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O suicídio de Beatriz
Gabriel Desaix · São Paulo (SP) · 31/10/2008 11:55 · 190 votos · 37 comentários ·  
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overponto
Meu nome é Beatriz. Novamente não estou bem, por isso escrevo. Registro pedaços de uma vida. Estou na velha cabana do meu pai. Não é nada bonita. Na verdade é bem rústica. Ele a construiu inspirado nas casas de alguns colonos americanos. Uma vez fez uma viagem à Montana e viu algumas encravadas na floresta. Quando voltou, escolheu esse pequeno trecho de serra e a mandou levantar afastada da cidade. Quando menina muitas vezes trazia-me. Minha mãe não gostava, pois sempre foi adversa à Natureza.

Essa situação gerava um forte antagonismo e ajudou no fim. Hoje, quem vem pra cá sou eu. Geralmente chego aos fins de semana. Se não fosse pela maldita escola o isolamento poderia ser total. Felizmente esse é o último ano do suplício. Há quem deseje que eu vá pra faculdade, mas não vou. Para quê? Aqui tenho tudo o que preciso. Muito bom não precisar falar.As pessoas não entendem. Naturalmente que não podem entender. São muito idiotas para isso. Na escola há todo o bando de maritacas. Aquele tumulto de vozes enlouquecedor.

Acho que a questão não são as palavras em si, o que incomoda é o vazio. Todas as fisionomias sorrindo numa alegria postiça, por isso me calo. Cada vez mais me julgam estranha, mas não se apartam de mim. Sempre aqueles braços querendo sufocar numa insistência cretina na busca pela amizade. Culpa dessa minha cara. Por Deus, não tenho vaidade! Sou seca na alma. Outro dia, na televisão, apareceu uma mulher desfigurada. O marido com ciúmes imergiu o belo rosto da esposa numa banheira fervente. A face cozinhou e o que sobrou foi uma expressão hedionda. Ao meu redor, todos se compadeceram. Eu não. O que senti foi apenas inveja. Vontade imensa de estar no lugar da mulher e ver minha face transfigurada num pedaço de carne repulsivo.

Às vezes tenho vontade de pegar o canivete e fazer vários talhos. Inverno passado, ao cortar meu pulsos não senti receio algum. Fiz os cortes com meu canivete e fiquei na banheira, nua. As luzes apagadas. Somente a iluminação da Lua entrando pela ampla janela. Enquanto esperava o fim, muitos pensamentos. Sou uma refratária, fiquei esperando à morte, rija. Na banheira houve a mistura. Cada vez mais a água dando lugar ao meu sangue. Sempre gostei do meu sangue. Era uma fascinação vê-lo fluindo, quente, no abandono das minhas veias. Quando esticava o braço para apanhar a garrafa de vinho, também o chão tingia-se. O vinho excitava as idéias. Servia de ponte ao passado. De repente, do fundo tinto da banheira surgia a lembrança do meu pai morto. Os miolos grudados na porta do quarto e a cabeça infantilmente recostada na sua mesa. Mas antes disso houve o estampido. O meu eu menina de oito anos não entendeu o significado do barulho. Foi correndo até o quarto e encontrou o corpo. Mesmo assim não compreendeu. Ficou observando. Batidas na porta do banheiro perturbaram essas minhas lembranças.Nesse momento apaguei.

Infelizmente não morri. Situação muito triste para uma suicida. Aliás, sempre gostei dos suicidas. Fascinante alguém abandonar a própria vida antes do final. Que se ganha em viver muitos anos? Para quê? Por isso gosto dos romanos. De Pórcia, com todos aqueles carvões quentes na garganta. Simplesmente uma mulher admirável! E o que dizer de Virgínia Woolf em seu salto fantástico? Encheu os bolsos de pedra e submergiu. Quatorze dias depois era o corpo de uma afogada. Terminaram as alucinações. As minhas continuam. Mesmo agora em meio a esta escrita começam querer aflorar. É preciso um esforço admirável para poder espantá-las, mas são espectros insistentes. Tenho de parar um momento e fixar a atenção num ponto qualquer da cabana. Uns dois minutos sem fazer esforço algum com a cabeça. Quando termino, melhoro um pouco e novamente pego meu lápis.

Hoje é domingo, minha mãe deve estar em casa, soberana, recebendo os convidados. Haverá, sempre há, o tour pelo acervo de quadros. Rostos extasiados se deslumbrarão com preciosidades. Virão estampados pelo sorriso estúpido de ocasião. Todos felizes! Todos amigos! Todos idiotas! Já faz algum tempo recuso-me a participar da comediazinha. Até os treze anos houve a imposição, depois disso perceberam, sou perigosa! Por fim, minha ausência passou até a ser celebrada. Não mais teriam que se constranger com a acusação dos meus olhos.

