Na beira do rio de águas nada diáfanas Gumercindo gastava sua solitária existência dentro de um barraco podre e colorido. Naquele local as coisas não aconteciam, mas tragédias não são coisas e aquela tarde veio para confirmar os presságios. Tudo se passou sob um céu cian-vignetado cortado por vôos de gavião-peneira.
A solidão de Gumercindo estava fadada a acabar naquele dia. Ele iria ficar em companhia dos trezentos e tantos corpos estirados no armazéem municipal. As hortas que beirava o canal fedorento, que todos pensavam ser um rio, devia ter sido os primeiros seres vivos a trocarem de condição. Suas folhas em questão de segundo foram se transformando em cinza. Não, não chegaram a queimar, simplesmente se transformaram. Esse fato seria o prenúncio de tudo que ocorreria se um nabo não saltasse de sua terrinha e ativasse um campo de força extenso e vital para todos nessa história. Assim toda a realidade se tranformou sob o efeito de um conto rápido e com pressa de acabar.
/por damiao santana
Recife. Outubro de 2006
Realismo mágico. Adorei. a solidão quebrada, assim sob prenúncios, talvez seja menos dolorosamente real.
Dora Nascimento · Olinda, PE 13/11/2006 22:42
´brigado Dora. Gostei da tua classificação: realismo mágico. Eu não mesmo sabia onde excaixar este texto... :)
[ds] · Recife, PE 13/11/2006 22:46Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
A Revista Overmundo está chegando ao fim de sua primeira temporada e você não pode perder a oportunidade de colaborar! A edição nº 6 da revista,... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!