Em uma sociedade quem tem um padrão educacional fragmentado, percebe-se de forma clara que o poder do professor dita a direção, de forma centralizada e autoritária.
Não encontramos na escola instituição qualquer sinal de mudança deste padrão, pois o corporativismo antropocêntrico de grande maioria dos professores, reproduz de forma avassaladora o poder da parte sobre o todo.
O sistema dá ao professor a posse do saber, negando ao estudante qualquer possibilidade de criar, transformar, compartilhar e construir. Os pais na maioria “presos” neste padrão, somente o reproduzem. Aos estudantes resta aceitar tal padrão ou ser excluído do sistema.
A vocação da escola na construção do saber crítico, participativo, democrático, ético e cooperativo, construtora de novos paradigmas e fortalecendo uma sociedade mais evoluída não passa de mera retórica acadêmica, ou melhor, um ilusório discurso. A institucional escola é uma realidade ilusória, alimentada nas sombras capitais. A realidade cotidiana é mais que prova do fatalismo educacional.
Fortalecer gestos e ações que possuem em suas bases um saber construído no âmago da alma permite passos na direção de padrões mais evoluídos... No teatro da escola a arte deve ser fortalecida, permitindo que o estudante crie, na segurança de ser respeitado, integrado e aceito como diferente, pois é no diferente que está o novo padrão.
Quando cooperamos na compartilha da essência da vocação das partes, realizamos a religação necessária para retornar ao caminho do humano. Temos o poder do todo compartilhado com as partes e das partes com o todo... E o novo se costura no incondicional amor.
José:
Sou professora e gostei muito de seu texto. Acho que a escola, sim, deve buscar refazer a ligação com o ser humano, que os alunos têm de ter mais liberdade em relação ao saber, e que, principalmente, a escola deve ajudá-los na construção de seu caráter.
Mas, diante de uma sala de aula, esta conversa parece muito distante. Por quê? Porque a maneira como as pessoas vivem, o cotidiano e o ambiente têm um peso gigantesco no modo como as aulas se constróem.
Acho que é complicado assumirmos uma posição radical, dizendo que as escolas não mudam. Talvez a maioria realmente continue a mesma. Mas não todas. Vejo diversos professores e diversas escolas se esforçando para serem diferentes. A questão seria se a sociedade em que esta escola atende está preparada para uma escola diferente.
Quando mudamos nosso atuar nas aulas, a própria comunidade vem nos questionar se realmente damos aulas, por que as crianças não passam muito tempo copiando e coisas do tipo.
Não estou aqui contra o seu texto, ao contrário. Acho que o quero dizer é que as comunidades, a sociedade devem mudar seu agir tanto quanto a escola. Na verdade, é uma mudança que deve acontecer simultaneamente, porque, do contrário, torna-se um "ir contra a maré" que, muitas vezes, leva a lugar nenhum.
Abraços.
Um belo comentário/crônica o seu. Eu, em particular me auto excluo da escola instituição. Acredito na escola em rede ou teia, construida no cotidiano apoderado, isso, eu vivo, aprendo e construo o saber com prazer... Agradecido, José
José · Criciúma, SC 29/11/2006 14:12Oi, adorei teu texto mas, concordo plenamente com a sofia. Tb sou professor e acredito q toda e qualquer mudança deva ocorrer primeiro na sociedade, nas relações dessa com as instituições q ela criou e na expectativa dos resultados por ela esperados....
Marcelo Uchoa · Aracaju, SE 4/12/2006 20:13
Olá, Marcelo Ucho!
Este discurso padronizado: "adorei, mas..." é típico do padrão corporativista do professor... Uma tentativa de esconder as "sombras". Os professores nunca assumem sua parcela de responsabilidade, com raras exceções. Mudar com este padrão se faz urgente, do contrário é "chover no molhado"... Grato, José
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