Na verdade, sou tida como deplorável. Minha mãe sempre generosa nos epítetos encontrou um bom pra mim. Diz que sou subterrânea. Tem razão, pois é assim mesmo. Seria por causa do suicídio de Papai, penso muitas vezes. Quantas horas debruçada sobre livros de psicologia, mas em vão! As explicações ciêntificas não ajudam nada. São muito teóricas. Não se enquadram a mim. Por isso, prefiro ficar autopsiando-me, como faço agora. Só que cansa. Chega uma hora que cansa. É aí que as crises começam. Chegam devagar. Por indícios. Depois engolem tudo. Num turbilhão. Esse turbilhão são meus pensamentos, que giram na cabeça como um tornado. Ainda assim são suportáveis, mas apenas quando estou só. No entanto, a insistência para me constranger a mudar cresce, viscosa, a cada dia. Mas o que querem afinal? Não percebem? Como vou conseguir viver entre eles?

Essa cidade.... Assassina. Sim, matou meu pai. São todos cúmplices. Todos conheciam e ficaram platéia, assistindo. Depois, vieram pungidos, consolando. Minha mãe adorou tudo. Esmerou-se no grande evento. Um pouco antes do enterro com que capricho escolheu minha roupa! Quando impaciente tentei descer para ficar perto do caixão fui repreendida. Chamou-me desleixada. Cretina. Seus olhos estavam áridos. Somente no cemitério, um pouco antes da descida do caixão, pareceu que chorava.

Uma linda representação. Não perdeu a chance. Ao tentar me abraçar, fugi. Agarrou um dos meus braços, mas tive forças e me desvencilhei. Aqueles dedos repugnavam. Só fui encontrada dois dias depois. Estava aqui, sentada no mesmo lugar onde estou agora. Não comi. Não bebi. Não fiz nada. Fiquei como uma coruja extática velando um quadro do meu pai. Por fim, levaram-me. Deixei. Vozes diziam muito, mas não quis ouvir. Duas semanas sem abrir a boca. Veio daí, talvez, a minha ojeriza pelas palavras ditas. Em comparação com esses momentos minha vida não está tão ruim. Melhorou bastante, hoje somente é péssima, naquela época foi miserável!
Confusa. Dezessete anos e não sei o que fazer. Seria tão fácil se eu fosse como as minhas amigas da escola. Não consigo. Gostaria de ser homem. Entrar para o exército. Talvez uma guerra. A morte, a mutilação, enfim, a solidão de quem sabe que pode morrer. Qualquer coisa é melhor do que isso. Meia noite agora. Tenho ainda seis horas para decidir. Tomada uma decisão não posso falhar. Do lado desses meus papeís, muitas cartas. Encontrei um dia desses quando procurava algumas fotos. Por elas é possível a recomposição de quem foi meu pai. Fico aflita, pois parecem várias pessoas. Ainda assim, uma qualidade prevalece, a bondade. Infelizmente não serviu pra muita coisa.

Uma pena ter sido criança. No que me ajudou? Aproveitei? Não, não aproveitei. E fui incapaz de evitar o naufrágio. Ele estava afogando, não há dúvida. Era um afogamento longo, por etapas. Por doses. Terminou daquele jeito, aquela sujeira. Um caixão lacrado. Seria tão bom observar novamente a fisionomia dos que já morreram. Alguém terá algum interesse em observar a minha? Acho que não. O que haverá sim é o grande alívio. Discutirão lineamentos da minha personalidade confusa. Serão todos psicólogos e darão a sentença, magnânimos. Fodam-se. Nem sei porque pensar neles. Idiotice. Muito estranho como o tempo relativiza quando escrevemos. É o que acontece agora. Três da manhã. Nas paredes, não mais as espingardas de caça. As facas também faltam. Nem sei como permitiram que eu voltasse aqui. Na verdade não tiveram escolha.

No entanto, para alívio de consciência retiraram tudo. Restaram somente talheres e pratinhos de plástico. Utensílios de festa de aniversário de crianças. No meu de oito anos era o que havia. Não foi feito aqui e sim na cidade, na outra casa. Vieram crianças das melhores famílias. Havia a mesa, o bolo, os docinhos, a parafernália toda, enfim. Minha mãe era quem recebia. Sempre tinha a palavra certa, de ocasião. Fazia questão de me ter ao lado dela, queria exibir. Só que eu não gostava daquela gente. Queria o meu pai, procurava-o com os olhos, tentava, na confusão daquelas vozes idiotas, identificar a dele. Mas não conseguia. Também isso era difícil, pois ele não falava. Apenas comigo. Só consegui enxergá-lo quando me desvencilhei das mãos pegajosas. Estava numa mesa, segregado. A garrafa de uísque, companheira, junto. O cotovelo apoiado na mesa segurava uma cabeça pensante. A cabeça que daí a alguns dias estaria esmigalhada. Naquele momento ainda pensava. As pessoas ao redor não incomodavam. Tinham medo. A verve era poderosa! Só que estava muda. Ao ver-me não me reconheceu imediatamente, somente depois de alguns segundos percebeu que eu era a filha. Abraçou-me. Não me disse nada. Não deu tempo. Minha mãe chegou com duas amigas e astuciosamente levou-me para junto das outras crianças. Ele então ficou lá. Um solitário, como diziam. Mas não era só isso não! Havia uma profundidade intensa. Também ele era subterrâneo e pessoas assim não têm chance. Por mais que tentem, acabam submergindo. Submergidas. Esse mundo é dos que não sentem. Por isso são fortes. Não se quebram. Ficam até o final. Engolem tudo.

