O que é um poeta?
Será, por acaso um artesão, um arquiteto?
Deverá andar pelo mundo com uma sacola de ferramentas
pesando-lhe, além de todos os males que carrega
e da beleza que intenta espalhar?
Qual o melhor poeta?
Quem premiará o verbo,
ainda que triste a rima
e canhestro o inventar, o texto?
Que trilhos deverão conter o verso?
Quem medirá sua largura e
a cor da alma de quem escreve?
Que outra sina terá, senão
(per) seguir o som de seus pés pisando
o fluído rumo do sentir?
Que falem os sábios,
em sua lábia racional que
só enxerga, do verso, o superficial,
aparentando não saber que há,
latente em cada poema,
ainda que breve,
o sangue, o reverso da alma,
o íntimo sentir de quem escreve.
(a propósito de algo que li por aqui).
Adorei Saramar! Não conseguiria descrever um poeta em um poema...Fizeste de maneira linda!
O Modernismo, nos possibilitou reinventar a escrita, escrever o que sentimos ou não da maneira que queremos. Não precisamos usar regras, métricas (aquela poesia chata que aprendemos no colégio rsrs); que muitas vezes seleciona o leitor pois muitos não fazem a leitura de uma poesia por falta de compreensão.
Ainda se me permitires acrescento, ser poeta é saber ser singular e plural ao mesmo tempo, é colocar o seu sentimento em palavras, permitindo que o leitor sinta o que quer!
Poesia é arte...Mas a arte das palavras, da alma...
Adorei o poema!
beijos
Eu próprio não saberia dizer. Mas digo, através de uma citação:
"Um dia acordei e percebi que ninguém
é ou deixa de ser poeta somente porque deseja.
A poesia é como um vírus que já nasce com o poeta.
E quando menos se dá por isso o vírus desperta
e faz o poeta amar incondicionalmente tudo o que dói.
Faz o poeta beber silêncio para não verter lágrimas...
E faz o poeta chorar palavras"
O que você acha?
bjs.
Quem haverá de saber saber o que há,
latente em cada poema, muito além do que se pode ler e perceber...
Muito belo, Saramar!
bjos.
Belo Poema Saramar...Escrevi Automóvel , pois também li algo contra "estados d'alma", que os poetas nada são do que apenas doentes e seus dramas...Em contrapartida André teixeira escreveu "Estados d'Alma...
Pois é Poeta tem a palavra, o fio da navalhaa cutucar doces feridas ou um salgado marejar...
Parabens Saramar. Repito aqui. O Poeta não precisa do crivo dos "acadêmicos" e seus chazinhos em porcelana inglesa e bolinhos de chuva e carolinas...
Parabéns pelo seu poema. Embora eu precie a estética, a melodia, o rítmo e a rima na poesia, aprendi que a poesia é algo dificil de controlar quando vem. é exatamente como diz o samba de Paulo Cesar Pinheiro e João Nogueira (O poder da criação), que transcrevo abaixo:
"Não, ninguém faz samba só porque prefere
Força nenhuma no mundo interfere
Sobre o poder da criação
Não, não precisa se estar nem feliz nem aflito
Nem se refugiar em lugar mais bonito
Em busca da inspiração
Não, ela é uma luz que chega de repente
Com a rapidez de uma estrela cadente
E acende a mente e o coração
É, faz pensar
Que existe uma força maior que nos guia
Que está no ar
Vem no meio da noite ou no claro do dia
Chega a nos angustiar
E o poeta se deixa levar por essa magia
E um verso vem vindo e vem vindo uma melodia
E o povo começa a cantar!"
Um beijo!
Saramar · Goiânia (GO)
Trabalho e tema Fascinante.
Uma Descricáo perfeita.
Criou Um ambiente de descontracáo
Poeta é o menestrel sem engano.
Que canta tudo que é humano.
Que seu amor é o seu cantar.
E canta toda a liberdade.
Por mundo de felicidade.
E seu amor náo faz poupar.
Obrigado Mestra Poetiza,
por seu trabalho táo especial.
Abraco fraterno.
O poeta é o Amor.
saramar o que posso falar
mais de você? (rs)
ab
Um poeta é simplesmente um sonhador acordado.
