O PRINCIPAL
Juliana S. Valis
Principalmente quando o infinito nos convida
A aprender a amar e a lutar melhor,
Sentimos que o ápice de nossa vida
Está na paz da alma que só
Mergulha na sabedoria que o tempo abriga,
Em cada dia que requer suor !
Principalmente quando a dor acorda
No precipÃcio das ilusões,
Vemos o indÃcio que a emoção transborda
Lá no centro dos corações,
Enquanto a vida já nos pede a corda
Que nos salve do fundo das paixões...
E, de repente, queremos ver sentido
Em todo o dinamismo desse injusto mundo !
Pedimos conselhos a certos amigos,
Atiramos dúvidas no caos profundo,
Misturamos lágrimas e risos, novos ou antigos,
Embaralhamos cartas de qualquer jogo imundo,
Viajamos, em naves espaciais, por planetas inimigos,
Quando pensamos que o principal é o amor fecundo,
Entre as estrelas do universo, em versos inibidos!
Mas tão dispersos são os sentimentos
Que voam como pássaros sem muita calma;
Enquanto perguntamos, em nossos dias lentos,
Qual será o principal sentido, aqui, de nossa alma ?
Quantas emoções farão seus monumentos
Enquanto o coração e a vida estiverem lá na palma
Do principal enigma que se lança, subitamente, aos ventos ?
O principal enigma nos humanos pensamentos.
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www.cultura-diversao.blogspot.com
poema registrado por Juliana S. Valis, copyright.
essa é uma pergunta:
qual é o principal?
outra: qual principal?
outra: e o que não está no centro, o que não é definido como principal?
gostei da sua prosa poética.
tem sentir
tem abertura para inomináveis criaturas
tem dor e além-dor
abraços,
Show de imagem !
Versos inibidos ...
Existem ?
Votei
Juliana,
nós, nossa alma e pensamentos.
qual o significado e tudo?
enigma...
bjs
tem bons versos, mas o excesso de inversões para rirmar me causou estranheza.
Mão Branca · BrasÃlia, DF 25/11/2008 09:25
Amigos, obrigada pela gentileza de todos=)
Juliana S. Valis · BrasÃlia, DF 25/11/2008 15:06
A mesma Corda...
É a mesma coisa, desde muito, esta tal de corda!
Só cambiando as instâncias e os aprendizados,
as testemunhas, os cúmplices e a finÃssima borda
com que se separam, como em capÃtulos, slides...
se juntarmos TODOS, lado a lado: eis-nos paralisados!
Vejo, pelos pulsos, atados, sem rostos, os filhos da aids!
Unidos, reunidos com que aleatoriedade por esta tal de corda?
Fios dos destinos, teoria dos conjuntos, a perfilar condenados...
Cores, idades, nomes, sotaques, caráteres, vestes, talentos, porta
única, só a que entraram... Todos também possuem, desolados
Pensamentos em outras tais e quais linhames: corda é brinquedo?
De subir em árvores, escalar alturas nobres, descermos escondidos
mãos ardendo, vermelhas, cheirando esforço, desafios e folguetos!
De pular em 1, 2, 3 até 15, rindo, suados, vermelhos, os pés fugidos
da eliminação, da saÃda, continuando, derradeiro, foi sem medo!
A mesma função, outro jogo, cabo de guerra, duas belas tribos
pés colados ao chão, tornozelos torcidos, quadris tão colados
todos dando o melhor de si, unidos por uma corda e gritos!
ninguém quer perder, sair, ser visto de cima, ridicularizados
Em tudo acima, nossos olhos pousam em alguém, um troféu?
Será nossa "corda" ideal para alcançar outras travessuras?
pois, rápido entendemos razão da competição: provar o mel!
aà é que temos as primeiras feridas, as dores as tristes fissuras...
Mais uma corda conhecemos, arquivamos no bibliocordários...
É a corda da auto-punição, dos castigos e penas auto-impostos
ficamos numa gaiola, vendo um mundo e só lá fora sol: sou canário!
Canto de meu poleirinho, afio bico na corda: rei desposto...
Faço ainda de tantas cordas, um comprido e profundo ninho
mas se entro, nada mexo, preso fico, atado, de pé sou múmia!
Bom mesmo isto é no frio, aà a prisão tornar-se abrigo, castelo fino
Torna-se torre, dourada, rangendo se me coço, de cima sou cume!
Até aqui evitei lembrar outras cordas, da ponte entre dois mundos
suspensas por tuas e minhas afinidades, de inÃcio tão comuns, pias!
Vindo com o tempo o fim, o assombro já sem validade, agora frias...
A vida como escada rolante, içando tantas Terezas e mil Raimundos
Enfim, são cordas também alavancas potentes, poderosas correntes
Vejo como nosso sangue, correndo por desfiladeiros internos, vão
visitando rincões, distribuindo dons, desfazendo nós: as sementes
brotando como conduta real, de que nossa vida é só rápida ilusão!
Reconheço agora o principal: sermos menos monumentos, o meio!
De se liberar, não as necessidades da matéria, mas a imortal.
Só assim, cai diante de nós a última, derradeira corda, do esteio
de todas as vidas reunidas num só colar, ei-lo! Passai o portal!
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