Quatro e meia da manhã agora. A decisão foi tomada. Estou feliz. Então comemoro. Escolhi como lenitivo mental o vinho. In vinum veritas. Já bebi três copos. O canivete jaz na mesa. Manchado. Dessa vez não haverá interrupção. Apenas o braço direito foi poupado. O esquerdo está fluindo bem. Também fiz dois cortes nos meus tendões. Embaixo de mim forma-se uma lagoa. Uma lagoa de sangue. Sim. Estou dentro dela. Daqui algumas horas afogarei dentro de mim mesma. Do meu próprio sangue. Por Deus, estou feliz! Por que demorei tanto? Enquanto for possível, vou escrevendo. Vaidosamente quero os últimos instantes dessa vida registrada. Tenho de tomar cuidado para os papéis não mancharem. Os últimos papéis de uma suicida. Comigo morre a semente de meu pai. Essa terra é muito árida para que pudesse ter germinado. Não merece nada dele! Não me merece! Gostaria do meu corpo insepulto, mas sei que não ficará. Não faltará nada. Ao contrário do de meu pai, meu caixão estará aberto. Todos poderão me ver. Sentir meu rosto. Novamente lembro que os dedos repugnam.

Encostarão em mim? Não há dúvida. Serei um cadáver não poderei impedir. Mesmo inerte me acharão linda. Essa sempre foi minha maldição em vida não haveria de ser diferente fora dela. Apenas, se tivessem a curiosidade de abrir o caixão alguns dias depois e me vissem em decomposição teriam uma real idéia como, de fato, sou por dentro, como é a minha alma. Lá de fora percebo a algazarra dos pássaros. É o dia revivendo. Veio despedir-se de mim. Na verdade, divago. Estou tonta já. As letras fogem. A quantidade de sangue é imensa. Dessa vez não foi diluída pela água e ninguém apareceu. Mas é o fim. Não consigo mais....

- * Gabriel Desaix * -


tags: São Paulo SP textos-ficcao suicidio- pulso corte
 
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Autoria   - * Gabriel Desaix * -
Data   31/10/2008
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Compulsão Diária As letras fogem. Zonzatonta, subterrânea! O mundo - todo ele não, a montanha - deveria ser dos que sabem escrever assim!
São 4,28! Releio, leio. Não é o fim. Eu volto pra comentar quando conseguir.
Olha, essa prosa tremenda merece papel.
Compulsão Diária · São Paulo (SP) · 29/10/2008 04:28 
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Gabriel...
O Suicídio de Beatriz é um dos seus textos que mais gosto. Já o li tantas vezes e em cada leitura me surpreendo, a primeira vez ainda tímida, ainda escusa, ainda sem chão... Só pude comentá-lo em poesia, me faltaram as letras racionais. Como ainda faltam. Cala-se quem o lê em um silêncio de admiração enquanto suas letras gritam...

Para Beatriz.

Fecham meus pulsos
Recolhem minhas gotas
Embalam meu corpo
Recompõem minha imagem....
É só o que resta
Resto de mim
Miragem

Lola


Beijo, meu anjo.
Lola... · Curitiba (PR) · 29/10/2008 11:34 
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Caramba...
Vai-e-vem lancinate, delísrios e mais delírios de uma mente sã, sim de uma mente sã!
Dizer o quê? Só parabenizá-lo pela escrita que prende o leitor... Quer-se saber dos mistérios contidos, o ir e vir do passado ao presente na mesma oração.
UFA!
Parabéns
abraços
Cristiano Melo · Brasília (DF) · 29/10/2008 15:18 
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Paradaça é assim que estou aqui já li e reli!
Também faço minhas as palavras de Cris!
Me resta parabeniza-lo! Ca-ram-ba!
beijo no coração!

celina vasques · Manaus (AM) · 29/10/2008 17:24 
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Marcos Pontes Tenho a impressão que é a idade crucial, aquela em que as dores levam a pensar em acabá-las de vez. Escrito denso, como têm-se mostrado todos os seus, comparável aos dos ditos "malditos". Começa-se com um Buckowisk e depois passa por tantos outros. Como somos contraditórios, todos nós, percebi algo assim na personalidade de Beatriz. Não creio que ela escreveria Vieram crianças das melhores famílias. Não, ela não veria melhores famílias, arrumaria adjetivos menos nobres.
Marcos Pontes · Eunápolis (BA) · 29/10/2008 17:53 
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Por isso, prefiro ficar autopsiando-me - Essa frase Desaix é genial.. o conto tdo é uma autópsia.. Ela se auto autopsia, detalhadamente explicando o pq de cada gesto. Só não sei se escreve com vinho ou sangue.
Mto bom cumpadi, eu o reverencio, vc é melhor no conto do que no poema (Veja é uma obs minha).
Beatriz tem uma paixão - a morte, e a necessidade de ser sugada pela escuridão, a morte é sua meta.
Eu discordo do Marcos, não te sinto maldito..rsrs.. Bukowsky não tinha uma necessidade sangrenta a dele era relacionada ao mal cheiro, ao vômito, ao pus.
O seu escrito é limpo. Cheio de sangue, mas limpo. Imaginei uma banheira branca, bem lavada, ladrilhos brancos e este sangue que corre de sua foto desenhando o quadro.

