção. A palavra tesa penetra fundo os becos, rasga o escuro...até sangrar, e o prazer ser extraído nem que seja a seco. Ela é flecha, é faro, é fera que ninguém domina! Por isso a roubam do povo, mantendo um país sem voz, senão a dos ditadores ‘sem palavra’, que a estupram e tiram-lhe toda a poesia que um dia poderia despertar o homem de dentro desse silêncio corruptor , que tortura a vida presa na garganta...sem nem, sequer, um gole d’água...
E em pó a ética se transforma, e a poética satiriza as ruas e suas dramatiz_ações...Gregoriana_mente insisto em ser barroca nessa pós-modernidade feita de versos livres que se perdem na disritimia de uma poesia acelerada, tão fragmentada quanto suas personagens.
Ainda quero gastar os meus sapatos, há muitos passos a ser dados... No Paço, ainda muitas promessas pelas escadarias... Na minha cidade, a poesia não dorme, caminha comigo, grudada aos meus pés, entre pedras e mar,alinhando caminhos na palma das mãos perfumadas de alfazema, e pelas ladeiras escorre como nascente de sonhos...
Arranha-se...afoga-se..., mas a poesia não cansa de denunciar o feio, e o belo, afagar...re(x)citar!
(RaiBlue)
A ótica em pó
a po_ética fora da ótica
e o olho nu se veste de mentiras
que de tanto fingir ser verdades
tornam-se poesias
e eu bebo essa verdade inventada
como um antídoto
e na desordem que proclama a palavra
a lei é clara
" viver é sucinto"
e o verso salta
do poema-abismo
*
*
*
RaiBlue
"Onde o véu da palavra é a placenta que me protege e alimenta"
A poesia de Rai Blue é um convite a decifrar códigos e metáforas do universo humano. Ela quer banir a superficialidade. Mostra a alma humana carente e impulsiva, sedenta e inodomável. Como sempre, salta e vai a frente, resoluta a expôr o inconsciente, o ID, em insinuações metafóricas ricas e seminais. Um poema "blue" em toda a sua magnitude. Aqui vale o que o inconsciente quer falar. Trata-se de um bom, ou melhor, fantástico resultado das abstrações da psiquê humana, onde o prazer é fundamentalmente, uma das modalidades essenciais à vida. Uma OBRA em tom surrealista que elege o instinto, a fantasia, as emções condicionadas para dar um show na defesa de certa emancipação dos instintos ( do prazer) na vida humana.
Bruno Resende Ramos
Baby,
Não poderia ser mais lindo o seu retorno ao Over, com essa maravilhosa prosa poética, que diz tanto de sua alma e das de todos nós ! Nas curvas vermelhas espessas da poesia tudo arde e perde-se, em sensuais esquinas nuas e cruas. Bebemos desse cálice de êxtase, como bandidos, marginais e malditos, consumindo esse néctar proibido às mentes comuns, ao senso tacanho dos pequenos burgueses. É na poesia que nos libertamos das correntes covardes de hipocrisia, onde tudo torna-se possível, é só se entregar à chama desse mergulho. Libertemos o grito que nos corrói por dentro, ganhemos asas, nem que sejam de demônios...Lutemos contra o comodismo do amor vendido, calado, alienado. Sejamos insanos, livremente insanos...Gozemos nesta orgia da palavra, no orgasmo do verso livre de preconceitos, de qualquer limitação...Renasçamos da placenta escrita para esse mundo individualista, onde o povo é calado à força, violentado em sua vontade por demagogos e corruptos tiranos, que reduzem tudo a nada, ao pó de suas podres feridas do caráter...Sejamos barrocos, vomitemos a palavra engatilhada em cima da falsa moral burguesa, escorramos pelas ladeiras que (e)levam-nos aos sonhos mais profundos, feitos de pedras e mar... Re(x)citemos o que não pode se calar !
Parabéns ! Linda a imagem, perfeita...
Grande beijo em sua alma livremente intensa...
Raiblue,
intenso e verdadeiro seu texto
Po- ética, ( etica virando pó) é um olhar profundo sobre o caos que nos cerca, o mundo que nos prende e a vida que nos confunde.
F eliz de você que sabe captar tão bem esse olhar e aborta palavras atraves de uma visão privilegiada.
bjs
A Doroni fez menção justa e mais profunda ao poema da BLUE que nas entrelinhas acusa o mal uso da palavra, a prostituição da verdade.
"Por isso a roubam do povo, mantendo um país sem voz, senão a dos ditadores ‘sem palavra’.
É um levante poético contra a mordaça que se põe a verdade que se não quer calar.
Abraços
Blue, sempre densa, intensa, cheia de vida.
Nas linhas que escreve me descrevo, me vejo.
E...Um beijo.
Entendo que o grito, o alerta, a luta contra o amordaçamento e demais coisitas devem ser sempre lembrados...
Devemos nos opor a tudo que prejudica e a tudo que nos cheira tirania, ditadura...
Quanto a viver, amar, e lutar pela paz é um dever de todos..
A prostituição esta para ser legalizada (?) o Lula falou que as moças-damas deverão ter carteira assinada e todos privilégios concernente, basta aprovar o DECRETO DE DIREITOS HUMANOS (?????).
Abraços
kfarias.
Raiblue,
...ô se toma tenencia nessa via poética, colocar po no seio do verbo é de uma coragem,parabéns.Mas estou aqui para agradecer!!bjs de
dramatiz_ações...
Votado
A poesia é nectar..e a sua não deixa de ser nunca
Ler e reler tuas palavras é muito bom
pra mim, me acalma, me propicia sonhos e reflexoes...
ainda bem q voltou e com tudo
bj
Espetáculo, RaiBlue! Ótimo te reler!
