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O rio tece as minhas palavras

Cida Almeida
1
Cida Almeida · Goiânia, GO
7/3/2007 · 92 · 7
 

A ponte do Rio Vermelho - Cidade de Goiás




O rio arrasta os olhos a perder de vista

Para os mundos do depois

Daqueles montes

Aqueles vales

Orvalhos

De agorinha mesmo

O meu desejo de andar descalça



Os olhos flutuam deslumbrados

Atrás do pensamento endiabrado

Que mergulhou da ponte

E me fez pular atrás



E o diabo disso tudo

É que a correnteza sou EU.



O rio corre

Os olhos correm

Os montes correm

Os vales correm

Na velocidade do pensamento

A minha vista encosta-se no barranco

E sonha

Esquecida da minha própria correnteza

Como o peixe cascudo

No vão das pedras

E não há linha no horizonte

Que firme o anzol dessa minha pescaria.



O rio corre

A vida corre

E eu contemplo palavras

Debruçada além da ponte

Depois da fonte de onde jorra

O espanto e o contentamento

Dessa fisgada que me prende no vão da tarde

Enquanto o rio e a vida me enlaçam

Na corrente de um fluir eterno

As minhas palavras flutuam

Na indiferença infinita do peixe cascudo

No leito de areia e pedra

A tarde escorre para dentro de mim.



Que tarde bonita e quente!

Pena que eu não sei nadar.


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Autoria
Cida Almeida

Ficha técnica
Poeisa. Cismando uma tarde qualquer na visão do rio e a correnteza da vida... O chuá, chuá das águas infindas.
Goiânia, 30-6-2006.
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Sebastião Firmiano
 

Muito bonito seu rio

Sebastião Firmiano · São Paulo, SP 5/3/2007 19:55
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Carlos ETC
 

Mas nós todos nadamos neste teu rio!
Uma beleza só!!
Abração!

Carlos ETC · Salvador, BA 7/3/2007 18:15
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Ilhandarilha
 

mesa branca: Cora baixou em Cida?

Ilhandarilha · Vitória, ES 7/3/2007 19:10
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Sebastião Firmiano
 

A correnteza e a descorrenteza em um quase mesmo fluxo.
Somos nós por essa ponte/ entre o ontem e o agora/
entre o agora e o amanhã.

Sebastião Firmiano · São Paulo, SP 7/3/2007 19:48
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Tacilda Aquino
 

A Cida tem uma vantagem sobre a Cora. Ainda pode desfrutar e registrar (com a câmara digital), a imagem que Cora via da janela de seu quarto: o belo Rio Vermelho. E também da velha ponte da Cidade de Goiás.

Tacilda Aquino · Goiânia, GO 8/3/2007 17:11
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
analuizadapenha
 

Oi... lindo este arremate "pena que não sei nadar" um brinde aos meus olhos... e um obrigada hoje no dito nosso dia ...rs. Parabéns. abraços

analuizadapenha · Natal, RN 8/3/2007 22:54
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Roberta Tum
 

O rio sou eu, a correnteza sou eu..."pena que não sei nadar?"...
Ô se sabe Cidinha!Sabe demais! Amei!
Bjo

Roberta Tum · Palmas, TO 9/3/2007 11:00
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