O marido com ciúmes imergiu o belo rosto da esposa numa banheira fervente. A face cozinhou e o que sobrou foi uma expressão hedionda. Ao meu redor, todos se compadeceram. Eu não. O que senti foi apenas inveja.

Beatriz considera a vida uma coisa hedionda, o prazer? Ah! o prazer... é olhar seus pulsos borbulhando cristalínicamente vermelho.
parabéns chapa.


Thiers · Niterói (RJ) · 29/10/2008 22:55 
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Compulsão Diária Volto para o comentário depois de reler. O conto é tentador em muitos os sentidos, Gabriel. Seja do ponto de vista estético, ou temático. São muitas chaves pra entrar neste conto muito bem construído, com fio narrativo impecável; agilidade para lidar com a mescla de referências literárias, psicanalíticas (estas nada explícitas) que faz. Beatriz é abominável em seu elã negativista, sua propensão para o abismo. No seu leque de sentimentos desenvolve, em especial, esse prazer em aperfeiçoar sua auto-demolição. E é muito interessante a maneira com que você explora essa aparente frieza dela. É evidente, pra mim, a paixão, no sentido de martírio de Beatriz. O tempo todo ela investe numa espécie de auto-convencimento de que não alimenta ilusão nenhuma, que a vida é absurda, nega tudo em seu filosofar sofismático. Não é uma personagem atraente pela graça, nem pela delicadeza. Beatriz (e aí vc, a meu ver, escolheu bem o nome. Sua Beatriz ;)) é o contrário da Beatriz de Dante, que era a gioia della vita nuova. Beatífica, salutar.) Aqui, Beatriz é, aparentemente, destituída de Eros, ânimo. E vi a paixão nesse sangue e vinho misturando-se numa espécie de êxtase mortífero, porém êxtase. Nesse pensamento que se nega a pensar na separação do pai com um pingo de aceitação. Incrível sua capacidade de mostrar os dois lados dela: ao longo do conto ela vai desinvestindo todos os objetos, demolindo todas as probabilidades de elo com a vida e, ao mesmo, tempo vai se excitando diante da proximidade do ato. Imagino o que Beatriz diria deste comentário;)). No mínimo, que sou quem visito ou recebo e, mais ainda, diria de sua repugnância por essa tentativa. E eu responderia, apesar do aviso dela "sou perigosa", que sua morte seria mesmo um grande alívio para todos, além dela mesma.
Quanto ao desnível entre a idade dela e os termos que utiliza a que se referiu Marcos, e aí fez pensar ainda nos elogios que ela faz aos romanos – Pórcia, depois Virgínia Woolf, confesso que não tenho muita clareza quanto à técnica do conto, romance, prosa para pensar se é uma decisão do escritor fazer de seu personagem alguém mais ou menos precoce, mais ou menos verossímil. Se é uma regra, enfim, Gabriel, um grande prazer comentar e trocar aqui. Gosto de minhas edições movimentadas, com debates entre leitores, entre o autor com os leitores. Fica essa minha extensa demonstração de falta de concisão. Beijo. Fui.


Compulsão Diária · São Paulo (SP) · 30/10/2008 15:33 
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Achei interessante porque tem o estilo obsessivo que suicidas devem ter.
Me fez lembrar do pacto silencioso da imprensa para não noticiar suicídios, a fim de não estimulá-los. E dos sites e comunidades de pessoas que dão dicas umas às outras de formas mais eficazes de se matar. Uma categoria nebulosa de seres humanos... Abraço
Helena Aragão · Rio de Janeiro (RJ) · 30/10/2008 16:18 
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Marcos, Celina, Lola, Helena, Cristiano, Thiers e Cd, obrigado a todos pela participação e por terem feito uma leitura crítica tão atenta do conto. É gratificante para um escritor, enfim, para um artista em geral quando algum dos seus trabalhos consegue despertar um sentimento intenso nos seus leitores. Esse conto da Beatriz parece conseguir.