Abraço,
Carlos ETC
http://interludios.blogspot.com
Salve,Raiblue,magistralmente poética e que nos permite,com um texto abundantemente belo, tocar-nos o corpo e a alma,dentro da noite prostituta e do verbo que rasga a carne.Que maravilha,que feliz sou por tê-la como rainha.Ósculos,amada.
Cezar Ubaldo · Feira de Santana, BA 13/1/2010 08:19É a Raiblue e o seu talento azul.Adorei.Votado.beijo na pele do seu coração.
Orisvaldo Tanniy · Teresina, PI 13/1/2010 13:31
Lindo, Blue, um verdadeiro execercício para decifrar, as metáforas como sempre colocadas em belos poemas.
bjs
Oi. Chegou balançando as estruturas né? Texto fiel e corajoso, como tudo o que fazes!
"O olho é a luz do corpo. Se teu olho é são, todo o teu corpo será iluminado". (jesus).
Abraço fraterno.
Amore, que coisa intensa é a escrita dos melhores, ufa! Vc escreve com uma magia e uma singularidade que todos saberão que o texto é seu. Adoro te ler e ti sentir profundamente. As palavras são as suas marionetes e vc sabe conduzi-las com perfeição. Salve salve ,Raiblue. Abreijos!!!
Dayvson Fabiano "Imorrível" · Recife, PE 13/1/2010 23:35
Raiblue · Salvador (BA) ·
O pó...a ótica e a po_ética...
Uma História e Vivência que temos de respeitar e elogiar pelo merecimento.
Poetas como Tema e Poetas como esperança e energia, animando pra quallquer um. sempre ajudar´.
Uma destacada produção que revela a capacidade de criatividade e produção.
Parabéns.
Abração Amigo a Todos.
lindíssimo, e como sempre, explícito, seu poema não veste burca... não capitula... continue assim... e lembre-se, em matéria de ideologias a esquerda fica à direita de quem entra....
beijos
"Ser livre dói..........". Acho que sim. o ser livre é muito relativo
Mas, estou pensando, agora, hoje, no Povo do Haiti.
Logo ao Haiti, vitima do mais geral, mais intenso e mais longo bloqueio economico da História dos povos. Precisamente 202 anos.......
abraço
andré
Este foi mais um jorro poético,meus queridos, e confesso que tem passagens que são verdadeiros insights, porque a poesia não me deixa nem quando estou prosa...hehehe...Portanto a compreensão não se dá apenas seguindo a lógica, mas pela intuição...pelos sentidos...
E é bacana ver os diversos caminhos que cada leitor toma ...é o que torna rico o texto, e não o texto em si.
Muito grata a cada um pelo carinho da leituras e emoções aqui registradas.Só me fazem evoluir nas arte de aprendiz de poeta...rs
Um beijo azulzinho a todos!
c/ carinho
Blue
E tudo novo de novo!!!!
...oportunidade de escrever um novo livro,hein?...rs
mais besitos...
Bela expressão da arte em transe poético...bj
Juscelino Mendes · Campinas, SP 15/1/2010 00:28
Rai
estou aqui, ainda é janeiro. Um feliz ano novo pra voce...
Ser livre, dói. Dói mesmo. E o verbo rasga todas as possibilidades e as impossibilidades tambem.
Belo texto. Justificando a escritora que voce é.
Um abraço
EG
Estou com um poema na edição
Se puder ler...
http://www.overmundo.com.br/banco/reticencias-5
Perfeito como um mar calmo em noites enluaradas.
Beijus mil.
sei_os seus poemas...
sempre milk
sempre senso
sempre profundos temas...
beijo
Primeiramente assumo minha condição de "aprendiz" ao comentar tua poesia; e "segundamente" sou suspeito ao comentar, pois sou leitor assíduo e admirador da tua escrita - aliás, tão tua quanto nossa. Começo a comentar o papel da corajosa foto, bela por sinal, que me faz pensar em alimento, em proteção, em deleito, em carinho. Uma representação fantástica da arte poética, que para mim é um corpo feminino que é mais perfeitamento belo e divino quanto a tudo...
O texto me fez vivenciar a própria construção da poesia, onde a calorosa inspiração - união de alma, mente, palavras e "[...] versos enc_ardidos que ejaculam a poesia[...].[...]num gozo que mistura sal e sangue [...]" - é a própria construção da psicologia da composição, dos saberes poéticos encontrados na vida, no que se tem vida, no que se é concreto, sublime, e também no que se é abstrato tornando-se concreto, já que vira palavra-poesia-poética.
E, por fim, e também fantástica_mente a bela poetisa reconhece a "sua pequenez", a trajetória ininterrupta da sua escrita, o amadurecimento a cada caminhada-escrita e própria benção que a poesia a permite em si, já que traz elementos do fazer-se bem poético.
Sou um fiel admirador de sua escrita, e aqui deixo registrado pequenas palavras...
Beijos
Zé Jorge (Jorge Raimundo).
Oie, Zé, meu lindo...fiquei imensamente feliz com o teu comentário tão verdadeiro!
Mas saiba que essa condição de aprendiz é nossa....eternamente, e ainda bem, porque somente assim iremos aos pouquinhos evoluindo, evolução esta como um processo lento e sem fim...
E vachei lindo quando vc colocou o processo de construção poética
como a junção de palavras, mente e alma...pois é assim que eu sinto a poesia também...ela deve ter esses três elementos como alicerces de sua beleza!!!
Muito obrigada,Zé, pelo carinho aos meus poe_mares...hehe
Visitei teu blog, tbém...depois deixo comentários,tá?
Beijinhos bluecarinhosos
Blue
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