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O Problema do Filósofo não é Pensar Muito, mas a Morte...

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maravestruz · Caiçara do Rio do Vento, RN
10/12/2007 · 39 · 7
 

O PROBLEMA DO FILÓSOFO NÃO É PENSAR MUITO. SEU PROBLEMA É A MORTE. (uma teoria ?).

Uma vez, pensando muito profundamente sobre a questão do porque os seres humanos com aptidão para pensar muito, posicionando-se como pensadores e podendo chegar ao que consideramos FILÓSOFOS (intelectuais capazes de procurar as causas primeiras das formas de conhecimento e linhas de pensamento), porque esses pensadores eram classificados como “gente que pensa demais” e, portanto, acabam tendo problemas, alguns chegando à loucura, outros matando, muitos recorrendo ao suicídio...

O problema existia realmente e as pessoas comuns passaram a considerar o pensador como um “anormal”, “alienado”, “louco”, “anti-social”, etc., portanto, errado, fora de lugar, na contra-mão da normalidade, criando-se uma forma de conceito que resumia o pensador sério como um ser problemático. O problema existia e existe, mas era preciso PENSAR filosoficamente a questão, para entendê-la. Por isso passei 20 anos procurando uma explicação, até que num dado momento, me veio a compreensão clara do que realmente acontecia.

Certamente o pensador tem um sério problema. Qual será ? Será pensar muito ? Talvez... Por que?

Sobre essa questão procurei desenvolver uma linha de racionalização, capaz de identificar onde estava o problema. Resultado ? O PROBLEMA DO FILÓSOFO NÃO É PENSAR MUITO, MAS A MORTE !

Vejamos: a Ciência tem comprovado, historicamente, com farto material à disposição de todos, que a grande maioria (algo em torno de 95%) dos seres humanos “NÃO PENSA” profundamente as questões gerais da humanidade, do que resulta que O GRANDE PROBLEMA DA HUMANIDADE É NÃO PENSAR.

Ora, se o NÃO PENSAR é o verdadeiro e universal grande problema do Homem, PENSAR MUITO não poderia, ao mesmo tempo, ser a mesma coisa, ou seja, não pode ser problema para ninguém, aquilo que é o contrário do problema. Simples e claro !

Mas, então, o PENSADOR não teria problema ? Claro que teria e tem, pois se pensar pouco é o VERDADEIRO PROBLEMA, pensar muito sobre muitos que pensam pouco, não poderia deixar de conduzir o PENSADOR para “fora do lugar” , isolando-o do sujeito-objeto de seu foco, o Homem. Quanto mais o PENSADOR se aprofunda na compreensão sobre o mundo e o Homem, mais se distancia, grupalmente, de seu meio, resultando numa equação problemática , segundo a qual, quanto mais compreende, menos se identifica. Isso não resolve a questão, porém, se considerarmos que, a qualquer tempo, qualquer Ser Humano pode “INCLUIR-SE” num grupo social, se assim o desejar firmemente. Acontece que para o PENSADOR, o mundo se resolve pelo PENSAR, ainda que dependendo da sucessão dos fenômenos físicos e espirituais (ou mentais), e ao avançar fisicamente no tempo, aprofundando bi-direcionalmente sua vivência (inclusive com a idade física) e o distanciamento de seu grupo social, avança na direção da morte, com a consciência de não lhe sobrar tempo físico para reorientar sua inserção social. Ou seja, já está excluído, incompreendido, desclassificado e, consequentemente, morto.

O seu real problema, como de qualquer mortal, é a morte, que inexoravelmente se coloca na trajetória física dos seres viventes. Ao compreender o mundo, é tarde para tentar reincluir-se, não apenas porque seria um retrocesso, mas porque não dá mais tempo.

(Conclusão no arquivo).

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informações

Autoria
Márcio Cezar Carvlaho
Caiçara do Rio dos Ventos - RN
Ficha técnica
Breve especulação teórica sobre o pseudo-axioma que o juízo popular estabelece em relação àqueles que "pensam muito".
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Paulo Esdras
 

Maravestruz, gostei da sua forma de escrever. Porém gostaria de pontuar algumas opiniões:

Os FILÓSOFOS não são "intelectuais capazes de procurar as causas primeiras das formas de conhecimento e linhas de pensamento". São apenas PENSADORES, ou seja, aqueles que fazem o que você fez durante um longo tempo antes de escrever seu texto: pensar pelo simples prazer de pensar.

Os filosofos não "acabam tendo problemas, nem chegando à loucura, ou matando e muito menos ainda recorrendo ao suicídio..."
O que ocorre é que há algum tempo atrás os loucos eram considerados sábios (e não o inverso). Mas o que é a loucura? É a mente daqueles que pensam diferente de nós? Os problemas enfrentados pelos filósofos muitas vezes foram mais de ordem social que fisiológica. Quando pensamos demais começamos a duvidar. Quando começamos a duvidar o questionamento é inevitável. E o questionamento é um perigo àqueles que detêm o poder. Sócrates é um exemplo clássico.

A morte (como Sócrates, Platão e outros acreditavam) não é um fim. Não haveria sentido nenhum na vida se não houvesse uma continuidade extracorporal.