E já que vocês o leram com tanta atenção e fizeram essas belíssimas críticas vou falar um pouco mais desse trabalho e tentar responder uma ou outra dúvida que tenha pairado no ar, alguns defeitos que a história possa ter. Esse ponto que Marcos, e agora a Cd chamaram a atenção sobre a linguagem, a cultura da personagem não ser compatível com a idade dela também me preocupou um pouco. Porque em determinados episódios ela não se mostra só culta, mas erudita também, como, por exemplo, na citação latina no fim do texto. Além disso, há, como Cd ressaltou, as alusões à Virginia Woolf e Pórcia (ambas suicidas) e o normal seria uma adolescente nunca ter ouvido falar desses personagens históricos . Então quando acabei esse conto me perguntei até que ponto uma jovem de dezessete anos seria capaz de ter essa cultura, até que ponto isso é plausível? Depois de pensar um pouco acabei achando que era plausível sim e que não seria preciso mudar. Beatriz é isso mesmo, intensa e culta.

E no conto está mais ou menos implícito, já que a mãe é aquela esnobe que gosta de exibir os quadros e a casa para os convidados, como a Beatriz denuncia em certo momento da sua narrativa e o pai o dono da verve poderosa. Então ela é oriunda de uma família com um certo nível cultural o que explicaria esse conhecimento até erudito dela, apesar da idade. E a história da morte do pai, explodindo os miolos de forma tão traumática, intensificou uma natureza (a da Beatriz) que já era introspectiva, fazendo com que ela se refugiasse nos livros.

Outro ponto que me preocupou: a racionalidade dela ao descrever sua vida e a frieza no relato às vésperas da morte. É como se ela estivesse compondo o seu réquiem e como disse a Cd, sentindo prazer nessa sua auto-demolição e tudo narrado com um ceticismo, com um desapego à vida que choca. Então fiquei em dúvida se alguém assim poderia existir e esses fragmentos de personalidade se casavam com o que ela nos mostrou de si ao longo da história, onde a todo momento faz questão de ressaltar a ojeriza por um maior contato humano, como por, por exemplo, quando diz: “aqueles braços querendo sufocar numa insistência cretina na busca pela amizade” .

Porque em certas horas ela parece ser “inumana”, tamanha a frieza com que narra sua vida, às vezes até com uma dose de sarcasmo, como, por exemplo, quando fala do pai por quem tinha uma fascinação quase que doentia: “o cotovelo apoiado na mesa segurava uma cabeça pensante. A cabeça que daí alguns dias estaria esmigalhada. Naquele momento ainda pensava.” Eu acho essa passagem de uma crueldade aterradora, porque está descrevendo o homem que diz amar, o seu ídolo. Podemos pincelar ao longo do conto outras cruezas como essa. Beatriz é complexa. E o que tentei nesse conto foi trabalhar essa complexidade, o que não é fácil, já que eu poderia cair na armadilha de uma narrativa onde a personagem ficaria se lamuriando apenas, mas fazendo isso de uma forma oca.

Bom pessoal, acho que vou parando por aqui. Não quero cansar a todos explicando as neuras da minha defuntinha rs O que quero sim é agradecer a leitura e participação dos colegas e dizer que está sendo um prazer trocar idéias com vocês. Não por eu ter escrito esse conto e estarmos falando dele, mas porque estávamos papeando sobre o que nos move por aqui, a paixão pela literatura e compor uma realidade paralela através dos nossos escritos.

Abraço a todos.

Gabriel Desaix · São Paulo (SP) · 30/10/2008 17:53 
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Engraçado, que não vejo Beatriz com os olhos de espanto, mas sim supresa em ver tão bem delineados os meandros de uma das vertentes de suicidas. Desde a primeira vez que a li, reconheci o grito de tantos simpatizantes do suicídio que infestam clinicas psiquiátricas, jovens, adultos, homens, mulheres, independente da cultura e religião que professem. A precocidade dela, ao meu ver, casa-se perfeitamente ao seu desprezo pela vida. Uma menina de QI elevado com conflitos que não se abrandam com desculpas tolas.
Mas entre tantas frases, faces o que a revela para mim é o seu debruçar sobre os livros de psiquiatria e me leva a pensar nos consultórios, agora antes das clínicas, onde os pacientes buscam seus antidepressivos e ajuda para as dores da alma. E em algumas vezes nem a medicação, nem a terapia auxiliam.
Beatriz é um grito. um grito alto e lacinante contra a vida? Talvez. Mas é também um grito contra o que considera, falso, superficial, medíocre.
Se Gabriel fez uma metáfora ou simplesmente narrou literalmente esse desprezo... Ainda não sei. Talvez os dois.

Lola... · Curitiba (PR) · 30/10/2008 18:46 
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Terrível, não poder corrigir erros de digitação ou de distração.
Lancinante*.
Lola... · Curitiba (PR) · 30/10/2008 19:42 
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Gabriel,
que dizer desse teu conto?
Bem estruturado e você entrou
completamente na pele da suicida,
dando-nos um conto muito bem elaborado.
Uma garota deprimida que após a morte do pai,
não encontrava alento para as dores da alma e os
infortúnios da vida, só pode procurar a morte se não
aceita tratamento ou calor humano., nem mesmo da ´
mãe que é frívola e sem noções da realidade.

bjsss

bjsss
Doroni Hilgenberg · Manaus (AM) · 31/10/2008 09:36 
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Cristiano Melo · Brasília (DF) · 31/10/2008 09:41 
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seu texto é de grandeza esplêndida, gostoso de ler.votado.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca (SP) · 31/10/2008 10:26 
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Turbilhão Psicodélico Esse mundo é dos que não sentem. Por isso são fortes. Não se quebram. Ficam até o final. Engolem tudo.