Paulo Esdras · Brumado, BA 2/2/2008 18:40Olha eu aqui, e você nem me falou, mais quem procura acha, e foi com imensa satisfação que dei meu vocto a SARAMAR, grande ser humano e poeta, meus parabéns, desejando muito sucesso, com afeto Efigênia Coutinho
Efige · Balneário Camboriú, SC 2/2/2008 20:29
Saramar,
ser poeta... você respondeu melhor do que a "lábia racional"!
abçs de betha, que, às vezes, brinca de versejar.
Acho que você "mandou bem", Saramar. Não só por ter demonstrado habilidade na construção do poema publicado, mas por abrir uma possibilidade de discussão sobre o tema. O que é ser poeta, afinal?
Sabe-se que o entendimento de cada um a respeito do questionamento deve ser considerado num possível debate neste sentido, já que a palavra poeta pode ter sentido vário. Uma coisa no entanto me preocupa, quando tratamos do tema: a banalização do fazer poético. Sinceramente. Considero esta uma das pragas que mais assola a poesia brasileira atualmente.
Explico rapidamente. Não está no gibi o que encontramos por aí de textos irrelevantes que se pretendem poemas. E como se espalham em livros bancados pelos seus próprios autores, assim como nos espaços virtuais. É infinito e crescente o mar de publicações. Além dos livros, sobram sites e blogs do gênero. Achar coisa boa muitas vezes é tarefa árdua, como buscar agulha em palheiro.
Penso que um ponto de discussão sobre o assunto seria sim interessante no Overmundo. Quem sabe a partir de alguma publicação em prosa no Overblog por parte de alguém que domine o tema. Ou talvez um tópico no Observatório.
De uma coisa tenho certeza, eu que aprecio muito literatura e até arrisco uns versinhos, embora não os tenha publicado ainda: aprende-se muito acompanhando o que bons poetas e escritores pensam a respeito do assunto.
Quero finalizar com um poema de Drumond, que deixarei noutro comentário, e com este questionamento: o que você por aqui que te despertou este poema? Não estaria na tal publicação (ou comentário) uma boa oportunidade para também se debater o assunto aqui?
Agora o poema de Drumond. Muito revelador por sinal...
PROCURA DA POESIA
Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou dor no escuro
são indiferentes.
Não me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem de equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.
O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo
Uma correção necessária ao entendimento do final do meu primeiro comentário e que tem a ver com o que a Saramar deixou ao final do seu poema entre parênteses:
"o que você leu por aqui que te despertou este poema? Não estaria na tal publicação (ou comentário) uma boa oportunidade para também se debater o assunto aqui?"
Saramar,beleza , o que lhe inspirou? Parabens, voto
victorvapf · Belo Horizonte, MG 3/2/2008 08:05
Grande Saramar,Que outra sina terá, senão
(per) seguir o som de seus pés pisando
o fluído rumo do sentir?
Adorei seu poema, principalmente este.
Votado ainda a tempo, pois tenho estado sem pc.
Beijinhos com carinho, sempre
Olá Saramar, passei para deixar meu abraço novamente, pois ler você é sempre um renovar , Efigênia Coutinho
deixo este link :
http://www.avspe.eti.br/efi1/index11.htm
SARAMAR, VC levou-me a pensar muito nisto:"Que falem os sábios,
em sua lábia racional que
só enxerga, do verso, o superficial,
aparentando não saber que há,
latente em cada poema,
ainda que breve,
o sangue, o reverso da alma,
o íntimo sentir de quem escreve.
Um bj docinho,Sílvia
Saramar,
Belas palavras, me dou a liberdade de fazer uma pergunta através desse post, o que acontece quando um poeta parece ter perdido suas palavras?
Parece besteira, mas, eu sinto ter acontecido isso comigo, todo caso, estou digerindo melhor suas palavras, e não sei por que razão elas estão incomodando minha mente e coração.
Espero que leia esse post e que me responda.
Daniel Berg
Essa é uma pergunta que provavelmente nunca terá uma resposta definitiva. E é aí que reside toda a graça e magia de se atrever como poeta.
Eu mesmo sempre me pego escrevendo sobre o que define o poeta e a poesia. E tantos outros são movidos pela pergunta que não cala.
Poesia tem a ver com dramas, com sonhos, questões humanas... O poeta tem um pouco de louco por enfrentar esse turbilhão de sensações.
Muito bom.
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