Paulo Esdras · Brumado, BA 12/12/2007 16:19
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maravestruz
 

Grato, Esdras, sua abordagem horizontaliza a abordagem do assunto em questão. Acredito que você tenha percebido que minha intenção foi a de resgatar uma antiga dívida com uma suposta deformação conceitual, onde o "vulgo" (como diriam os acadêmicos), jocosa e equivocadamente, resumem essa complexidade apaixonante que é a Linguagem tratada pelo pensador, como um "defeito" de atitude ante a vida. Quando me refiro à morte, falo apenas dessa companheira histórica de cada indivíduo. Obviamente que você tem total razão quando contextualiza o sentido da morte aos olhos de determinada época, com as inevitáveis variações conceituais. E não é à toa que você se refere ao processo como "pensar pelo simples prazer de pensar", dando o devido tom de grandeza ao objeto de nosso foco, como prazer, não dor ou sofrimento.

maravestruz · Caiçara do Rio do Vento, RN 13/12/2007 18:45
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seraquevcpensa
 

Primeiro que não são os filósofos que tem algum tipo de problema,
E sim os 95% da população que acha que oque não se saber se deduz pela fé
Ora e bem claro que esses não estão nem um pouco interessados nos por quês? Da vida
São estúpidos por demais para compreender quaisquer coisas talvez sejam essas os motivos da nossa “loucura’’ eles estão tão cegos perante o mundo que estão a espera do juízo final sento que já fomos julgados e condenados a uma eterna vida hipocrisia e imoralidade.

seraquevcpensa · Marataízes, ES 27/7/2010 19:05
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
seraquevcpensa
 

Primeiro que não são os filósofos que tem algum tipo de problema,
E sim os 95% da população que acha que oque não se saber se deduz pela fé
Ora e bem claro que esses não estão nem um pouco interessados nos por quês? Da vida
São estúpidos por demais para compreender quaisquer coisas talvez sejam essas os motivos da nossa “loucura’’ eles estão tão cegos perante o mundo que estão a espera do juízo final sendo que já fomos julgados e condenados a uma eterna vida hipocrisia e imoralidade

seraquevcpensa · Marataízes, ES 27/7/2010 19:09
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seraquevcpensa
 

Primeiro que não são os filósofos que tem algum tipo de problema,
E sim os 95% da população que acha que oque não se saber se deduz pela fé
Ora e bem claro que esses não estão nem um pouco interessados nos por quês? Da vida
São estúpidos por demais para compreender quaisquer coisas talvez sejam essas os motivos da nossa “loucura’’ eles estão tão cegos perante o mundo que estão a espera do juízo final sendo que já fomos julgados e condenados a uma eterna vida de hipocrisia e imoralidade

seraquevcpensa · Marataízes, ES 27/7/2010 19:13
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maravestruz
 

Compreendo. Mas relendo Platão (O Banquete), nâo é absurdo
relacionar o falar dos 95% como narrativa desfocada de suas
próprias vivenciações. Nesses escombros da "Caverna", não há
linha de pensamento que se sustente... O diálogo, como fonte de
interação do saber, inexiste, enquanto a ausência de memória
anula a natureza dos fatos. Ou seja, na prática, pensar é que é
o problema. Pensar muito é uma transgressão ao código de
mutismo que o não-pensar inaugura como fato social. O conceito
de morte, então, precisa ser revisto, uma vez que quem pensa
já é morto. O filósofo morreu. Viva o filósofo!

maravestruz · Caiçara do Rio do Vento, RN 27/7/2010 22:10
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maravestruz
 

Recentemente, relendo estes escritos, cotejei-os com uma abordagem especializada no assunto, no magnífico trabalho de André Vergez e Denis Huisman, "Histoire des Philosophes Illustrée Par Les Textes", Traduzido do Francês por Lélia de Almeida Gonzalez na 2ª Ed. Livraria Freitas Bastos, RJ,1972, onde há farto material para discussão. Mas o que registro, aqui, são apenas dois pontos iniciais contidos na introdução da obra: a assertiva de que "Não há progresso em Filosofia" (pg11) e a idéia desenvolvida no Capítulo 1, pags.e seguintes, onde se propõe uma "chave" para entender o vigor do pensamento platônico, como esforço do pensar que busca um mundo para proteger o pensamento socrático, próximo ao conceito de verdade primeira e à salvo da realidade contingente, ignorante, violenta e injusta. Na busca da solução para uma organização social construída pelo conhecimento e pelo "pensar", a sua Teoria da Linguagem se refugia fora da realidade objetiva e nos lega o que até oje procuramos compreender. Na primeira assertiva, que incomoda qualquer leitor no primeiro contato, há uma profusão de desdobramentos possíveis, mas uma basilar explicação do porquê da permanente atualidade de Platão e de outras linhas filosóficas não tão amplas, na medida em que o filósofo, como o artista, cria sistemas de compreensão do mundo que exigem uma "fixação" de seus conceitos, num tempo em que só ele mergulha em duas direções: sincrônica e diacrônica, vertical e horizontalmente. Nós, de um outro tempo de experiências acumuladas, anulamos a possibilidade de progresso desse pensar, que só é pleno quando texto, contexto e autor se fundem cristalizadamente, só nos restando os olhos de outras ciências para atualizá-lo, ao nosso prazer. Recomendo a releitura dessa fantástica obra produzida para estudantes de Filosofia.

maravestruz · Caiçara do Rio do Vento, RN 24/4/2011 07:50
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