17 anos... é nesta fase da vida que decidimos muitas coisas. Beatriz escolheu ser subterrânea, como seu tão querido -e complexo- pai. Divisor de águas. Divisor de vida.

Você escreve muitíssimo bem. Um texto enorme, e muito bem interligado, muito bem estruturado. Incrível como você, escritor, consegue passar com tanta veracidade a sensibilidade da personagem, retratando com acidez e cólera uma sociedade banal, extremamente fútil e superficial, ponto de vista muito raro entre viventes desse "mundo".

Um escritor de mão cheia mesmo. Parabéns, Gabriel. Viajei no seu texto.
Turbilhão Psicodélico · Cuiabá (MT) · 31/10/2008 11:36 
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Compulsão Diária Salve, Beatriz! Beijo
Compulsão Diária · São Paulo (SP) · 31/10/2008 11:49 
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Ah, anjo meu... Que bom ver seu trabalho reconhecido e eternizado como merece.
Beijo.
Lola... · Curitiba (PR) · 31/10/2008 11:56 
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Lancinante é pouco, Cris, texto irrepreensível, Gabriel, você soube conduzi-lo num fôlego só, nos desvendadndo todo o universo fascinante e possível...
tive uma amiga, assim, é incrível como os "nossos" argumentos construtores não conseguem convencê-la como viver seja bom, a despeito do que possa ter acontecido com seu pai, com esse suicídio tão explícito, que distorceu para sempre os seus arquétipos.
Não venho aqui com nenhuma Luz querer julgar o pensamento de um suicida e as ameaças que advém desse tresloucado gesto, uma vez que a vida não nos pertence, o mesmo julgamento inútil é feito em questões polêmicas como a pena de morte e/ ou o aborto...
Essa minha amiga odiava viver também, cada tentativa frustrada de suicídio, sua falta de carinho por si eram patéticas...
ao mesmo tempo, incoerentemente ela queria ficar bonita, fez inúmeras plásticas, npo nariz, no peito e nunca estava satisfeita com o próprio corpo...
o período de recuperação, ao contrário, garanto, da esmagadora maioria, era o que mais a fascinava, por aquele cheiro do sangue, das feridas abertas, dos curativos e à lembrança de como é feio o nosso corpo sob circunstâncias cicatrizantes advindas de uma intervenção cirúrgica...
ela também vendia seu corpo, o tesão que sentia talvez desgostasse, nunca a vi gozar, nem no sexo, que para ela era um completo estranho, ela se deliciava em sofrer, tinha uma arma que beijava todo dia e me torturava com isso, que na época nutria por ela uma paixão estranha e quase que destrutiva pra mim. Aquilo tudo me fascinava, desafiava e em breves lampejos eu tocava a sua consciência, mas a maldade do seu coração sempre triunfava e ela me expulsava de sua casa, pois sabia da minha dependência e do meu vício, por aquele corpo, que embora escroto fosse, era o meu eterno desafio de tornar humano, insano que eu era...
pérolasaos porcos jogadas, a gente não muda a cabeça de uma suicida, seu texto é extremamente fiel a essa realidade que conheci tanto e tão de perto...
Não sei o desfecho da história dela, sei que tentou várias vezes, todas frustradas, pois não sei se algo dentro dela recusava-se a usar a dose adequada que todo suicida sabe que é fatal, ela quase conseguia, sempre, sua família consistia numa mãe ausente, separada e com um novo relacionamento ao qual a enteada nesse estado
lastimável, carente e vulnerável, representava uma terrível ameaça à sua condição de padrasto, o que a afastava cada vez mais a mãe, com evidentes ciúmes que jamais poderia vir a ter...
tudo errado pra meus frágeis padrões de decência e acima de tudo de Humanidade...
conselhos inúteis e telefones batidos na cara, ela só não me cuspia pois eu não me aproximava o suficiente...
a paixão foi minando, como minaria qualquer paixão em relação a uma crescente rejeição dessas...
tudo tem um limite e me cansei dessas incoerentes chamadas e desmandos, ela me queria por perto como se pra ver a sua derrocada...
então eu disse não, não atendia mais os seus apelos e comecei a gostar de mim.
Era eu que a evitava agora e ela foi sumindo da minha vida, não era isso que ela queria ?
Cheguei a vê-la certo dia, magra e com um rosto extremamente artificial, fruto de sucessivas plásticas desnecessárias que a deixaram com a cara de uma boneca feia e monstruosa !
talvez ela tenha alcançado o seu intento de ser considerada desprezível !
Gabriel, mais uma vez o parabenizo por ter entrado dentro desse panorama que eu tão bem cheguei a conhecer e que julgava que nunca mais iria visitá-lo !
Você o tornou poético, numa estrutura invejável e deliciosa, tornando-o cada vez mais patétio e ao mesmo tempo fascinante, que tênue é essa linha que separa os mundos da coerência e da falta dela !
Quem estará certo, pergunto eu?
nós tão presos à vida, que nos escapa diariamente, nos aproximando logicamente cada vez mais da morte ?
ou o suicida, auto-destrutivo, aparentemente tão ligado à morte e no entanto plenamente justificável em seus argumentos e propósitos...
Que Deus tenha piedade de todos nós !
Um abraço !

