O Risco do Berro: Torquato Neto, Morte e Loucura

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Isis Rost · São Luís, MA
19/9/2017 · 1 · 0
 

Amostra do texto

Poesia pode nascer d’um espanto, do susto ou então por algum tipo de interrupção naquele ‘curso natural’ das coisas, e incontrolável como um espirro (ou um peido, se preferir), se transforma numa espécie de conhecimento. basta um leve desvio do olhar e novos caminhos são apresentados... estes escritos são sobre um poeta vivendo tranquilamente todas as horas do fim.
‘Desviantes’ são estigmatizados pela comunidade, afinal o terreno comum da sociedade é a norma, ou o normal. A existência de tais normas e regras deixa explícito a obrigação do indivíduo em ser inocente de cometer práticas desviantes, como a loucura e a imagem da morte no suicídio. A modernidade impõe a sanidade mental e a condenação do indivíduo na escolha do suicídio. No período mais duro da ditadura militar, percebi saliente uma recorrência dos temas “morte” e “loucura” figurando como cruciais na obra e na vida de Torquato Neto.
(...)
Torquato, um trágico desmedido, utiliza através do jornal uma forma de escrita – desesperada e agressiva – experimental, numa linguagem cinematográfica, poética e (de)cifrada, revelando acontecimentos, anunciando-criticando-defendendo os abalos culturais, driblando a censura na época. É possível encontrar as temáticas da loucura e da morte nas poesias e canções de Torquato, nos filmes e basicamente em tudo escrito por ele sobrevivendo até agora. A produção artística do compositor integra essencialmente o material existente nos dias de hoje do panorama cultural e político no período da ditadura militar.
(...)
Justo num dos momentos mais sangrentos até hoje por aqui, a loucura e a morte soam como expressões reveladoras do período, usadas incessantemente pelos artistas e escritores na época. Por quais motivos a morte e a loucura estariam presentes com tanta evidência e vivacidade na produção cultural da virada dos anos 1960/1970?
Tal problemática seria analisada perfeitamente no embalo dos filmes da Bel Air, vertendo loucura e morte d’ 1a maneira violenta nas cenas, ou então por intermédio das poesias marginais escritas no filete de sangue da época, ou até inserir na discussão as músicas de Macalé e Sérgio Sampaio. Fiquei (SÓ) com o anjo torto, nos apontando como a geleia geral brasileira,
e vivendo intensamente a cultura subterrânea nas margens d' um país regido pela crueldade da ditadura militar, ocupando espaços e rompendo os limites estabelecidos entre a arte e a própria existência. n’1a época onde o indivíduo se encontra em desagregação, abnegado por mecanismos impiedosos de repressão, e esmagado por vontades inalcançáveis, e é possível se perceber desesperadamente arruinado e sem possibilidades, na sarjeta sentindo como quem perdeu algo, mas já nem consegue ao certo identificar o quê, quem sabe apenas a loucura nos presentearia com alguma sensatez. A busca pela esperança na liberdade, mesmo sendo no (ou através do) caos.

Sobre a obra

Este trabalho é fruto de alguns anos de pesquisa sobre a vida e a obra de Torquato Neto. Um dia foi monografia, lá no curso de ciências sociais da UFMA...

Depois tentou respirar fundo e... quem sabe, uma chance ao experimental?

Bom, desde então, o projeto gráfico do manuscrito foi lentamente aprimorado, assim como o texto, na tentativa surda de homenagear a Torquato através d' um artesanato de palavras e imagens...

De repente, o "monstro", como diz o poeta, se transformou num livro:

O RISCO DO BERRO
Torquato Neto, Morte e Loucura.

Esta é uma oportunidade de difundir o nome do poeta da Tropicália, Torquato, com visibilidade apagada até então.

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informações

Autoria
Isis Rost
Ficha técnica
Projeto gráfico, diagramação, pesquisa de imagens & capa: Isis Rost
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