alcanu · São Paulo (SP) · 31/10/2008 12:13 
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Meu voto e meu aplauso ao conto expetacular!
raphaelreys · Montes Claros (MG) · 31/10/2008 12:51 
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Gabriel Desaix · São Paulo (SP)
O suicídio de Beatriz

Um Trabalho de muito fólego, uma expressáo perfeita.
Impressionante.
Revela o Autor já pronto para toda Obra.
Tem todo merecimento.
Parabéns.
Abracáo Amigo

Carinhosamente Convido para ler

http://www.overmundo.com.br/banco/antonio-toninho-de-mosqueiro

Obrigado pela participação.

azuirfilho · Campinas (SP) · 31/10/2008 13:33 
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"Subterrânea"!
E, no entanto, semente que a terra não mereceu e cujos frutos foram o estranhamento e a solidão diante das pessoas "que não sentem".
A construção da personagem é primorosa. Aliás, de todas elas neste conto denso e perturbador.
Gostei imensamente.

beijos
Saramar · Goiânia (GO) · 31/10/2008 15:48 
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Quando leio um texto que me faz aflorarem os sentimentos sei que estou diante do resultado dum talentoso trabalho.
Seu texto provoca-nos a ponto de discutirmos alternativas e soluções e ou simplesmente analisarmos o caráter ou psique da personagem como ser real fosse. Em fim, como tão propriamente já comentaram os colegas acima, um ótimo texto!
Parabéns e um forte abraço.

Robert Portoquá · São Paulo (SP) · 31/10/2008 16:42 
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Ufaaa ... mtu mtu mtu bom cara ..
o melhor parte me descreve completamente

"Quantas horas debruçada sobre livros de psicologia, mas em vão! As explicações ciêntificas não ajudam nada. São muito teóricas. Não se enquadram a mim. Por isso, prefiro ficar autopsiando-me, como faço agora. Só que cansa. Chega uma hora que cansa. É aí que as crises começam. Chegam devagar. Por indícios. Depois engolem tudo. Num turbilhão. Esse turbilhão são meus pensamentos, que giram na cabeça como um tornado."

votadissimo ..
é um prazer te ler!

Beijos
Jessyca. .maasfe. · São Paulo (SP) · 31/10/2008 17:45 
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Sou fascinado pelo suicida. Por que e como o homem tem essa coragem formidanda de tirar a própria vida? Lembro Camus: "Saber se a vida vale a pena de ser vivida é a questão central da filosofia."
Mas não gosto de obras de suicidas (pessoas ou personagens) sobre o seu ato. Desconfio. É muito dificil não soar falso, o depoimento, o próprio tom de voz. Parabenizo o autor pelo esforço. O seu texto atrai, é muito interessante. Somente com o fim de incitar, nem digo o debate, mas a reflexão, vou narrar a minha experiência. Não como potencial suicida: amo demais a vida e, senão, seria covarde demais para fugir dela. Já que usei a expressão "amo demais a vida", quero lembrar que já escrevi e acredito - que o suicida ama demais a vida, ama tanto, que explode de desejo de viver mais, chega uma hora em que o fio da vida se rompe. A minha experiência: cortei a artéria radial no pulso direito, num acidente. Em minutos, rapidíssimos, escoou-se quase todo meu sangue. Perdi a consciência. Quando a minha mulher chegou ao ponto socorro, salvando a minha vida, eu já estava desacordado, com uns momentos, não de lucidez, mas de abobalhamento. Olha: não há tempo para se escrever mais que um bilhete. Sou lento, levo uma hora para escrever um texto de três mil caracteres. Digamos que a Beatriz fosse celerrérima: ainda assim, o depoimento dela tem onze mil caracteres - é muito. Está bom, segurem as pedras, não estou negando as qualidades do autor - sei que um ficcionista pode tomar liberdades, o texto deveser verossímil dentro do contexto, e "O suicídio de Beatriz" é bem verossímil. Mas achei que é importante a reflexão. Ao menos para constatar a façanha do autor, que esteve à beira do precipício e saiu-se bem.
Abraços.
José Carlos Brandão · Bauru (SP) · 31/10/2008 19:09 
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Ivette G.M. Senhor texto! Seco. Pautado. Estruturado de tal forma que nos faz sentir culpa por não convencê-la que a vida é bela e para ela está só no início. Parabéns.
Ivette G.M. - Cotia - SP
Ivette G.M. · Cotia (SP) · 31/10/2008 19:22 
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Coluna do Domingos Votei
Coluna do Domingos · Aurora (CE) · 31/10/2008 19:39 
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Thiers · Niterói (RJ) · 31/10/2008 21:31 
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Cara... sem comentários fúteis... você não merece! Um conto desses é capaz de te prender e ouvir a voz da menina se demolindo em função do que, ela, realmente acredita.
O talento com que vai domando as palavras sem se perder e dando sempre o seu toque nas finalizações fazem o leitor sempre regressar a cada passo, que, dado adiante, está ainda atrás.
Meus parabéns!!! De coração véio!
Agassi · Caraguatatuba (SP) · 31/10/2008 22:10 
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Prazer,Gabriel!!
Muito bom seu texto!!

Narrativa longa,mas bem construída.E esse tema sempre é muito interessante...vc conseguiu desenvolver uma história densa sem ser angustiante...deu um ar de naturalidade ao suicídio...mostrando que diante daquele mundo a Beatriz tinha certeza do que queria, ou melhor, do que não queria...e que para ela,de fato, a vida era a morte, pelo menos aquela vida era.Então, cessar aquela vida,seria um aforma de renascer,talvez...

Gostei muito da expressão 'autopsiando-me'...genial!

E desse trecho:

"Esse mundo é dos que não sentem. Por isso são fortes. Não se quebram. Ficam até o final. Engolem tudo. "
Sabe que ela tem uma certa razão?..até me assustei pois muitas vezes pensei isso...rsrs...será que tenha tendências auto-suícidas?rsrs

Obrigada pelo convite,e parabéns!
Beijinhos bluecarinhosos
Bleu
Raiblue · Salvador (BA) · 31/10/2008 23:36 
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Blue...
Raiblue · Salvador (BA) · 31/10/2008 23:37 
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As críticas e a autocrítica são bem interessantes.
Boa discussão em torno de um texto quase bem acabado.
Você tem régua e compasso, Gabriel.
Eloy Santos · Rio de Janeiro (RJ) · 31/10/2008 23:55 
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Gabrieelll! Eu sinto em tuas veias literárias correr a posteridade do grande mestre Dostoiévski, sendo que a tua Beatriz também me revela certa revolta de Anna Karenina de Tolstói... Eu li Dostoiévski em viço da mocidade, e jamais esqueceria "Memórias do subsolo”... creio que ele é um pulsar que jamais se esquece...e que inspira. No entanto, é apenas inspiração... porque a transpiração é totalmente tua...construístes um texto visceral que Sartre aplaudiria de pé...explorar a autodestruição em estados patológicos que levam ao suicídio...não é mera tarefa...exige maestria. Pode parecer repugnante este romance de idéias, mas é leitura fantástica que conquista... É uma ótica avessa do culto a vida, mas de tal estética que avança e conquista... FANTÁSTICO!
Gabrieelll!! Brieelll!! Ell!! !!!
Bjos
Iva Tai · Manaus (AM) · 1/11/2008 02:54 
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VOTEI,POETA,RETORNAREI PARA COMENTAR.
Prof. Sebah · João Pessoa (PB) · 1/11/2008 07:10 
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MISERICÓRDIA!
Sobrou alguma coisa pra eu dizer? Dizer?
Não li o texto. Vi-o adentrando minhas veias e pulsando fortemente a corrente sanguínea, querendo sair pelas fendas.
Respirei fundo e voltei. Li-o novamente e me salguei em verdades, motes espalhados por todo o texto. Me veio um roteiro, vermelho e quente.
Ainda reflito sobre as vozes que insistem em me dizer o que eu deva comentar. Não sobrou quase nada, a não ser um gozo esquecido da minha fala.
Nem preciso dizer que votei...

GRANSIOSO ABRAÇO
Fátima Venutti · Blumenau (SC) · 1/11/2008 12:57 
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Agradeço a todos os amigos pela leitura do trabalho e pelos comentários tão bem fundamentados e atentos.

E se o conto já era mais ou menos interessante com os comentários e leitura crítica
de vocês ficou ainda mais, acrescentou muito a obra.

abraços.
Gabriel Desaix · São Paulo (SP) · 1/11/2008 16:32 
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Ggbriel eu adorei o texto.Fiquei dias lendo e relendo.
Bem meu querido sobre a obra nada posso acrescentar.
Quando leio um texto me indentifico com ele.Gosto do que leio.
Sou leiga em literatura.Então meu voto é por seu trabalho.
E aprendi ainda muito mais com os comentários.
Obrigada meu amigo.
clara arruda · Rio de Janeiro (RJ) · 7/11/2008 05:32 
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Poeta Devany · São Paulo (SP) · 7/11/2008 17:36 
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